Palestrantes discutem futuro da floresta no Fórum Mundial de Bioeconomia, em Belém

Evento abordou a economia ambiental, com destaque para dois projetos no Estado, com a articulação da Fiocruz a partir da produção do açaí e de fitoterápicos

19/10/2021 16h56 - Atualizada em 19/10/2021 19h04

Com a temática 'Olhando para o futuro', representantes das áreas da saúde, dos indígenas e do Fórum Mundial de Bioeconomia, debateram sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia, dentro dos painéis do Fórum, nesta terça-feira (19), na Estação das Docas, em Belém. 

Presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pesquisadora Nísia Trindade Lima, falou sobre bioeconomia e saúde para o desenvolvimento sustentável, desafios para o Brasil. A estudiosa destacou que o impacto da perda da biodiversidade e as mudanças climáticas trouxeram grandes problemas como  a pandemia de covi-19 e desastres naturais. "Impossível falar sobre saúde sem falar em biodiversidade e temos que pensar nessa agenda para o futuro", completou.Participantes do painel 'Olhando para o futuro', dentro da programação do Fórum Mundial de Bioeconomia

De acordo com a doutora, o Brasil tem um potencial imenso para bioeconomia, já que possui mais de 1 milhão e 800 mil espécies de componentes naturais utilizados na criação de drogas e remédios naturais no mundo. Neste sentido, ela destacou que a Fiocruz está alinhada a dois projetos no Estado: um sobre a produção do açaí no município de Abaetetuba e outra sobre a produção de fitoterápicos, o "Articulafito". "Nós temos a visão da economia como espaço para bioeconomia para gerar emprego, renda e oportunidades. Este fórum será de fundamental importância para discutirmos temas como estes em fóruns futuros", frisou ela. 

Ainda no tema, Nísia elencou sete desafios nacionais e globais para desenvolvimento da bioeconomia e saúde: sustentabilidade ambiental, ou seja, mudar o padrão de desenvolvimento para agregar valor aos recursos; demografia -  capacitar jovens para explorar a bioeconomia; desigualdade - desenvolver a bioeconmia gerando empregos e qualidade; ciência e tecnologia - gerar conhecimentos tecnológicos e inovações; tecnologia e informação e comunicação - conhecer, monitorar e rastrear recursos com uso de novas tecnologias; trabalho - mudança estrutural da base produtiva para explorar a bioeconomia com empregos de qualidade; democracia - orientação da bioeconomia aos problemas sociais do País.  

Para a conselheira sênior do Fórum Mundial de Bioeconomia, Teresa Presas, a discussão pode nortear ações para o futuro. "Foi uma reflexão muito importante. O fórum foi muito feliz em fazer essa dicussão para essa agenda, ainda mais em tempos de pandemia, aqui percebemos que ainda temos um grande caminho a percorrer", observou ela, que foi a mediadora do tema. 

Povos tradicionais - Como representante dos povos indígenas, o Fórum recebeu no painel 6 a indígena Puyr Tembé, presidente da Federação Estadual dos Povos Indígenas do Pará. Puyr agradeceu ao Governo do Pará pelo espaço cedido aos povos tradicionais e da floresta, que também estão inseridos no processo de produção da bioeconomia, e aproveitou para fazer uma reflexão importante.A indígena Puyr Tembé, presidente da Federação Estadual dos Povos Indígenas do Pará, agradeceu pela participação no Fórum

"Nós só teremos bioeconomia se tivermos os povos indígenas e da florestas como seus direitos garantidos. Nós já fazemos essa bioeconomia há milhares de anos, há séculos, e nós precisamos demonstrar isso para a sociedade. Mas só vamos conseguir isso se tivermos nossas terras demarcadas, o que é de nosso direito, então a minha fala é de reflexão, pois estamos cuidando do planeta. Demarcação já!", disse ela, que levou um cartaz com a frase para o palco, em to de protesto.

A indígena também relatou momentos difíceis que os indígenas passaram, devido a pandemia da covid-19."O Brasil é feito de biodiversidade, de pessoas e povos, então pra mim estar aqui e falar isso é muito difícil. A pandemia levou muitos de nós, mas os povos da floresta lutaram bravamente. O País pouco cuidou da gente e se preocupou com as nossas condições, mas estamos aqui para garantir os nossos territórios", disse ela, se referindo a falta de apoio do Governo Federal. 

Debates - O Fórum Mundial de Bioeconomia (WCBEF) será realizado até esta quarta-feira (20), em Belém. Em uma ação articulada pelo Governo do Pará, pela primeira vez, o evento ocorre fora da Europa. No coração da região amazônica, o Fórum discute caminhos e oportunidades verdadeiramente escaláveis, com real potencial de transformação e de sinergia com a natureza. Lideranças e especialistas, do Brasil e do exterior, estão focados nos debates que se apresentam para o desenvolvimento pleno da bioeconomia.

A bioeconomia, ou economia sustentável, se preocupa com o consumo consciente, em equilíbrio com o meio ambiente e os recursos naturais. Seu objetivo é construir uma economia pautada na utilização de recursos de base biológica, recicláveis e renováveis – ou seja, mais sustentáveis. Mais informações podem ser acessadas no site do Fórum.

Por Bruno Magno (CPH)