No Pará, Detran inicia pesquisa sobre a percepção de usuários vulneráveis no trânsito 

O órgão também busca que o estudo auxilie a gestão da segurança viária, subsidiando a criação de um plano de ação baseado em evidências estatísticas para os setores de educação, fiscalização e engenharia de trânsito

09/09/2021 11h48 - Atualizada em 09/09/2021 12h42

Traçar o perfil estatístico da percepção dos usuários vulneráveis no trânsito, como pedestres ciclistas, idosos e pessoas com deficiência é o objetivo do projeto "Percepção dos usuários vulneráveis no trânsito sobre a segurança viária no Pará", idealizado pela Coordenadoria de Planejamento do Departamento de Trânsito do Estado (Detran). A pesquisa iniciada na primeira semana de setembro, é realizada em municípios das 12 regiões de Integração do Estado escolhidos com base nos casos acumulados de óbito por acidente de trânsito nos últimos anos.

A pesquisa tem por objetivo traçar um diagnóstico sobre a situação, em termos de segurança viária desses grupos, avaliar a existência de diferença estatística entre eles e correlacionar os dados com as estatísticas de acidentes de trânsito coletadas pelo Detran.

A metodologia consiste na aplicação de um questionário a estes públicos sobre a sua situação socioeconômica e percepções sobre fiscalização, engenharia e comportamento no trânsito. Os questionários serão aplicados ao longo deste semestre em locais, como os principais cruzamentos das vias e rodovias que alimentam os bairros, comércios, feiras livres, praças e balneários públicos.

“É uma pesquisa de grande relevância para que possamos analisar a percepção destas pessoas no trânsito do nosso Estado e assim pensarmos políticas públicas de acessibilidade nas vias para todos, realizando um plano de ação integrado com fiscalização, educação e engenharia do Detran”, enfatizou o diretor geral do órgão, Marcelo Guedes.

Levantamento

Os primeiros municípios a receberem as equipes do Detran foram Redenção, São Félix do Xingu e Xinguara, por terem altos índices de acidentes e problemas relacionados ao trânsito. O analista de trânsito, Diego Valente, um dos idealizadores do projeto, esteve nestes municípios e relata que a equipe foi bem recebida pela população, que identificou problemas, especialmente, no que tange às mudanças no trânsito sem estudo de viabilidade e consulta à população.

“Observamos que a maior parte das pessoas com deficiência física nestes municípios reside na área rural, e quando estão na cidade não conseguem utilizar as calçadas, tendo que trafegar pela via, além de muitos relatos de acidentes envolvendo pedestres e usuários vulneráveis”, informou o analista do Detran.

Os próximos municípios a receberem equipes são Santarém, Monte Alegre, Oriximiná, Marabá, Parauapebas, Canaã dos Carajás, Ananindeua, Belém, Marituba, Castanhal, Santa Izabel do Pará, São Miguel do Guamá, Tucuruí, Novo Repartimento, Jacundá, Salvaterra, Breves, Capanema, Bragança, Santa Luzia do Pará, Paragominas, Dom Eliseu, Mãe do Rio, Itaituba, Novo Progresso, Rurópolis, Tailândia, Abaetetuba, Barcarena, Altamira, Pacajá e Medicilândia.

Com a pesquisa, o Detran espera contribuir com o projeto Strengthening Road Traffic Enforcement in Brazil (Fortalecimento da Fiscalização do Tráfego Rodoviário no Brasil), da Organização das Nações Unidas (ONU), apoiando ações concretas que contribuam para o alcance das metas relacionadas à segurança viária dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O Detran também busca que o estudo auxilie a gestão da segurança viária, subsidiando a criação de um plano de ação baseado em evidências estatísticas para os setores de educação, fiscalização e engenharia de trânsito do órgão.

Por Eduardo Vilaça (DETRAN)