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Seduc apresenta experiências da Amazônia em encontro nacional da Rede PEA-Unesco, em Belém

Evento reúne cerca de 650 educadores para discutir educação ambiental, sustentabilidade, mudanças climáticas e inovação pedagógica

Por Governo do Pará (SECOM)
24/09/2026 15h36

A realidade amazônica, marcada pela relação entre território, meio ambiente e comunidades, ganha espaço no debate nacional sobre o futuro da educação. Em Belém, cerca de 650 educadores participam do Encontro Nacional das Escolas Associadas da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) 2026, que reúne profissionais de diferentes regiões do País para compartilhar práticas e discutir os desafios da educação diante das mudanças ambientais e sociais.

Realizado com apoio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o encontro prossegue até sexta-feira (25), e reúne aproximadamente 350 participantes presencialmente e 300 de forma on-line. A programação inclui conferências, palestras, apresentação de projetos e troca de experiências sobre educação para a sustentabilidade, mudanças climáticas, cidadania, educação ambiental e uso responsável das novas tecnologias na aprendizagem.

Participantes dialogam sobre educação para a sustentabilidade, cidadania, educação ambiental e outros temas

A participação da Seduc coloca em evidência iniciativas desenvolvidas nas escolas estaduais e aproxima a experiência paraense de uma rede internacional de instituições de ensino.

Princípios e objetivos - A Rede de Escolas Associadas da Unesco, conhecida como Rede PEA-Unesco, reúne instituições de ensino que desenvolvem ações alinhadas aos princípios e objetivos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. A iniciativa estimula projetos que aproximam a educação de temas como cultura de paz, direitos humanos, sustentabilidade, cidadania e cooperação internacional.

A rede também funciona como espaço de intercâmbio de práticas pedagógicas. Experiências desenvolvidas em ambientes locais podem ser compartilhadas com outras instituições, criando possibilidades de cooperação e adaptação de metodologias a realidades distintas.

Para a educação pública paraense, essa articulação amplia a circulação das experiências construídas nas escolas e fortalece uma agenda que já vem sendo desenvolvida pela Seduc.

Educação ambiental - Representando o secretário de Estado de Educação, Ricardo Sefer, o coordenador de Educação Ambiental da Seduc, professor Mauro Tavares, destacou a importância da parceria com a Unesco para consolidar ações voltadas à sustentabilidade e à educação ambiental na rede estadual.

“A parceria com a Unesco nos ajuda a transformar a sustentabilidade e a educação ambiental em políticas permanentes dentro das escolas. Desde 2023, temos ampliado esse trabalho na rede estadual, aproximando os estudantes de temas como meio ambiente, sustentabilidade e mudanças climáticas, e mostrando que a educação também é um instrumento de transformação do território”, afirmou Mauro Tavares.

Segundo o coordenador, a educação ambiental precisa partir da realidade vivida pelos estudantes e estar presente no cotidiano escolar, e não apenas em ações pontuais. A intenção é relacionar os conteúdos trabalhados em sala de aula aos desafios encontrados em cada território.

“Sabemos que ainda temos muito a avançar, mas acreditamos nessa política de Estado e no poder da educação para formar estudantes capazes de compreender e transformar a realidade. O nosso principal recurso é o estudante, e é por meio da educação que podemos mobilizar pessoas e construir novas formas de relação com o meio ambiente e o clima”, ressaltou.

Amazônia e conhecimento - A realização do encontro em Belém acrescenta ao debate nacional a perspectiva de quem vive e produz conhecimento na Amazônia. A escolha da cidade ocorreu também após a realização da COP30 (conferência mundial sobre mudanças climáticas), em 2025, que colocou a capital paraense no centro das discussões internacionais sobre questões climáticas. Para a educação, o desafio é transformar essa agenda em conhecimento, práticas pedagógicas e participação social.

