Santa Casa encerra programação do Novembro Roxo com dinâmica para mães no Banco de Leite

O Banco de Leite Humano do hospital realiza em média, a cada 24 horas, 40 atendimentos a mães que têm seus bebês internados no setor de Neonatologia

30/11/2021 13h43 - Atualizada em 30/11/2021 15h49

Profissionais da Fundação Santa Casa conversam com pacientes sobre atenções e cautelas com os bebês prematuros“Todo recém-nascido inspira cuidados, mas com a criança prematura os cuidados são redobrados”. A frase é frequentemente ouvida pelas mães de bebês prematuros nascidos na maternidade da Fundação Santa Casa do Pará. Desde o momento que dão à luz, elas se desdobram nas atenções e preocupações com a saúde dos filhos.

Railliny Moreira, de 20 anos, acompanha a evolução da filha Dávila, nascida no dia 5 de novembro, deste ano, quando ela ainda estava na 30ª semana de gestação. Para ela, que veio de Parauapebas, no sudeste do estado, todas as orientações que vem recebendo da equipe do Banco de Leite e do setor de neonatologia da Santa Casa são essenciais para que ela mantenha o cuidado que a filha está recebendo no hospital, depois que for para casa.

“Nós somos orientados sobre a higiene do bebê, a troca de fraldas, a alimentação. Enfim, sobre tudo. Eu ainda não consigo amamentar minha filha, mas o banco de leite vem me ajudando”, conta a mãe que também ressalta um outro lado vivido pelas mães de recém-nascidos prematuros.

“Eu me sinto muito ansiosa e não consigo dormir, estou sempre alerta. Às vezes estou cansada, mas passo a noite sentada na cadeira ao lado dela”, revela Railliny Moreira.

E é essa ansiedade e outros sentimentos vividos por mães de bebês prematuros internados na Santa Casa que foram os temas de uma dinâmica promovida pelo Banco de Leite Humano (BLH), dentro da programação do Novembro Roxo da Instituição. A proposta surgiu da enfermeira obstetra, Antônia Rodrigues, após acompanhar as preocupações de mães atendidas no BLH.

“Tem dias que as mães não têm leite, então elas ficam muito para baixo e quando chegam para o atendimento no Banco de Leite desabafam e até choram. A gente faz a escuta e procura orientá-las e acalmá-las, mas este mês, por conta do mês da prematuridade, que é a realidade dos bebês da maioria dessas mães, pensamos em trazer uma psicóloga para conversar com elas com mais propriedade”, explica a enfermeira Antônia.

Na atividade, desenvolvida pela psicóloga Carla Almeida, as mães puderam falar sobre seus sentimentos e expectativas em relação ao cuidado com os prematuros e foram motivadas a observarem o cuidado com elas mesmas.

“A criança prematura requer mais cuidados e isso gera nessa mãe um excesso de cobranças, internas e externas. Esse trabalho feito com as mães é para que a gente não perca esse universo feminino delas, porque na sociedade há muito um padrão de mãe perfeita, de um ser materno que nunca se cansa e nunca erra, quando por trás disso existe um ser constituído de dores, alegrias e o que a gente faz com esse exercício é resgatar essa mulher”, conta a psicóloga.

Atualmente o BLH da Santa Casa realiza em média, a cada 24 horas, 40 atendimentos a mães que têm seus bebês internados no setor de neonatologia do hospital e enfrentam dúvidas ou dificuldades para amamentar ou retirar o leite. São mulheres que residem na região metropolitana ou em municípios do interior do Estado e que deixaram filhos e outros familiares, mudando drasticamente sua rotina para acompanhar seus recém-nascidos.

A gerente do Banco, Cynara Souza, explica que a atenção à saúde física e também emocional dessas mulheres é essencial para que elas possam amamentar seus bebês ainda internados e dar a eles o cuidado necessário depois que eles voltarem para os seus lares.

“Esses momentos de reunirmos as mães para fazermos sua escuta coletiva e também compartilharmos nossas orientações com elas eram uma rotina antes da pandemia. Agora estamos retomando essas ações para que elas saibam como são importantes, como precisam cuidar do seu próprio bem-estar e estarem aptas assim a cuidar do seu bebê, alimentando-os com o leite materno que é o alimento ideal, e quem sabe até doando, futuramente, seu excedente para o Banco de Leite”, informa a gerente do BLH.

Banco de Leite - Todos os bebês internados no setor de neonatologia da Santa Casa iniciam a dieta com o leite humano (doado) ou materno (retirado da própria mãe). Atualmente a quantidade de leite arrecadada das mães doadoras é suficiente para manter a alimentação de cerca de 35%, aproximadamente 60 recém-nascidos internados, durante todo o período de internação.

Por mês, o BLH coleta em média de 200 a 250 litros de Leite por mês e recebe cerca de 100 vidros doados. A meta é ampliar a captação de leite para 350 litros ao mês e a de vidros para 500 recipientes por mês.

SERVIÇO

Os telefones para se fazer o cadastrar para ser uma doadora do Banco de Leite Humano ou para doar frascos para armazenar o leite doado são os 4009.0375 / 4009.2212 / 4009.2311 ou 98899.6326 (WhatsApp e telefone), que funcionam no horário das 8h às 18h.

*Texto de Etiene Andrade (Ascom - Fundação Santa Casa)

Por Governo do Pará (SECOM)