Psicologia fortalece autonomia e desenvolvimento de crianças autistas no Natea da Policlínica Carajás
Acompanhamento individualizado transforma aprendizados das sessões em conquistas no cotidiano e envolve as famílias no processo de cuidado
Esperar a própria vez; dizer que algo incomoda; pedir ajuda; lidar com uma mudança na rotina; fazer escolhas com mais segurança. Para muitas famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conquistas como essas, que se revelam em pequenos gestos do dia a dia, sinalizam avanços importantes no desenvolvimento, na autonomia e nas relações construídas com as pessoas em diferentes ambientes.
Nesta quinta-feira (27), Dia do Psicólogo, a Policlínica Carajás, em Marabá, destaca a atuação desses profissionais no Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea), onde a Psicologia atua em diferentes dimensões do cuidado, desde o desenvolvimento de habilidades e da autonomia das crianças até o acolhimento e a orientação de suas famílias.
Para a psicóloga do Natea, Ana Beatriz, o ponto de partida é compreender como cada criança percebe, responde e interage com o mundo. “Não existe uma única forma de acompanhar uma pessoa com autismo. Precisamos entender suas potencialidades, dificuldades e necessidades para desenvolver habilidades que façam sentido em sua vida. Trabalhamos aspectos como comunicação, interação social, regulação emocional e comportamento, ampliando a autonomia e a participação da criança no cotidiano”, explica.
Aprendizados que chegam à rotina
O acompanhamento não termina quando a sessão acaba. Para que as habilidades desenvolvidas façam sentido na vida da criança, elas precisam encontrar espaço também fora do atendimento. Em casa, na escola e em outros ambientes de convivência, experiências cotidianas ajudam a consolidar aprendizados e favorecem respostas mais adequadas às diferentes situações do dia a dia.
A psicóloga Jessyka Lima, que também atua no núcleo, explica que a família tem papel importante nessa continuidade. “A sessão é apenas uma parte desse processo. Quando a família compreende o que estamos trabalhando e consegue criar oportunidades para a criança colocar essas habilidades em prática em casa, ampliamos as possibilidades de desenvolvimento. Não queremos transformar os pais em terapeutas, mas ajudá-los a perceber como situações simples da rotina favorecem novas aprendizagens”, afirma.
Nesse percurso, os avanços não seguem um padrão único nem acontecem no mesmo ritmo para todas as crianças. Para Vitória Brito, psicóloga integrante da equipe, acompanhar as respostas da própria criança é o que permite ajustar as estratégias ao longo do processo. “Cada criança responde de uma forma e tem seu tempo. Por isso, observamos atentamente como ela reage às atividades e, a partir disso, ajustamos as estratégias”, destaca.
Cuidar também de quem cuida
O acompanhamento também se estende a mães, pais e demais responsáveis, que muitas vezes convivem com dúvidas, inseguranças e desafios relacionados ao desenvolvimento da criança e à organização da rotina familiar. Nesse contexto, a Psicologia oferece acolhimento e orientação para fortalecer quem participa diariamente desse cuidado.
Para a psicóloga do Natea Sharon Rose, acolher quem acompanha a criança é parte importante desse processo. “Nosso papel também é acolher essas questões, ajudá-los a compreender o que estão vivendo e oferecer estratégias para que consigam lidar melhor com os desafios do cotidiano. Quando cuidamos de quem cuida, também fortalecemos todo o contexto em que essa criança está inserida”, explica.
A psicóloga Eyne Cristine chama atenção para outra dimensão desse acompanhamento, os sentimentos de quem dedica grande parte da rotina aos cuidados da criança. “Muitas vezes, eles estão tão envolvidos com as necessidades da criança que acabam deixando as próprias emoções em segundo plano. A Psicologia ajuda a reconhecer esses sentimentos, trabalhar dificuldades e construir formas mais saudáveis de enfrentar a rotina”, destaca.
Psicologia integrada ao cuidado no Natea
As diferentes frentes de atuação da Psicologia se somam ao trabalho das demais especialidades do Natea. A troca entre os profissionais permite reunir diferentes perspectivas sobre o usuário e alinhar estratégias de acordo com suas necessidades, favorecendo um cuidado mais abrangente e articulado.
A coordenadora do Natea, Andreia Mesquita, destaca que essa integração amplia a capacidade da equipe de olhar para cada usuário em sua individualidade. “Esse cuidado também se estende às famílias e acontece de forma articulada com os demais profissionais, permitindo que cada paciente seja acompanhado de maneira integral, com respeito às suas particularidades”, afirma.
Texto: Ascom/Policlínica Carajás