Durante a programação, a Seduc apresenta iniciativas desenvolvidas na rede estadual no campo das escolas sustentáveis. O intercâmbio permite que professores e gestores conheçam projetos realizados em outras regiões e, ao mesmo tempo, apresentem soluções construídas a partir das características dos territórios amazônicos.

“É muito importante que a política de educação ambiental considere as especificidades de cada território. A Amazônia tem desafios próprios, assim como outras regiões do Brasil, e do mundo. Por isso, precisamos construir uma política nacional que consiga dialogar com essas diferentes realidades”, explicou Felipe Heimburger, assessor especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Educação (MEC).

De acordo com o representante do Ministério, está em estruturação uma política nacional de educação ambiental escolar, acompanhada da construção de uma rede de cooperação voltada à sustentabilidade e à resiliência climática, com participação de países da América Latina, do Caribe, da África e de organizações internacionais.

A presença de representantes da Unesco, do MEC, de secretarias de Educação, universidades e demais instituições de ensino amplia o alcance das discussões e aproxima os debates nacionais e internacionais da realidade encontrada nas escolas.

Diálogo direto - Para Tatiana Teixeira, chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais e da Secretaria-Geral da Comissão Nacional do Brasil na Unesco, essa conexão é fundamental para que as políticas educacionais dialoguem com quem está diretamente envolvido no processo de aprendizagem.

“É importante ligar o nacional ao internacional, trazendo para o Brasil as discussões que acontecem no mundo e levando, também, a experiência brasileira para esses espaços. O que é decidido internacionalmente precisa dialogar com o que vocês estão fazendo aqui, nas escolas e nos territórios”, afirmou.

Tatiana destacou ainda a atuação da Rede PEA-Unesco como espaço de articulação entre educadores. Segundo ela, a rede congrega escolas de vários países e proporciona a troca de experiências e o fortalecimento de projetos desenvolvidos pelas instituições participantes.

Avanço tecnológico - O uso das novas tecnologias também integra a programação. Entre os temas discutidos está a Inteligência Artificial e suas possibilidades no processo de ensino e aprendizagem.

Nesta quinta (24), a programação contou com a participação do professor Rafael Herdy, diretor de Inovação da Seduc, que apresentou uma palestra sobre tecnologia na educação e destacou as experiências desenvolvidas no Centro de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica (Ciseb). Durante a apresentação, foram abordadas as possibilidades de integração entre inovação, tecnologia, sustentabilidade e aprendizagem, além dos trabalhos desenvolvidos nas estações do Centro.

Como parte da programação de encerramento, nesta sexta-feira (25), os participantes farão visita ao Ciseb, onde poderão conhecer o espaço e as iniciativas desenvolvidas.

Meio ambiente no cotidiano escolar - Durante os três dias de programação, os participantes discutem projetos, materiais de referência, novas parcerias e estratégias para fortalecer a atuação das escolas associadas. O intercâmbio entre os participantes permite identificar práticas que podem ser adaptadas a diversos contextos e fortalecer a cooperação entre instituições.

Para a Seduc, a participação no encontro reforça a compreensão de que a educação ambiental deve estar integrada à formação dos estudantes e relacionada ao território da aprendizagem.

A experiência paraense apresentada em Belém faz parte da relação entre educação e território. Projetos desenvolvidos nas escolas estaduais, a partir de desafios concretos relacionados ao meio ambiente e às mudanças climáticas, entram em diálogo com educadores de outras regiões do País, e com uma agenda educacional de alcance internacional.

Até sexta-feira, Belém será o ponto de encontro entre experiências, práticas e perspectivas sobre os caminhos da educação diante dos desafios ambientais e sociais. A programação reúne educadores, gestores, pesquisadores e representantes de instituições nacionais e internacionais, em uma agenda voltada ao compartilhamento de conhecimentos e ao fortalecimento da cooperação entre as escolas associadas à Unesco.

Texto: Amanda Castro - Ascom/Seduc