Parque de Bioeconomia completa um ano com impulso aos negócios sustentáveis
Estrutura inaugurada em outubro de 2025 conecta empreendedores, comunidades, pesquisa e tecnologia da Amazônia para agregar valor à biodiversidade: mais de 40 negócios já receberam apoio do Laboratório-Fábrica
Um óleo produzido a partir da matéria-prima amazônica pode ganhar maior grau de pureza e valor comercial e, ao mesmo tempo, os resíduos desse processamento podem se transformar em ingredientes para novos produtos. Polpas e frutas da região podem ser testadas em equipamentos industriais antes que empreendedores invistam na ampliação da produção. Esses são exemplos de como o Parque de Bioeconomia e inovação da Amazônia (PBIA), que completa um ano nesta quarta-feira (7), em Belém, vem aproximando biodiversidade, conhecimento, tecnologia e empreendedorismo para agregar valor aos recursos e saberes da Amazônia.
Desde o início das atividades, 50 empresas iniciaram interações de pesquisa e desenvolvimento com o Laboratório-Fábrica, das quais 20 utilizaram diretamente a infraestrutura produtiva do parque. Também já foram registradas mais de 120 operações produtivas de clientes e parceiros, sendo 100 somente no primeiro semestre de 2026. Os atendimentos envolvem principalmente os segmentos de alimentos e bebidas, cosméticos, biotecnologia, bioingredientes e agricultura familiar.
Mais de 40 empresas e startups já foram atendidas ou estão em atendimento pelo Laboratório-Fábrica, envolvendo mais de 10 segmentos. Nos seis primeiros meses de implementação, cerca de 1,5 tonelada de diferentes matérias-primas foi processada, resultando em aproximadamente 500 quilos de produtos, entre óleos, sucos, polpas e produtos liofilizados, como açaí e camu-camu em pó.
Desde que foi aberto, o Parque de Bioeconomia também já recebeu mais de 170 eventos e exposições, e contabiliza mais de 20 mil pessoas impactadas pelas atividades desenvolvidas no espaço.
Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas), Raul Protázio Romão, o primeiro ano do Parque demonstra o papel estratégico da bioeconomia na construção de um modelo de desenvolvimento que valoriza a floresta e quem vive dela.
“O Parque materializa uma visão de desenvolvimento que mantém a floresta viva e, ao mesmo tempo, cria oportunidades para quem vive e produz na Amazônia. Estamos conectando conhecimento, tecnologia, comunidades e empreendedores para agregar valor á nossa biodiversidade e transformar essa riqueza em renda, inovação e melhoria da qualidade de vida das pessoas”, avalia.
Inovação antecipa caminhos
Um dos negócios que encontrou no Parque de Bioeconomia e inovação da Amazônia a estrutura necessária para acelerar seus projetos foi a Fortparaoil, criada no Vale do Acará a partir da produção familiar de cacau, açaí e cupuaçu. Fundada pelo engenheiro mecânico Gilberto Hirokazu Nobumasa, a iniciativa surgiu da busca por novas aplicações para caroços, sementes e outros materiais, que até então tinham pouco aproveitamento econômico. A empresa avançou para a produção de óleos e manteigas vegetais amazônicos e atualmente conecta certa de 70 famílias aos mercados nacional e internacional.
“O apoio do Laboratório-Fábrica antecipou em cerca de cinco anos os nossos planos de inovação tecnológica. Conseguimos avançar nas pesquisas, explorar ingredientes de maior valor agregado e fortalecer a economia circular. O Parque representa um marco na nossa trajetória, porque nos permite inovar sem perder a essência de transformar recursos antes pouco aproveitados em desenvolvimento e renda para a Amazônia”, pondera Gilberto Nobumasa.
Segundo o empresário, a visibilidade proporcionada pelo parque também contribuiu para o acesso da Fortparaoil a mecanismos de financiamento voltados à inovação e à subvenção econômica, que alcançaram R$ 1,5 milhões em 2026.
“A empresa continua buscando novos mercados internacionais, ampliando as possiblidades de comercialização de ingredientes amazônicos e as oportunidades para as famílias que integram sua cadeia produtiva”, completou.
Tecnologia conectada aos territórios
O Parque de Bioeconomia é uma das políticas públicas que estão contidas dentro do Plano Estadual de Bioeconomia, que visa beneficiar ações e estratégicas que desenvolvam a sociobioeconomia de base comunitária no Pará. E uma das iniciativas beneficiadas é a Cooperativa dos Apicultores e Agricultores do Nordeste Paraense (Agromel), em São João de Pirabas.
Com investimentos da Inova Sociobio, a cooperativa avança na implantação de uma agroindústria destinada ao despolpamento de frutas e ao beneficiamento de mel, ampliando as condições para que a produção da agricultura familiar seja processada e ganhe maior valor antes de chegar ao mercado.
“Estamos viabilizando a construção de uma unidade certificada para o despolpamento de frutas, o que representa um avanço significativo para o beneficiamento da nossa produção agrícola. É uma iniciativa que fortalece a agricultura familiar e cria melhores condições para que aquilo que é produzido pelos nossos cooperados tenha mais aproveitamento e gere mais benefícios para o município. Encaro esse projeto como uma inovação transformadora”, avalia Osvaldo Rebelo Filho, presidente da Agromel.
Outra frente conectada ao Parque é o Centro de Gastronomia Social Tekoá, iniciativa da Semas executada pelo Instituto Paulo Martins. O projeto realizou 92 cursos, qualificando 1.144 pessoas, e formou a primeira turma gratuita de 20 auxiliares de cozinha especializados na gastronomia amazônica. A turma foi composta por alunos em situação de vulnerabilidade social. Além dos cursos, o Tekoá utiliza o Laboratório-Fábrica, para proporcionar experiências de cozinha industrial, aproximando inovação, formação profissional e gastronomia amazônica.
Para a secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, a estrutura ajuda a superar um dos principais desafios dos empreendimentos amazônicos: transformar biodiversidade, conhecimento e produção local em produtos com maior valor agregado consolidando a bioeconomia como uma agenda econômica para o Estado.
“Muitos negócios da nossa bioeconomia possuem produtos de enorme potencial, mas precisam acessar tecnologia, pesquisa, equipamentos e redes de parceiros para avançar. O Parque cria esse ambiente de conexão, permitindo testar processos, desenvolver produtos e reduzir etapas e riscos para que essas iniciativas possam ganhar escala e mercado”, destaca.
Ao completar seu primeiro ano, o Parque de Bioeconomia entra em uma nova etapa de consolidação desse ecossistema. Entre as próximas ações está o lançamento de edital para residência e membresia, ampliando as possibilidades de participação de empresas, startups, instituições e outros atores da bioeconomia. A proposta é fortalecer o espaço como um ambiente permanente de conexão entre ciência, inovação, empreendedorismo, produção comunitária e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.

