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Pará completa três anos sem registros de roubos a bancos na modalidade 'novo cangaço'

Último caso ocorreu em setembro de 2023, no município de Viseu. Atuação integrada das forças de segurança, uso de tecnologias, ações de inteligência e celeridade em investigações contribuem para este novo cenário.

Por Walena Lopes (SEGUP)
05/09/2026 14h40

O Estado do Pará completou três anos sem registro de casos de roubo a banco na modalidade "novo cangaço", crime caracterizado por ataques violentos de grupos fortemente armados em municípios do interior do Estado. É o que aponta balanço da Secretaria-Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac), da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).

O último evento desta modalidade, de acordo com a Segup, ocorreu em 8 de setembro de 2023, na cidade de Viseu, Nordeste do Estado. O crime foi totalmente esclarecido, com os integrantes presos pelas equipes policiais do Pará.

A falta de registros, desde então, se destaca em comparação com o ano de 2018, quando o Estado chegou a computar 19 ocorrências desse tipo de crime. Na avaliação da Segup, esse resultado reflete uma série de avanços registrados devido à manutenção de ações contínuas de segurança pública no território paraense. Além disso, o novo cenário espelha um trabalho integrado das forças de segurança do Pará, aliado a investimentos em alta tecnologia e atuação contínua de agências de inteligência, bem como da pronta capacidade de respostas de investigações.

"Mantemos ações de investigação e a atuação do comitê estratégico, com foco total na prevenção, que é o melhor caminho contra essa prática criminosa. A integração das forças de segurança, aliada à inteligência, tem sido fundamental para manter o Pará há três anos sem nenhum registro dessa modalidade, o que mostra que nosso trabalho em coibir e inibir esse tipo de prática vem sendo assertiva", destaca o titular da Segup, Ed-lin Anselmo.

O trabalho integrado das forças de segurança é fundamental no combate à criminalidade

Estratégia e prevenção - Nos último sete anos, o Pará fortaleceu a atuação da Delegacia de Repressão a Roubos a Banco e Antissequestro (DRRBA) e criou, em 2020, a Delegacia de Repressão a Facções Criminosas (DRFC). Além disso, o Estado instituiu o Grupo de Patrulhamento em Ambiente Rural (GPAR), vinculado ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Em 2022, o Pará criou ainda o Comitê Permanente de Enfrentamento às Ações Criminosas Contra Instituições Bancárias e Transportes de Valores, responsável por elaborar planos de contenção e treinamentos.

A desarticulação antecipada das ações criminosas e o cumprimento de mandados de prisão, expedidos contra integrantes de grupos criminosos, aliados à integração das agências de inteligência, estão entre as medidas decisivas que o Sistema de Segurança Pública paraense adotou para combater esse tipo de crime, ressalta o secretário-adjunto de Inteligência e Análise Criminal, delegado André Costa.

"Nossa atuação é preventiva e estratégica. Trabalhamos de forma integrada com outras unidades da Federação, trocando informações de inteligência e cumprindo mandados de prisão em outros estados. Para combater essa modalidade, investimos tanto em tecnologias avançadas quanto no treinamento especializado, como a criação do GPAR do Bope, focado na busca e captura de criminosos em áreas de mata e selva", detalha o delegado André Costa.

"Além disso, a metodologia aplicada pela Delegacia de Repressão a Roubos a Banco e Antissequestro busca o exaurimento completo da autoria e das participações em associações criminosas. O objetivo é desarticular toda a estrutura, e evitar que integrantes em liberdade organizem novos assaltos a bancos, inibindo assim esse tipo de prática criminosa no nosso Estado", ressalta o delegado.

Extrema violência - O roubo a banco na modalidade vapor, mais conhecido como “novo cangaço” ou “domínio de cidades”, é caracterizado pela violência de grupos criminosos, que atacam em bandos fortemente armados, dominando a população e as forças de segurança pública, e atacando instituições locais.

O termo "novo cangaço" foi muito usado no Pará no início dos anos 2000, mas a forma de atuação também é comum nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.