Nutrição é aliada no tratamento e recuperação de pacientes oncológicos no Ophir Loyola
Em alusão ao Dia do Nutricionista, hospital destaca atuação dos profissionais na alimentação individualizada e no cuidado aos pacientes oncológicos
A alimentação integra o cuidado multidisciplinar oferecido aos pacientes do Hospital Ophir Loyola (HOL), referência em oncologia na Região Norte. Em alusão ao Dia do Nutricionista, celebrado na próxima segunda-feira (31), a atuação desses profissionais ganha destaque na avaliação das necessidades de cada paciente e na adequação da alimentação às condições clínicas e aos efeitos do tratamento, contribuindo para a manutenção do estado nutricional e para a recuperação.
Um dos pacientes acompanhados pela equipe é o aposentado João Batista Rodrigues, de 61 anos. Em tratamento no HOL desde o início de julho, ele foi diagnosticado em junho com Leucemia Linfoide Aguda (LLA) e está na reta final do primeiro ciclo de quimioterapia. Os primeiros sintomas surgiram em fevereiro, quando começou a sentir dores que se intensificaram ao longo dos meses.
Com a evolução do quadro, João também apresentou paralisia dos membros inferiores. Em maio, passou por uma cirurgia para retirada de um tumor na coluna e, no mês seguinte, precisou ser submetido a um novo procedimento devido a complicações, quando foram colocados oito pinos na região.
O paciente já passou por 16 sessões de radioterapia e conta que, após a segunda sessão, as dores começaram a diminuir. Atualmente, permanece internado, acompanhado da esposa, e passa por avaliações médicas para verificar a possibilidade de realização de transplante de medula óssea.
Mudanças no apetite - Como consequência do tratamento, João percebeu alterações no apetite. Ele relata que consegue se alimentar melhor pela manhã, mas sente redução da fome ao longo do dia. Por isso, passou a ter preferência por preparações como sopa e suco.
“Uma das coisas que tive foi a perda de apetite. Me alimento quando necessário, porque faz parte do tratamento, mas prefiro me alimentar com sopa e suco. Tenho recebido um atendimento muito bom aqui no hospital”, relata.
O paciente também destaca a variedade das refeições oferecidas durante a internação.
“Sinceramente falando, me surpreendi com o atendimento do hospital. Graças a Deus, aqui a gente é bem tratado. A alimentação é variada, não vem só um tipo de proteína”, afirma.
Avaliação individualizada - No HOL, o acompanhamento nutricional começa desde a admissão do paciente. Inicialmente, o nutricionista realiza uma triagem para identificar possíveis riscos nutricionais, considerando informações como peso, altura, índice de massa corporal (IMC), diagnóstico clínico e ingestão alimentar.
Após essa etapa, é realizada uma avaliação nutricional mais detalhada, que permite identificar as necessidades energéticas e proteicas do paciente. A equipe também verifica a quantidade de alimentos que ele consegue ingerir, a consistência mais bem tolerada e a presença de sintomas que possam interferir na alimentação.
A partir dessas informações, é definida a dieta mais adequada para cada caso, considerando a condição clínica, as necessidades nutricionais e a tolerância alimentar.
Segundo Jamilie Campos, profissional que atua há 15 anos no setor de Nutrição e Dietética do HOL, o acompanhamento é especialmente importante para pacientes oncológicos, que podem chegar ao hospital já desnutridos ou em risco de desnutrição.
“A Nutrição tem um papel essencial tanto no tratamento quanto na recuperação do paciente oncológico. A adequação da alimentação de acordo com a condição clínica e a manutenção de um bom estado nutricional são primordiais para que o paciente consiga uma melhor resposta ao tratamento e se recupere mais rápido”, explica.
Rotina de cuidados - A rotina dos nutricionistas no hospital envolve diferentes etapas do acompanhamento. O trabalho começa com a triagem e a avaliação nutricional, seguida do cálculo das necessidades de cada paciente. Diariamente, os profissionais realizam visitas à beira do leito para acompanhar a evolução e verificar a tolerância à dieta.
A partir dessa avaliação, a equipe realiza a prescrição dietoterápica, adequando a alimentação ao diagnóstico clínico e nutricional e às condições apresentadas pelo paciente. As informações são registradas no prontuário, e os pedidos das refeições são realizados de acordo com a prescrição. Quando necessário, os profissionais também orientam o paciente no momento da alta hospitalar.
O trabalho é integrado às demais áreas da assistência. Os nutricionistas alinham as dietas aos preparos para exames e aos períodos de jejum para procedimentos cirúrgicos, em conjunto com a equipe de enfermagem. Também podem ajustar a consistência dos alimentos a partir da avaliação fonoaudiológica e discutir a conduta nutricional com a equipe médica e os demais profissionais envolvidos no cuidado.
Alimentação durante o tratamento
Os pacientes internados no HOL recebem seis refeições ao longo do dia. As preparações podem ser adaptadas de acordo com as necessidades identificadas pela equipe de Nutrição e a condição clínica de cada paciente.
Tratamentos como quimioterapia, radioterapia e cirurgias podem provocar efeitos colaterais, entre eles náuseas, vômitos, constipação e diarreia. Esses sintomas podem comprometer a ingestão alimentar e favorecer a perda de peso e a desnutrição.
Por isso, entre os principais objetivos do acompanhamento nutricional estão a prevenção da desnutrição, a manutenção do peso e a preservação do estado nutricional e da imunidade.
No caso de João, a equipe acompanha as alterações no apetite e considera a tolerância aos alimentos na definição da dieta.
“No início do dia, o que eu mais consumo é o café. Como praticamente o pão inteiro e, a partir daí, meu apetite diminuiu. Vou comer menos ao longo do dia”, conta.
Para Jamilie, o acompanhamento também permite compreender que a alimentação vai além da oferta de nutrientes e está relacionada a aspectos culturais, sociais e emocionais de cada paciente.
“O que mais me motiva é ver diariamente o quanto a alimentação tem um papel fundamental na recuperação e evolução do paciente, tanto no sentido dos nutrientes necessários para a melhora clínica quanto em relação a ter um olhar mais atento para as questões culturais, sociais e emocionais que envolvem a alimentação e a saúde de um indivíduo em processo de doença oncológica. É um aprendizado diário e é muito gratificante também”, afirma.
Dia do Nutricionista - Celebrado nacionalmente no dia 31 de agosto, o Dia do Nutricionista faz referência à criação da Associação Brasileira de Nutricionistas (ABN), em 1949, marco na organização e representação da categoria no país. Ao longo das décadas seguintes, a profissão foi reconhecida como de nível superior, regulamentada e teve ampliadas suas áreas de atuação, consolidando a presença dos nutricionistas em diferentes segmentos da saúde.
Na assistência hospitalar, esses profissionais desempenham papel fundamental na avaliação do estado nutricional, no planejamento das dietas e no acompanhamento individualizado dos pacientes. No Hospital Ophir Loyola, esse trabalho integra o cuidado multiprofissional e considera as condições clínicas e as necessidades específicas de cada pessoa, especialmente durante o tratamento oncológico.
Texto: Jeferson Höenisch – Ascom HOL

