Hospital de Campanha, no Hangar, oferece apoio psicológico a familiares de pacientes com a Covid-19

O projeto se junta a outra iniciativas que visam amenizar angústias, medos e até o sentimento de culpa da família e de pessoas próximas

24/06/2021 19h24 - Atualizada em 24/06/2021 23h06

A Covid-19 deixa um rastro de sofrimento, que começa com o doente e atinge diretamente seus familiares e pessoas próximas. Segundo Adriany Costa, psicóloga intensivista do Hospital de Campanha de Belém, instalado no Hangar, “muitas pessoas com parentes em tratamento contra a Covid-19 manifestam aflições, medos, insegurança e até mesmo culpa. Isso precisa ser trabalhado e ressignificado”. Levar o cuidado psicológico às famílias dos pacientes é o objetivo do Projeto Sala de Espera, criado por profissionais do Hospital de Campanha.

Adriany Costa acrescenta que, além da aflição, a culpa gerada em algumas pessoas está relacionada à transmissão da doença para membros da família, podendo ocasionar vários transtornos, como depressão. Diante desse cenário, o projeto oferece atendimento na própria unidade, em local reservado. “Os psicólogos conseguem desenvolver uma postura para minimizar os impactos das mudanças ocorridas neste momento da vida, trazidas pela doença e pelo medo da pandemia”, acrescenta a psicóloga.

A forma como a pessoa se relaciona com problemas mentais é capaz de favorecer ou dificultar a relação com a saúde em geral. “A palavra, o gesto, a escuta e o olhar também são ações de humanização que afetam todos ao redor”, destaca.O apoio psicológico oferecido por profissionais do Hospital de Campanha ajuda familiares de pacientes internados

Instalado pelo Governo do Pará em 2020, o Hospital de Campanha de Belém é a maior unidade hospitalar do Estado para tratamento exclusivo de pacientes com a Covid-19. Desde sua abertura, quase 7 mil pacientes já foram atendidos, e mais de 4 mil se recuperaram da doença. O Hospital conta com 220 leitos, entre clínicos e de UTI.

Rede de cuidado - O “Sala de Espera” é realizado de segunda a sexta-feira, e conta com sete psicólogos, que se revezam em dois horários de atendimento: das 8 às 12 h, e das 14 às 17 h, sem necessidade de agendamento prévio.

“O projeto não tem nenhuma ligação com os boletins médicos. No ‘Sala de Espera’ o trabalho é desenvolvido ao familiar com paciente internado na unidade, que sente necessidade de apoio psicológico”, reitera Josieli Ledi, diretora Assistencial.

O Hospital de Campanha também adota musicoterapia, chamadas de vídeo entre pacientes e familiares, e atividades terapêuticas, com jogos de tabuleiro e artesanato, como estratégias para humanizar o ambiente.

Para Elizabeth Cabeça, responsável pelo setor de Humanização da unidade, as ações integram o trabalho assistencial e aumentam o sucesso na recuperação. “Quando se fala em humanizar o trato e as relações, falamos no cuidado que está no ouvir, no falar e em dar espaço para que o outro se expresse”, explica.

Experiência - Karissa Monike de Jesus, 32 anos, está com a mãe, Mônica Maria de Jesus, 53 anos, está internada no Hospital de Campanha há sete dias. Moradora do município de Marabá, na região Sudeste, Karissa e o pai, José Francisco de buscaram o auxílio psicológico. “Para mim, a experiência foi excelente. Meu pai e eu chegamos muito angustiados por não poder ver a pessoa que amamos. A psicóloga nos acolheu, confortou e explicou o processo que minha mãe estava passando”, relata Karissa de Jesus.

O secretário de Estado de Saúde Pública, Rômulo Rodovalho, ressalta a importância da iniciativa do Hospital de Campanha. Segundo ele, o Projeto “Sala de Espera” é uma forma de estender aos familiares a humanização que já vem sendo proporcionada aos pacientes. “Sempre digo que a humanização é importante porque alivia a dor da internação e, nesse caso, ajuda a aliviar a angústia de quem tem um ente querido lutando contra a Covid-19”, afirma o secretário. (Texto: Alberto Dergan - Ascom/Hospital de Campanha).

Por Roberta Vilanova (SESPA)