Seaster prepara indígenas Warao para oportunidades de trabalho em Belém
Grupo de 22 indígenas participaram de uma capacitação sobre legislação, direitos e deveres trabalhistas
Vinte e dois indígenas da etnia Warao, refugiados no Pará e vindos da Venezuela, participaram, na quarta-feira (23), de uma capacitação sobre legislação, direitos e deveres trabalhistas. Realizada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Outeiro, em Belém, a atividade integra uma série de ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), por meio do Sistema Nacional de Emprego (Sine), para preparar os participantes para oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
A iniciativa começou a partir da articulação entre a Seaster, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), após orientação do Ministério do Trabalho para o desenvolvimento de ações voltadas à inserção de imigrantes no mercado de trabalho. Desde então, foram realizadas visitas à comunidade, levantamento do perfil profissional dos participantes, atualização de cadastros, oficinas para elaboração de currículos e pré-seleção dos candidatos.
A capacitação desta quarta-feira foi mais uma etapa desse processo. Durante o encontro, os participantes receberam orientações sobre a legislação trabalhista brasileira, direitos e responsabilidades no ambiente profissional.
“Nosso objetivo é garantir que esses trabalhadores tenham acesso não apenas às oportunidades de emprego, mas também à informação e à preparação necessárias para ingressar no mercado de trabalho com mais segurança. A inclusão produtiva também passa pelo conhecimento dos direitos e deveres e pela criação de condições para que cada trabalhador possa desenvolver sua autonomia”, destacou o secretário da Seaster, Inocencio Gasparim.
“É importante que eles conheçam a legislação, os direitos trabalhistas e também as obrigações junto à empresa, para que estejam preparados para a contratação e para iniciar o trabalho”, explicou o coordenador do Sine, Rolando Batista.
A preparação está relacionada a uma oportunidade de contratação que disponibilizou 17 vagas. Ao todo, 20 candidatos estão sendo preparados para participar do processo seletivo. A contratação depende do início da obra e, após a admissão, os trabalhadores passarão por um período de qualificação no próprio canteiro, durante o primeiro mês de trabalho, já com remuneração, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Antes dessa etapa, os participantes já receberam orientações para elaboração de currículo e, no próximo dia 30, deverão participar de uma atividade de português instrumental, com foco em situações do cotidiano profissional.
Para Ludmila Silva Bastos, assistente de campo e ponto focal do ACNUR no Pará, a preparação é importante para ampliar o acesso da população Warao ao trabalho formal. O ACNUR atua em Belém desde 2019 junto a imigrantes e refugiados, com atenção especial à população indígena Warao.
“O trabalho que o Sine está realizando com essa comunidade é muito importante para que essa população possa ter acesso ao trabalho formal, conhecer as leis brasileiras e ampliar sua autonomia. A barreira linguística é um dos desafios enfrentados, e por isso ações de preparação como essa são importantes para facilitar a inserção profissional”, afirmou.
Entre os participantes está o indígena venezuelano Eloy Moya, de 38 anos. Para ele, a possibilidade de acesso às vagas representa uma oportunidade aguardada pela comunidade Warao.
“Agora uma porta se abriu para a nossa comunidade, e queremos começar a trabalhar. Faz muito tempo que estamos buscando essa oportunidade”, afirmou.
Eloy também destacou a expectativa de que mais integrantes da comunidade possam ter acesso a oportunidades profissionais.
“Queremos que essa oportunidade continue e que mais Warao também possam trabalhar. Estamos muito felizes com essa possibilidade”, acrescentou.
A atuação junto aos Warao integra uma estratégia mais ampla do Sine de acompanhamento de públicos que necessitam de preparação diferenciada para acessar ou permanecer no mercado de trabalho. O atendimento personalizado é realizado pela equipe da Seaster/Sine e permite um acompanhamento mais próximo dos trabalhadores.
Segundo Rolando Batista, coordenador de Intermediação de Mão de Obra do Sine, o modelo permite acompanhar o trabalhador de forma contínua, desde o levantamento do perfil profissional até a identificação de dificuldades, orientação para qualificação e encaminhamento para oportunidades.
“No atendimento personalizado, a gente separa grupos especiais e faz um acompanhamento. O trabalhador que apresenta dificuldades para permanecer no emprego passa a ser acompanhado pela equipe, com levantamento do perfil, identificação das dificuldades, orientação para qualificação e preparação para o ambiente de trabalho”, explicou.
Até o momento, o atendimento personalizado vem sendo desenvolvido com diferentes públicos, entre eles imigrantes, mulheres vítimas de violência doméstica e egressos do sistema penal. No primeiro grupo de 15 mulheres acompanhadas pelo serviço, cinco já foram encaminhadas ao mercado de trabalho.
Texto: Yuri Granha/ Seaster

