Hospital Abelardo Santos realiza cirurgia neurológica inédita com paciente acordado

O paciente, oriundo de Itaituba, foi diagnosticado com malformação arteriovenosa, que se não tratada pode levar á morte

10/06/2021 18h12 - Atualizada em 10/06/2021 20h12

A cirurgia inédita, que durou quase 12 horas, é considerada um sucesso pela equipe do "Abelardo Santos"Pela primeira vez desde sua inauguração, o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), localizado no distrito de Icoaraci, em Belém, realizou nesta quarta-feira (09) uma cirurgia neurológica com paciente acordado. A intervenção de alta complexidade, inédita na unidade, foi motivada por uma malformação arteriovenosa (MAV). Com quase 12 horas de procedimento, a cirurgia foi considerada um sucesso pela equipe médica. O paciente reage bem e deve receber alta até o próximo domingo (13).

Financiada pelo governo no Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), a cirurgia era aguardado há três anos pelo balconista Eliabe Ferreira Mendes, 32 anos. Morador do município de Itaituba, no Sudoeste do Pará, ele aguardou a intervenção com a esperança de poder seguir sua rotina normalmente. "Estou ansioso e feliz por ter chegado o dia da cirurgia. Há três anos não consigo realizar minhas atividades diárias e laborais em virtude do comprometimento da visão, que ora fica turva, ora sinto tonturas”, relatou antes do procedimento.Os profissionais contaram com o auxílio do microscópio de neurocirurgia

Os primeiros sintomas, dores na cabeça, foram sentidos quando Eliabe realizava suas atividades em casa. No entanto, o alerta mais evidente foi quando ele teve uma forte convulsão. Imediatamente, foi levado ao Pronto Socorro Municipal de Itaituba. As crises convulsivas não pararam. Foram cinco até ser diagnosticado com a doença, no Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, em 2019.

O paciente, com indicação cirúrgica de embolização cerebral, foi encaminhado a Belém para fazer a intervenção no ano passado. Porém, o tão aguardado procedimento foi adiado para 2021 em função da pandemia de Covid-19.

Emocionada, Maria Creusa Ferreira, mãe de Eliabe, disse aguardar por dias melhores na sua família. “Chegou o grande dia. Estamos ansiosos, mas acreditamos em Deus e na equipe médica que está acompanhando. Agora, só quero meu filho bem”, disse.

Alta complexidade – A cirurgia teve o auxílio do microscópio de neurocirurgia, e contou com a monitorização neurológica intraoperatória, exclusiva para o procedimento. O secretário de Estado de Saúde Pública, Rômulo Rodovalho, explicou que o Hospital Abelardo Santos vem se adequando às novas tecnologias, como forma de reduzir os riscos e evitar sequelas aos pacientes.O procedimento foi feito com acesso ao cérebro do paciente

"A unidade hospitalar retomou no mês passado os procedimentos cirúrgicos, que são parte do seu perfil original. A equipe tem usado todos os recursos tecnológicos ofertados pelo governo do Estado, como forma de garantir mais benefícios durante os procedimentos e na recuperação. O ‘Abelardo Santos’ é uma unidade que atende desde as complexidades, até exames simples, por isso se torna um referencial à saúde da rede estadual", enfatizou o titular da Sespa.

Procedimento – A correção da patologia foi feita com um procedimento que acessa o crânio do paciente. “Para esta cirurgia, contamos com o auxílio de microscopia cirúrgica para abordar a malformação. Ainda durante esse procedimento cirúrgico o paciente, sob anestesia geral, foi acordado e monitorado por um profissional neurofisiologista, para ver as reações neurológicas conforme a realização do procedimento”, explicou Carlos Henrique Vasconcelos de Menezes, coordenador médico de Especialidades Cirúrgicas.

O médico também explicou que a patologia a ser corrigida é uma malformação em que uma artéria e uma veia formam um aneurisma intracraniano. “Esse problema pode acarretar um aumento de volume local, gerando problemas como náuseas frequentes, convulsões, cefaleia e, em algumas situações, pode haver sangramentos e rompimento, que em casos graves pode até mesmo levar ao óbito”, informou.A equipe de profissionais que atuou na cirurgia de alta complexidade

O especialista em Neurocirurgia Vascular e Neurorradiologia do Hospital Abelardo Santos, Eric Paschoal, ressaltou que a microcirurgia para retirada de lesões como malformação arteriovenosa cerebral, em que o paciente é acordado (Awake) durante o procedimento operatório, é pouco habitual no Brasil. "Esse tipo de estratégia de cirurgia é realizado para lesões como tumores cerebrais e epilepsia. O desafio é a pouca utilização, pois as microcirurgias para MAV são cirurgias demoradas, e o paciente em geral tem dificuldade em cooperar com o procedimento" , explicou o médico. "Mas são muito importantes para áreas do cérebro conhecidas como eloquentes, como visão, linguagem e cognição, que são reconhecidas como áreas nobres, e apenas manter o paciente sedado, avaliando a função com a neurofisiologia, a segurança não se torna garantida", acrescentou.

Para o diretor Técnico do Hospital Regional Abelardo Santos, Paulo Henrique Ataíde, a equipe médica vem se adaptando às novas tecnologias, com o apoio da nova gestão, realizada pela Organização Social Instituto de Saúde Social da Amazônia (ISSAA). “Fizeram parte do procedimento de alta complexidade o neurocirurgião titular e mais quatro auxiliares, uma instrumentadora cirúrgica, médico anestesiologista, médico neurofisiologista e uma equipe de técnicos de enfermagem e enfermeiros. Estamos nos empenhando em trazer tecnologias de ponta para melhor condução dos procedimentos e a redução de sequelas”, informou Paulo Henrique Ataíde. (Texto: Roberta Paraense - Ascom/HRAS).

Por Governo do Pará (SECOM)