Hospital Galileu destaca como alimentação ajuda a preservar músculos, ossos e articulações
Nutricionista Ana Paula Tolotti orienta sobre as escolhas alimentares, peso saudável e hábitos para maior mobilidade ao longo da vida
O que chega ao prato também influencia a forma como o corpo se movimenta ao longo da vida. Uma alimentação equilibrada contribui para a saúde de músculos, ossos e articulações. No Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém, o Dia do Nutricionista, celebrado na segunda-feira (31), reforça a importância da nutrição para a mobilidade, autonomia e saúde osteomuscular.
Nutricionista clínica do Galileu, Ana Paula Tolotti explica que a proteção da saúde osteomuscular passa pelo equilíbrio e pela variedade da alimentação. Proteínas, cálcio, vitamina D e magnésio estão entre os nutrientes importantes para músculos e ossos, mas, segundo a especialista, o cuidado deve considerar o conjunto da alimentação, sem dietas restritivas ou a busca por alimentos considerados “milagrosos”.
“Cuidar das articulações é um processo construído ao longo da vida. Comer bem não significa fazer dieta restritiva ou abrir mão do prazer de comer. Equilíbrio e constância são mais importantes do que buscar soluções rápidas ou alimentos milagrosos”, explicou.
Na prática, a orientação da especialista é diversificar o prato. Frutas, verduras e legumes devem fazer parte da alimentação diariamente, enquanto feijões, cereais integrais, castanhas e sementes fornecem vitaminas, minerais, fibras e outros compostos importantes para a saúde.
Ela também destacou que Leite e derivados podem contribuir para a oferta de cálcio, enquanto peixes, ovos e outras fontes de proteína auxiliam na manutenção da massa muscular e da saúde dos ossos. A orientação também inclui distribuir boas fontes de proteína ao longo do dia e manter uma hidratação adequada.
*Quando o peso também pesa nas articulações*
A relação entre alimentação e saúde osteomuscular passa ainda pela manutenção de um peso corporal adequado. De acordo com a nutricionista, o excesso de peso pode aumentar a sobrecarga em articulações como joelhos e quadris, além da coluna, e favorecer alterações metabólicas e inflamatórias que podem comprometer a mobilidade.
Manter o peso sob controle, porém, não significa perseguir padrões estéticos ou recorrer a medidas extremas. A orientação é buscar equilíbrio compatível com as características e necessidades de cada pessoa, por meio de hábitos que possam ser incorporados à rotina.
“O objetivo é buscar peso saudável e compatível com as necessidades da pessoa. Alimentação equilibrada e atividade física contribuem para esse cuidado e ajudam a preservar a mobilidade ao longo da vida”, destacou.
A atividade física completa este cuidado. Exercícios de fortalecimento, mobilidade e equilíbrio, além daqueles voltados ao condicionamento físico, quando realizados de forma adequada, ajudam a manter a força, dar maior estabilidade às articulações e preservar a capacidade de realizar movimentos e atividades do dia a dia. Mesmo para pessoas que já apresentam osteoartrite, a prática pode ser recomendada, desde que adaptada à condição e às necessidades de cada indivíduo.
Menos fórmula pronta, mais comida de verdade
Além da variedade, a qualidade dos alimentos também merece atenção, afirma Ana Paula Tolotti. Alimentos in natura ou minimamente processados devem ter maior presença na rotina, por fornecerem nutrientes importantes e favorecerem uma alimentação mais equilibrada. Frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, castanhas, fontes adequadas de proteínas e de gorduras podem compor esse padrão alimentar.
Já os ultraprocessados, segundo ela, bebidas açucaradas e produtos com excesso de açúcar, sódio e gorduras devem ser consumidos com moderação. A orientação é não concentrar o cuidado em um único alimento ou nutriente, mas observar a qualidade da alimentação ao longo da rotina.
A nutricionista também chama atenção para os limites desse cuidado. Quando já existe uma doença articular ou um processo inflamatório, mudanças na alimentação podem auxiliar, mas não devem ser usadas como tratamento isolado. Avaliação profissional e acompanhamento adequado são fundamentais para definir a conduta em cada caso.
“Quando já existe uma doença articular ou um processo inflamatório, a alimentação pode contribuir com o cuidado, mas não substitui o diagnóstico nem o tratamento indicado. Por isso, é importante buscar acompanhamento profissional e evitar soluções alimentares apresentadas como milagrosas”, orientou Ana Paula.
Cuidado que começa antes da dor
Os cuidados com músculos, ossos e articulações não devem começar apenas quando surgem dor ou limitações de movimento, destaca a profissional do hospital Galileu. A prevenção também envolve atenção contínua ao corpo e a adoção de hábitos capazes de acompanhar as diferentes fases da vida. Sono adequado, não fumar e moderar o consumo de bebidas alcoólicas também contribuem para esse cuidado.
Já dores persistentes, perda de força ou dificuldade para realizar movimentos habituais são sinais que merecem atenção e avaliação profissional. Para a nutricionista, o principal é transformar o cuidado em algo possível de ser mantido. Em vez de medidas pontuais, a proposta é construir hábitos gradualmente, respeitando as necessidades de cada pessoa e buscando orientação sempre que necessário.
“O cuidado precisa fazer parte da rotina e começar antes do aparecimento da dor. Pequenas escolhas mantidas ao longo do tempo fazem mais sentido do que mudanças radicais. O importante é respeitar as necessidades do corpo e buscar orientação profissional quando necessário”, concluiu Ana Paula.
Texto: Ascom/HPEG.

