Bicampeão em premiação da melhor amêndoa de cacau do mundo, Pará expande negócios
Com 20 anos de assistência da Emater Pará, agricultores de Medicilândia colhem reconhecimento internacional e firmam qualidade da produção da região da Transamazônica
Produtores paraenses do município de Medicilândia vêm ampliando negócios e ganhando cada vez mais atenção nacional e internacional para a produção de cacau da região da Transamazônica, após ganharem, pela segunda vez consecutiva, o reconhecimento para a amêndoa chamada Alvorada 01, eleita novamente este ano a melhor do mundo.
A qualidade do cacau paraense conquistou o bicampeonato no Cacao of Excellence (CoEx). Considerada a principal premiação mundial para o reconhecimento de amêndoas cacaueiras, ela acontece a cada dois anos. O último evento ocorreu em Amsterdã, na Holanda, em fevereiro deste ano. A seleção avalia amostras do mundo inteiro, a partir de pré-seleções realizadas por entidades reconhecidas por cada país. Na etapa brasileira, as amêndoas nacionais foram indicadas pelo Centro de Inovação do Cacau (CIC). Para chegar à premiação, o CoEx avalia as 50 melhores amêndoas de cacau do globo, e as classifica nas categorias ouro, prata e bronze.
As conquistas da amêndoa paraense de Medicilândia permitiram que o casal de produtores que desenvolveu a Alvorada 01 expandes os seus planos a outro município: eles já compraram uma nova área em Altamira, onde já plantaram este ano outras 2.500 mudas do Alvorada 01. Com novas amostras da amêndoa levadas para a avaliação do Centro de Inovação do Cacau, agora eles buscam o terceiro título mundial.
Assistência à produção - Os produtores Miriam Federicci e Leomar Vieira se casaram em 2007, e desde então moram em Medicilândia. Desde esse início na atuação na produção cacaueira, eles vêm sendo acompanhados pela assistência técnica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater Pará). Assim, adquiram suporte e conhecimento de cursos e projetos que os levaram à amêndoa de cacau hoje reconhecida como a melhor do mundo.
Atualmente, o casal possui cerca de 10 mil pés de cacau, divididos em três propriedades. Duas estão situadas em Medicilândia, enquanto outra expandiu as atividades para a Região do Gleba Assurini, no Ramal do “Índio Preto”, zona rural de Altamira. A premiada amêndoa Alvorada 01 foi desenvolvida no Sítio Bela Vista, em Medicilândia, propriedade que possui apenas três hectares.
Para os produtores de cacau do Pará, o apoio técnico da Emater Pará importa tanto para os cuidados com as primeiras mudas quanto para a própria regulamentação das amêndoas. O auxílio na legalização da produção, como a documentação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, por exemplo, é crucial para a participação em concursos, que exigem todas as documentações em dia.
“A Emater é um órgão que a gente gosta bastante. Dependemos bastante dela para a nossa produção. Tanto em questão da documentação para a gente estar tudo em dia, quanto da assistência técnica e dos projetos que são feitos, por exemplo. Tanto que essa variedade Alvorada 01 foi descoberta por conta do meu marido ter participado de um projeto da Emater. E com esse projeto a gente está sendo bem reconhecido com a nossa amêndoa do nosso sítio”, conta Miriam Federicci.
Segundo a agricultora, a empresa pública apareceu na sua vida quando ainda era criança. “A Emater sempre esteve presente durante toda a minha vida, desde a época dos meus pais. Eu, por exemplo, casei com meu marido em 2007, e desde então recebemos todo o apoio deles, dos técnicos", detalha.
"E a gente fica muito agradecido, porque desde dessa época eles fazem acompanhamento na nossa propriedade, além de realizar os cursos, para a gente aprender cada vez mais, trazendo um serviço mais qualificado, como na lavoura e como foi no caso das amêndoas, que o meu marido descobriu durante um desses cursos”, afirma a produtora.
O marido dela, Leomar Vieira, ressaltou a importância do apoio da Emater no acompanhamento, desde o cultivo do fruto e emissão e regularização de documentos, até à produção da amêndoa premiada.
“A Emater é muito importante para nós, porque recebemos todo o apoio dos técnicos, para melhoria da nossa produção, na qualidade do nosso cacau. E, principalmente, nos cursos feitos pela Emater aqui em Medicilândia. Isso nos ajudou bastante com esse projeto que gerou o Alvorada 01”, avalia Leomar.
Vidas transformadas - Responsável pelo projeto que beneficiou o bicampeonato da amêndoa Alvorada 01, o chefe do Escritório Local da Emater em Medicilândia, o técnico em Agropecuária Sidevaldo Santana comemora exemplos como esse: são transformações reais que a Emater leva à vida dos agricultores familiares no Estado do Pará, com mais conhecimento técnico, que fortalece produções e leva até a premiações internacionais.
“Além desse trabalho de extensão rural, de assistência técnica que a gente faz com eles lá, através de treinamento, através de visita técnica, o Leomar sempre participa dos eventos com a gente, como sobre o manejo da cultura do cacau em si. Além disso, o Leomar foi um dos que participou do nosso projeto do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS), intitulado como Cacau Monoclonal. E foi a partir daí que se iniciou todo esse trabalho, com toda essa conquista da família deles. É muito orgulho para nós fazermos parte disso”, detalha Sidevaldo Santana.
O Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu foi criado via Decreto Presidencial nº 7340. Ele adota a cadeia produtiva do cacau entre os principais pilares estratégicos para se impulsionar a economia no Estado do Pará. O PDRS financia e apoia diversos projetos voltados à cacauicultura sustentável, com foco especial na região da Transamazônica e em municípios de abrangência como Medicilândia, Altamira e Porto de Moz.
Melhores do mundo - Sidevaldo enaltece a planta selecionada Alvorada 1, que ganhou duas vezes o reconhecimento de concurso internacional. “Essas plantas selecionadas foram a partir de um projeto que fiz, dentro da seleção de plantas de cacau híbrido, que, inclusive, dão os nomes das amêndoas", conta o gestor da Emater Pará.
"É um trabalho que a gente sempre faz, desde a emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Ou seja, é um resultado de toda a assistência técnica, com as orientações técnicas, capacitações voltadas para a cacauicultura na nossa região”, avalia.
Atualmente, os produtores Miriam Federicci e Leomar Vieira já comercializam as suas amêndoas premiadas para diversos estados, como São Paulo, Espírito Santo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Tendo a amêndoa Alvorada 01 como matéria-prima, outras empresas da indústria cacaueira também já conquistaram prêmios, como a medalha de ouro no Prêmio Bean to Bar Brasil, na categoria Chocolates Intensos, em 2025, além de também merecer a medalha de bronze no mesmo concurso nacional, em 2026.
Texto: Fabrício Nunes / Emater Pará

