Vacinar contra o sarampo é a principal forma de conter a disseminação da doença no Pará

Técnicos da Sespa e do Ministério da Saúde discutem estratégias para, novamente, erradicar a doença no Brasil

22/10/2021 20h21 - Atualizada em 22/10/2021 21h02

Resgatar a cobertura vacinal contra o sarampo é a principal estratégia para o Pará controlar a doença, que voltou em 2018 e ainda permanece afetando a população. Essa é a constatação das equipes técnicas do Ministério da Saúde (MS) e da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), que se reuniram na quinta-feira (21) e sexta-feira (22), no auditório do Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) para discutir o assunto.

O Ministério da Saúde foi representado por profissionais do Grupo Técnico das Doenças Exantemáticas, Coordenação Geral de Imunização, Coordenação Geral de Laboratórios, e por uma técnica do Laboratório de Referência Nacional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A equipe do MS reconheceu que o Governo do Pará, por meio da Sespa, tem priorizado o controle do sarampo no Pará, e disse que o objetivo da visita é somar esforços com o Estado e municípios para fortalecer as ações de Vigilância Epidemiológica, Imunização, Vigilância Laboratorial e ações de Atenção Primária em Saúde, para interromper circulação do sarampo no território paraense.Os técnicos enfatizaram a necessidade de resgatar a cobertura vacinal contra o sarampo em todo o País

Esse trabalho está sendo feito em todos os estados brasileiros que tiveram casos de sarampo neste ano, para aprimorar as estratégias e trocar experiências entre as unidades da Federação.

Estratégias - Para a diretora de Epidemiologia da Sespa, Daniele Nunes, a reunião técnica é importante para reintegrar os setores que estão envolvidos no controle do sarampo, no sentido de criar estratégias voltadas para essa realidade. “Há cinco anos que o Pará vem tentando eliminar, e ainda não conseguiu. Temos poucos casos ativos, mas o sarampo ainda está circulando no nosso Estado. Este é um momento de integração, de troca de conhecimento, de avaliação do que foi realizado anteriormente, quais as lições aprendidas, para que possamos traçar novos planos para conseguir a eliminação do sarampo no Estado”, informou a gestora.

Adultos não vacinados também devem procurar a vacinação Conforme o Grupo Técnico do Ministério, a baixa cobertura vacinal é o principal fator agravante da situação. A população não tem procurado as salas de vacina como deveria, apesar de a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) ser ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o País para crianças de um ano (1ª dose) e de um ano e três meses (2ª dose), e, em alguns casos - como o Pará -, ser ofertada a dose zero desde 2019 para crianças a partir de seis meses de idade, e para pessoas até 59 anos nunca vacinadas.

As coberturas vacinais vêm caindo desde 2016, e com isso o Brasil corre o risco de reintroduzir outras doenças graves, como rubéola e poliomielite. Por isso, a população precisa continuar sendo alertada sobre a importância de buscar a vacina nos postos de vacinação. Constatar que não há mais circulação do vírus do sarampo no País é a única maneira de o Brasil resgatar a Certificação Internacional de Eliminação do Sarampo, que havia conquistado em 2016, mas perdeu em 2018.

Cobertura vacinal - A coordenadora estadual de Imunizações, Jaíra Ataíde, concorda que para controlar a propagação do sarampo é indispensável garantir a vacinação da população a partir dos seis meses de idade e até os 59 anos. “É necessário que a área técnica trabalhe juntamente com a Atenção Primária, e que a gestão municipal garanta que as ações de vacinação sejam realizadas, para conseguirmos resgatar a cobertura vacinal do sarampo, que está em somente 52% nas crianças de um ano de idade. Podemos vacinar crianças a partir dos seis meses com a dose zero, que está disponível nos postos de saúde. Temos vacina suficiente para isso”, garantiu.O Pará tem vacinas em quantidade suficiente para imunizar crianças a partir dos seis meses com a dose zero, e para outras faixas etárias

A diretora de Vigilância Epidemiológica, Adriana Veras, informou que, neste ano, o Pará já confirmou 115 casos de sarampo, e tem seis municípios que notificaram casos recentemente, tendo sido confirmados casos nos municípios de Primavera (na região Nordeste) e Marituba (Região Metropolitana de Belém). “Independentemente da confirmação, a Vigilância Epidemiológica trabalha com o objetivo de fortalecer a Vigilância do Sarampo nos municípios, ou seja, que haja notificação em tempo oportuno, investigação, coleta de amostras, encerramento de casos e busca ativa em municípios que tiveram casos registrados e estão silenciosos por 12 semanas, e em municípios sem casos recentes que estejam, há muito tempo, sem notificação”, explicou Adriana Veras.

Para esse trabalho há o Grupo Técnico de Doenças Exantemáticas, composto por cinco profissionais. Juntamente com os Centros Regionais de Saúde, o Grupo Técnico está indo aos municípios considerados silenciosos, atuando principalmente no trabalho de busca ativa de casos.

Está sendo feito um trabalho integrado entre o Nível Central, Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária e Imunização, mas a Sespa ainda percebe a falta de integração entre a área técnica e os serviços nas unidades de saúde nos municípios. “E essa integração é muito importante, porque é o serviço que notifica e informa. Sem essa integração não se consegue obter as informações necessárias, em tempo hábil, em relação não só ao sarampo, mas a todos os agravos de saúde”, argumentou a diretora.

A reunião também contou com a participação de representantes do Lacen-PA, Centros Regionais de Saúde, de secretarias municipais de Saúde e do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems).

Por Roberta Vilanova (SESPA)