Semas destaca bioeconomia, protagonismo feminino e financiamento sustentável no IV Fórum Varanda da Amazônia
Estado participa de painéis sobre inovação, geração de renda, mercado de carbono e mecanismos de financiamento para conservação da floresta
A construção de uma Amazônia que valoriza os conhecimentos tradicionais, amplia oportunidades econômicas e transforma a conservação da floresta em desenvolvimento para a população esteve no centro dos debates do IV Fórum Varanda da Amazônia – “Amazônia: substantivo feminino”. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) participou do evento, realizado em Belém, com as secretárias-adjuntas de Bioeconomia, Camille Bemerguy, e de Gestão de Águas e Clima, Renata Nobre, que integraram painéis sobre inovação, empreendedorismo, finanças verdes e desenvolvimento sustentável.
No painel “Conhecimento que nasce da floresta e das mãos das mulheres”, integrante do eixo “Inovação, Economia 4.0 e Geração de Emprego”, Camille Bemerguy debateu caminhos para fortalecer uma economia amazônica baseada na biodiversidade, tecnologia e valorização dos saberes locais. A discussão reuniu ainda a diretora executiva do Fundo Casa Socioambiental, Cristina Orpheo, e a cozinheira e empreendedora ribeirinha Dulce Oliveira, com mediação de Thaís Haber, diretora de Bioeconomia e Inovação na CAAPP (Companhia de Ativos Ambientais e Participações do Pará S.A).
Camille Bemerguy destacou que o desenvolvimento da bioeconomia amazônica passa pelo reconhecimento dos conhecimentos existentes nos territórios e pela criação de condições para que esses saberes se transformem em oportunidades econômicas, especialmente para mulheres, comunidades tradicionais e pequenos empreendedores.
“Quando falamos em bioeconomia na Amazônia, estamos falando de uma economia que já existe nos territórios, construída a partir do conhecimento de quem vive e produz na floresta. O papel do poder público é ajudar a criar as condições para que essas iniciativas ganhem escala, acesso à tecnologia, mercado e financiamento, sem perder a conexão com os territórios e a conservação da biodiversidade”, enfatizou.
Conhecimento que transforma
A experiência de Dulce Oliveira mostrou, na prática, como o conhecimento tradicional e a biodiversidade podem transformar vidas. Natural de Capitão Poço (município do Nordeste paraense), ela encontrou em Santarém (no Oeste) a oportunidade de desenvolver um negócio pioneiro a partir da vitória-régia.
Após uma infância marcada por dificuldades, e de trabalhar como empregada doméstica sem carteira assinada, começou a buscar alternativas para complementar a renda familiar. O cultivo ornamental da planta despertou sua curiosidade sobre possibilidades de utilização, levando-a a procurar apoio da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) para desenvolver produtos gastronômicos.
“Minha história começou com muitas dificuldades. Trabalhei desde criança, morei de favor e precisei buscar alternativas para ajudar minha família. Foi observando a vitória-régia, que eu cultivava para enfeitar a entrada da minha casa, que descobri uma oportunidade de transformar minha vida. Busquei conhecimento, procurei a Universidade, e hoje sou referência em um trabalho que nasceu da nossa floresta. Sempre digo que a mulher consegue aquilo pelo que luta. Não quero ver uma mulher atrás da outra, quero ver todas lado a lado, crescendo e trabalhando juntas”, afirmou a empreendedora.
Financiamento climático e conservação da floresta
A secretária-adjunta Renata Nobre participou do painel “Como financiar a Amazônia sustentável”, integrante do eixo “Finanças Verdes, Carbono e Desenvolvimento Sustentável”. O debate abordou o potencial de instrumentos financeiros, como o mercado de carbono e os mecanismos de financiamento climático, para apoiar a conservação ambiental e promover oportunidades de desenvolvimento para as populações amazônicas.
A discussão contou também com a participação de Alessandra Gomes, titular da Coordenação Espacial da Amazônia (Coeam), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e teve mediação de Eufran Amaral, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Acre) e especialista em Gestão Territorial e Políticas Públicas Ambientais.
Renata Nobre ressaltou a importância de construir mecanismos de financiamento que reconheçam o valor dos serviços ambientais prestados pela floresta, garantindo que os benefícios da conservação alcancem efetivamente as comunidades e populações que contribuem para sua proteção.
“A Amazônia desempenha um papel fundamental no equilíbrio climático do planeta, mas precisamos avançar para que esse valor ambiental se traduza em oportunidades concretas de desenvolvimento. Os mecanismos de financiamento climático e o mercado de carbono podem contribuir para esse processo, desde que sejam estruturados com transparência, segurança jurídica e respeito aos direitos das populações que vivem e protegem a floresta”, enfatizou Renata Nobre.
Ela também destacou que o fortalecimento das políticas ambientais exige a integração entre conhecimento científico, instrumentos econômicos e participação social. “O desafio não é apenas captar recursos para a conservação, mas garantir que esses investimentos produzam resultados ambientais e sociais duradouros. No Pará, trabalhamos para construir uma agenda climática que associe proteção da floresta, desenvolvimento sustentável e valorização das comunidades, reconhecendo que a conservação precisa gerar benefícios para quem está no território”, reforçou a secretária-adjunta da Semas.
Texto: Arthur Sobral – Ascom/Semas

