Extrativistas de Marabá podem triplicar colheita de açaí com manejo orientado

04/09/2020 14h33 - Atualizada em 04/09/2020 15h08
Por Aline Miranda (EMATER)

Seja em que tempo for, não falta açaí na mesa da Família Cavalcante-Timóteo, moradora do assentamento Lajedo II, em Marabá, sudeste do estado. Entretanto, o que  Ronildo, 40, e Claudineide, 35, colhem nos cerca de dois hectares de área nativa da propriedade, no entorno de uma nascente que desemboca no rio Vermelho, por ora só é suficiente para o consumo do casal e dos três filhos: Kaíque, 15; Jonas, 11, e Guilherme, 2.

“Mesmo na safra, não ultrapassamos os 50 litros por mês”, calcula Ronildo, que é presidente da Associação dos Pequenos e Médios Produtores Rurais do Lajedo II (APMPRAL), da qual fazem parte 50 associados. 

O Sítio Santa Luzia é uma das bases de projeto piloto de manejo do açaí executado pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) na Comunidade, no km 8 da rodovia Br-155. 

O objetivo é que, com capacitação e acompanhamento, estratégias como espaçamento adequado, seleção de espécies para exclusão e desbaste de touceiras resultem, já ano que vem, em aumento significativo de produtividade.

“Ano a ano, a expectativa é que tripliquemos ou mais os números atuais”, estima o chefe do escritório local da Emater em Marabá, o engenheiro florestal Antônio Marçal.

De acordo com Marçal, o manejo é uma tecnologia como tudo para ser acessível para o agricultor familiar do sudeste do Pará: “Os epis [equipamentos de proteção individuais], como facão e luvas, já são típicos da dinâmica das propriedades; as informações integram difusão científica e conhecimento popular e o impacto no ecossistema é mínimo”, explica.

Teoria e Prática 

Nos últimos dias 20 e 21 de agosto, a Emater promoveu a primeira Demonstração Técnica para sete agricultores, sob todas as recomendações de cuidados com a Covid-19, como uso de máscaras e distanciamento. 

 Foram treinadas etapas como elaboração de inventário florestal, com processamento de dados em ficha de campo preenchida manualmente, e identificação e retirada de árvores madeireiras que sobrecarregam de sombreamento o açaí, fazendo com que a palmeira desenvolva-se sem controle e alcance altura inviável para o extrativismo. 

Conforme logística no contexto da pandemia do novo coronavírus, a Emater está se organizando para estender a capacitação inicial para as outras famílias do assentamento. São mais de 100 extrativistas, que também trabalham com plantio de açaí da variedade BRS-Pará, pecuária leiteira e plantio e beneficiamento de mandioca.

O açaí é vendido, batido ou in natura, para comerciantes de pontos de bandeira vermelha da região. 

Com a expansão e o melhoramento dos sistemas produtivos, deflagram-se possibilidades de mercado muito além da vizinhança. Próximas fases serão, por exemplo, introdução de novas variedades de açaí na terra firme, como a BRS- Chumbinho, e implantação de sistemas de irrigação. 

“É um ganho real para a agricultura. Aumentando a produção e qualificando o produto, temos chance de empreender com lucro e sustentabilidade. O manejo já é uma realidade”, considera Ronildo.