Clube dos Goldens leva alegria e reduz estresse entre crianças em tratamento oncológico
No Dia do Cachorro, a visita de pets fantasiados transformou a rotina no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, amenizando a saudade de casa e renovando as energias da equipe assistencial
A seriedade do ambiente de tratamento deu lugar à leveza e ao afeto quando uma "patrulha" de quatro patas cruzou as portas do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) nesta quarta-feira (26), em Belém. Em comemoração ao Dia Mundial do Cachorro - 26 de Agosto, os cães Frida, Sol, Mozart, Zoro e Luna, do Clube dos Goldens, chegaram fantasiados para transformar a rotina na unidade.
A visita promoveu momentos de alívio e descontração não apenas às crianças em tratamento, mas também renovou as energias e emocionou os profissionais da equipe assistencial, que vivenciam os desafios diários na oncologia pediátrica.
Bem-estar - A ação faz parte do Projeto "Visita Pet", iniciativa desenvolvida pelo Escritório de Experiência do Paciente (EEP) do hospital, que coloca em prática a Terapia Assistida por Animais (TAA). Muito além do entretenimento, a presença dos cães atua diretamente no bem-estar emocional e físico dos pacientes, reduzindo os níveis de estresse e ansiedade comuns durante a hospitalização prolongada.
Para garantir a segurança em um ambiente sensível, a entrada dos cães obedece a regras estritas, destacou Elizabeth Cabeça, membro do EPP. “O processo envolve um alinhamento detalhado entre o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), equipe médica, enfermagem e o setor de Humanização, que definem juntos quais crianças têm liberação para ter contato com os cães. Além da triagem individual dos pequenos, os animais também passam por exigências de saúde e higiene: precisam estar banhados, vermifugados e com a carteira de vacinação atualizada”, explicou Elizabeth Cabeça.
“O projeto atua diretamente na redução do estresse causado por internações prolongadas, medos e frustrações ocasionados pelo processo de adoecimento. Receber um carinho desse, vindo de um animal, é um afago muito grande para nossos pacientes. Além do conforto emocional, o projeto tem mostrado resultados concretos na reabilitação física dos pequenos, que ficam mais alegres, interagem e aceitam melhor o tratamento”, acrescentou.
Kézia Gouveia, 13 anos, moradora de Parauapebas, no Sudeste paraense, e internada há dez dias no hospital para investigação médica, mostrou toda a sua alegria ao interagir com os animais. Ela também aproveitou o momento de carinho para aliviar a saudade que sente do próprio cão, chamado Rodolfo. “Foi muito divertido, porque eu gosto muito de cachorro. Eles são muito bonitinhos!”, disse a adolescente.
Também natural de Parauapebas, Ana Bela Gomes, 12 anos, interagiu com os pets e aliviou a saudade que sente do cão Robi, três meses de idade, mesmo tempo que ela está internada no hospital. “Eu achei essa visita muito legal. Eu amo os animais, e isso me ajudou a ficar menos tensa”, disse a menina.
Impacto - Para a mãe de Ana Bela, Thalita Ferreira de Moraes, 37 anos, o impacto positivo da ação é visível no comportamento da filha. “A visita trouxe benefício porque ela ficou mais alegre. Ela passa muito tempo dentro do quarto, só fica deitada. A presença dos animais foi um estímulo a mais. Como ela gosta muito e tem cachorro e gato em casa, o momento fez toda a diferença”, destacou Thalita.
O Clube dos Goldens, que integra o grupo de voluntários do Hospital Oncológico Infantil, surgiu há cerca de 13 anos, a partir de uma reunião informal de amigos, ganhando densidade ao longo do tempo até se consolidar como atuação social em 2021. Nesse período, o grupo passou a realizar visitas terapêuticas com seus próprios cães, após o legado de um projeto da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), relatou uma das administradoras do grupo, a veterinária Tatiana Baia.
Conforme a profissional, para garantir a segurança e a eficácia das interações no ambiente hospitalar, os cães do grupo passam por preparação específica, que alia adestramento técnico ao temperamento dócil característico da raça. “Os animais atuam como facilitadores do trabalho de profissionais, como fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, tendo sido capacitados para responder a comandos precisos de voz, postura e sintonia com os tutores. A preparação teve origem no projeto de extensão e iniciação científica ‘Entrelaces’, liderado pela professora Fernanda, na Ufra, e atualmente a capacitação dos novos integrantes é mantida pelos próprios tutores veteranos do clube”, ressaltou a veterinária.
Texto: Ascom/Hoiol

