II Seminário Mulheres na Segurança Pública debate avanços e desafios para a participação feminina no Pará
Evento promovido pela Segup reuniu profissionais das forças de segurança para discutir equidade, liderança, ascensão profissional e ocupação de espaços de decisão
A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) realizou, nesta segunda-feira (28), o II Seminário Mulheres na Segurança Pública do Pará, no Auditório Newton Miranda, no CENTUR, em Belém. Com o tema “Respeito, Liderança, Proteção e Equidade”, o encontro reuniu profissionais das forças de segurança para discutir os avanços alcançados e os desafios ainda existentes para ampliar a participação feminina nas instituições.
A programação contou com palestras e debates sobre equidade, liderança, proteção, relações de poder, ascensão profissional e enfrentamento ao assédio e à discriminação.
Avanços e desafios na segurança pública
O secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Cel PM Ed-Lin Anselmo, destacou que o seminário é um espaço para avaliar a realidade atual, identificar desafios e construir propostas para ampliar a presença feminina nas corporações civis e militares.
“Este segundo seminário trata dos avanços e também dos desafios que nós temos no Estado sobre a segurança pública e a participação das mulheres nos seus cargos e nas suas funções. Vamos discutir propostas, elencar problemas e avaliar os avanços: onde nós estamos, onde queremos chegar e o que temos que fazer para valorizar ainda mais o espaço feminino dentro das corporações civis e militares do sistema de segurança pública”, afirmou.
Segundo o secretário, as discussões realizadas durante o encontro devem contribuir para a construção de medidas que ampliem a participação feminina nas instituições de segurança pública.
Mulheres em espaços de comando
A presença feminina em funções de liderança também esteve entre os temas destacados durante o seminário. Comandante do Comando de Policiamento da Capital I (CPC I), a Cel PM Ilanise Lisboa ressaltou a importância da ocupação de espaços de decisão pelas mulheres.
À frente de uma unidade responsável pelo policiamento de 27 bairros de Belém, a oficial destacou que, embora o efetivo feminino represente cerca de 10% da tropa, sua atuação também se estende ao comando de um efetivo majoritariamente masculino.
“Isso demonstra que nós estamos preenchendo realmente esses espaços e dizendo que nós temos a capacidade, tanto operacional quanto de demonstrar a nossa presença feminina. Nós podemos assumir qualquer função, inclusive a de um grande comando da corporação, como é o Comando de Policiamento da Capital I”, afirmou.
Poder e protagonismo feminino
A programação também abordou a dinâmica das relações de poder nas instituições de segurança. Diretora da Academia de Polícia Civil, a DPC Daniela Santos ministrou a palestra “A dinâmica do poder nas forças policiais sob a perspectiva de gênero”.
Para a delegada, o seminário é importante para ampliar o protagonismo das mulheres como líderes.
“Esse tipo de agenda é fundamental para que a gente quebre estereótipos e paradigmas de que somente a força física, coragem e destemor, características socialmente atribuídas ao masculino, têm valor. As mulheres podem atuar tanto em áreas operacionais quanto administrativas e também assumir posições de comando de forma tão eficiente quanto”, destacou.
A programação contou ainda com a participação da DPC Caroline Batista, diretora da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Belém, que abordou a responsabilidade institucional na prevenção, no acolhimento e na segurança dos procedimentos.
A defensora pública e coordenadora do Núcleo de Gênero da Defensoria Pública do Estado do Pará (NUGEN/DPE-PA), Larissa Machado, discutiu os limites entre autoridade, cobrança profissional, conflito, assédio e discriminação.
Representando o Corpo de Bombeiros Militar do Pará, a Cel BM Gabriela Contente, mestra em Gestão Pública pelo NAEA/UFPA, falou sobre competência e autoridade feminina, com foco na identidade profissional e na superação de estereótipos.
Experiências que ultrapassam fronteiras
O seminário também promoveu a troca de experiências entre instituições de diferentes estados. A Cel PMAC Marta Renata Alves, comandante-geral da Polícia Militar do Acre, participou da programação e destacou a importância de espaços que permitam às profissionais compartilhar desafios e experiências.
“É um espaço legítimo para mulheres debaterem sobre a participação feminina nesse palco da segurança pública, que é majoritariamente masculino. Temos muitos desafios e muitas barreiras a superar, mas é um espaço que permite que as mulheres debatam, expressem e compartilhem os desafios do dia a dia”, afirmou.
A comandante-geral também destacou que as experiências discutidas no Pará podem contribuir para o debate sobre a participação feminina no Acre, considerando os desafios enfrentados pelas mulheres nas instituições de segurança dos dois estados.
Uma semente plantada e novos caminhos
Coordenadora-geral do II Seminário Mulheres na Segurança Pública, a Cel PM Adriana Nacif destacou a continuidade do trabalho iniciado na primeira edição do evento e a importância da participação conjunta de homens e mulheres na construção de uma segurança pública mais justa.
“Nós, mulheres da segurança pública, plantamos uma semente no primeiro seminário e agora estamos colhendo os frutos no segundo Seminário das Mulheres na Segurança Pública. É um evento em que iremos tratar de equidade, liderança, ascensão em funções e postos e avançar juntamente com os homens da segurança pública, em prol de uma sociedade mais justa e que respeite os direitos das mulheres”, afirmou.
O II Seminário Mulheres na Segurança Pública do Pará reforça, assim, a importância do diálogo institucional para identificar desafios, compartilhar experiências e discutir caminhos para ampliar a participação feminina nos diferentes espaços das instituições que integram o sistema de segurança pública.
Texto: Bianca Botelho - Segup

