Curso gratuito da Fundação ParáPaz aproxima idosos da tecnologia
As aulas de Inclusão Digital ensinam às turmas o uso básico do computador, conceitos de hardware e software, e ferramentas de acesso à internet
Cada vez mais, idosos encontram nas aulas do curso gratuito de Inclusão Digital uma oportunidade de ganhar mais autonomia. Para a maioria, são muitas descobertas. Um aprendizado revelado até em pequenas tarefas, que antes necessitavam do apoio de outra pessoa, e agora eles executam sozinhos.
A experiência tem sido surpreendente para Dalva Pereira. Aos de 73 anos, ela é aluna do curso, ministrado na sede da Fundação ParáPaz, em Belém. Dalva contou que tinha medo até de encostar em um computador, mas agora está "tirando de letra".
“A aula está sendo uma bênção. Eu achava que era coisa só para gente nova ou para quem estudou muito. Hoje em dia, já sei mexer no mouse, já sei procurar as coisas que eu gosto, já aprendi a escrever no Word e, agora, a gente tá aprendendo a mexer até nas tabelas do Excel. Fico muito feliz porque vi que posso aprender, sim, mesmo na minha idade. Agradeço muito por essa oportunidade bonita que estão dando pra gente”, ressaltou a aluna.
Conteúdo - O curso aborda inicialmente conhecimentos básicos sobre computador, conceitos de hardware e software, memória RAM e ROM, periféricos e acessórios. Os alunos também recebem orientações sobre segurança digital, incluindo cuidados para evitar golpes e fraudes.
No teclado, aprendem a utilizar as principais teclas e atalhos, além de acentos, pontuação e teclado numérico. Também praticam a criação e organização de arquivos e pastas, acessam sites, fazem pesquisas, baixam arquivos, copiam imagens, traduzem textos e utilizam ferramentas digitais, como Gemini e ChatGPT. Também aprendem a criar, enviar e receber e-mails.
Na Usina da Paz do bairro do Guamá, em Belém, a turma é formada por 27 alunos, todos acima de 60 anos. Um deles é Abílio Saraiva, 79 anos. Morando sozinho, ele encontrou nas aulas uma oportunidade para aprender a usar melhor a tecnologia. Antes, tinha dificuldade com o celular, mas hoje já consegue utilizar os aplicativos com mais facilidade.
“Hoje consigo mexer melhor no celular e tenho mais cuidado, principalmente por causa dos golpes e fraudes. Também gostei muito da atenção do professor nas aulas práticas de computador”, disse Abílio.
Entreter e socializar - Wellington Moraes, professor na UsiPaz, explicou que, além das dificuldades naturais da idade, que os alunos vençam o medo. “A principal dificuldade é a memorização. Muitas vezes, é preciso repetir algumas vezes e incentivar que eles façam anotações. Eles têm medo de que aconteça alguma coisa, como quebrar o computador. Por isso, a gente procura sempre transmitir confiança e segurança. As aulas também são um momento de entretenimento e socialização porque alguns idosos ficam mais isolados em casa e, aqui, passam a interagir com outras pessoas, e essa convivência é muito saudável”, explicou o professor.
Aos 75 anos, Maria Edna Rodrigues já pensa em como levar esse aprendizado a outras pessoas. Ela contou que a atenção recebida nas aulas despertou a ideia de montar um espaço em casa, com computador, especialmente para as crianças. “Eu não sabia mexer, mas percebi que, apesar da idade, ainda consigo aprender muita coisa. Quero montar uma sala em casa para ensinar as crianças carentes da comunidade onde moro a usarem a tecnologia”, adiantou Maria Edna.
A professora Kelly Alves, responsável pela turma na sede da UsiPaz, informou que eles adoram aprender, e mesmo não tendo computador em casa, encontram um jeito de praticar. Usam as máquinas de pessoas próximas, agendam horários nas bibliotecas das Usinas da Paz e até fazem grupos de estudo na casa dos colegas que possuem computador.
Os cursos têm duração de dois meses, com aulas duas vezes por semana, em horários diferentes. As inscrições ainda serão abertas para as próximas turmas nos dois locais. As vagas são limitadas, para que cada aluno utilize uma máquina durante as aulas.

