Psicologia da Santa Casa é exemplo de engajamento e superação durante pandemia

No Dia do Psicólogo, profissionais que integram a equipe de 35 psicólogos da Santa Casa se orgulham de contribuirem para melhor qualidade de vida de todos num grande hospital

27/08/2020 16h48 - Atualizada em 27/08/2020 18h46
Por Etiene Andrade (SANTA CASA)

Um dos grupos de psicólogos de 35 profissionais que atuam na Santa Casa todos os dias por melhores condição de vida para pacientesSão 35 profissionais que vivem o desafio de atuar nos diversos setores de um grande hospital. Uma equipe experiente, engajada e versátil, que exerce seu ofício desde as áreas de referência, como urgência e emergência obstétrica, maternidade, neonatologia e pediatria, até às UTIs, clínica médica, clínica cirúrgia e ambulatórios.

Uma atuação que mais recentemente, se estendeu ao apoio dado a familiares e pacientes vitimados pela Covid-19, quando a Santa Casa se tornou uma das unidades de referências no estado este ano. De acordo com a psicóloga Cláudia Colino, referência técnica da psicologia na Santa Casa, o trabalho do psicólogo é imprescindível para o paciente, acompanhante, familiar e mesmo como suporte para os outros profissionais de saúde.

Psicólogas da Santa Casa ampliaram sua experiência profissional nesta pandemia, acompanhando pacientes, famílias e colegas “A presença de um profissional que trabalha as questões referentes ao aspecto emocional dentro de um hospital é um diferencial, basta se pensar quantas repercussões a hospitalização causa ao paciente, familiares e até mesmo equipe'', enfatiza a psicóloga Cláudia Colino.

Ela afirmou que no dia a dia os profissionais se deparam com situações de sofrimento, a mais difícil delas, a morte. "Mães que perderam seus bebês, famílias que perderam seus entes, dentre tantas outras situações difíceis que a psicologia enfrenta, acolhendo, fornecendo escuta, suporte emocional, mediando conflitos''.

"Muitas vezes as intervenções são junto às equipes, mediando conflitos, minimizando o estresse. No período crítico da pandemia fizemos rodas de conversa, considerando o alto grau de estresse que todas as categorias profissionais estavam vivenciando”., relata a psicóloga.

Dinâmica de grupo realizada por psicólogs da Fundação Santa Casa com familiares e com os próprios profissionais de saúde do hospital Há 15 anos na Santa Casa, a psicóloga Líliam Duarte esteve durante esse período lotada no setor de Clínica Médica, onde interagia com pacientes em longos períodos de internação. “São pacientes que ficam muito tempo internados, diferente da maternidade, onde as pacientes normalmente chegam para ter o bebê e depois vão para casa. Na Clínica Médica nós já tivemos pacientes internados por mais de seis meses, o que nos leva a construir um vínculo com um paciente e com a família''.

É um trabalho que se diferencia de outros setores da Santa Casa e, muitas vezes, tanto a população quanto os profissionais do próprio hospital desconhecem, porque as pessoas têm a ideia da Santa Casa apenas materno-infantil, mas temos a Clínica Cirúrgica e a Clínica Médica”, destaca a psicóloga.

Líliam Duarte nunca imaginou que a experiência de trabalhar em um setor onde a demanda é diferenciada pudesse ser precursora de algo que ela nunca pensou em vivenciar em sua carreira, o exercício da psicologia durante uma pandemia.

“Em meados de março, todos nós profissionais de psicologia da Santa Casa começamos a atuar em todo o hospital fazendo rodas de conversa com os servidores, porque tudo era muito novo e ninguém estava preparado pra um cenário de pandemia, o que gerava um clima de apreensão entre os profissionais. Então, antes mesmo de recebermos pacientes com Covid-19, nós fizemos uma escuta com os profissionais que iriam atuar na linha de frente atendendo os pacientes. Isso nos deu um retorno muito positivo, pois promoveu o acolhimento desses profissionais”, recorda Líliam, que também trabalhou atendendo diretamente familiares e pacientes internados com Covid-19, já que a Santa Casa foi eleita como hospital de referência, chegando a disponibilizar mais de 150 leitos para pacientes acometidos pela doença, 70 só para pacientes graves.

“O maior desafio de todos esses anos foi viver 2020, conviver com o desconhecido, um inimigo invisível, reinventar formas de escuta e apoio psicológico ao usuário diante de um cenário de incertezas e muito medo por parte de todos”, desabafou a profissional.

Nesse contexto diferenciado de apoio ao usuário, Líliam lembra das centenas de ligações que fez aos familiares, pois que nos momentos mais críticos de infecção da Covid-19, os pacientes não podiam ter acompanhantes nem receber visitas.

“Um dos casos que foi bem significativo para mim foi o do paciente Wilson Soares, que ficou mais de 30 dias internado na UTI e eu atendia nesse período a esposa dele por meio de ligações telefônicas diárias. Quando ele foi extubado (retirado do tubo que o auxiliava na respiração quando estava sedado) a doutora Nelma, médica intensivista que o atendia, percebeu que ele estava deprimido e que isso poderia prejudicar sua evolução, foi então que eu entrei pela primeira vez em uma UTI durante a pandemia”, detalha Líliam.

O atendimento a Wilson Soares foi um sucesso e 30 dias depois da internação da UTI ele foi transferido para uma enfermaria e hoje já está com a família em casa. E assim como Wilson foi atendido pela psicóloga Líliam Duarte, muitos outros pacientes internados durante a pandemia puderam contar com o apoio da equipe de psicólogos, no suporte aos acometidos pela Covid-19 ou nos inúmeros atendimentos nas áreas de referência para a qual a instituição já é referência há décadas, no Pará.

Com 16 anos de experiência na Santa Casa, Ana Tereza Araújo sintetiza a relação que para ela, e muitos outros psicólogos, vai além do aspecto profissional. “Para mim como psicóloga, a Santa Casa faz parte do meu crescimento como pessoa, das minhas relações, não só das relações de trabalho, pois para mim, ela representa o meu crescimento pessoal. É uma instituição que promove o acolhimento e onde a gente tem a possibilidade de vivenciar o todo, não só a assistência, mas também o ensino e a pesquisa. Enfim, a Santa Casa é uma instituição não só de assistência, mas também formadora, pois muitos que estão hoje atuando na sociedade tiveram a oportunidade de aprender na Santa Casa”.