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CAMPANHA NACIONAL

Mês de Janeiro alerta população para cuidados com a saúde mental

Atenção, acolhimento e autocuidado são palavras-chave na busca pelo bem-estar

Por Bianca Botelho (SESPA)
06/01/2026 13h03

Janeiro é o mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, conforme o calendário do Ministério da Saúde, e reforça a importância de olhar para o bem-estar emocional como parte fundamental da saúde integral. Cuidar da saúde mental é essencial para enfrentar os desafios do cotidiano, fortalecer vínculos, manter a qualidade de vida e prevenir o agravamento de transtornos psíquicos.

Nesse contexto, o Janeiro Branco se consolida como uma campanha nacional de destaque na promoção da saúde mental. Idealizada pelo Instituto Janeiro Branco, a iniciativa coloca o tema no centro das discussões e incentiva o autocuidado, o bem-estar psicológico e a prevenção do sofrimento psíquico ao longo de todo o ano. A campanha também atua no combate ao estigma, no fortalecimento de vínculos e na orientação de práticas preventivas em famílias, escolas, ambientes de trabalho e comunidades.

“A escolha do mês de janeiro é simbólica. Para muitas pessoas, o início do ano representa um 'quadro em branco', um período de reflexão e de possibilidade para reescrever histórias de vida, hábitos e relações. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Janeiro Branco reforça que a saúde mental é um direito e deve ser cuidada de forma integral, contínua e territorializada, respeitando as realidades locais”, afirma Márcia Yamada, coordenadora de Saúde Mental da Sespa.
 
Em 2026, a campanha traz como slogan “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”, um convite coletivo para desacelerar, respirar e repensar a relação com o tempo, com as emoções e com a vida. O principal símbolo desta edição são os post-its, que deixam de representar apenas as urgências do dia a dia e passam a simbolizar o cuidado, lembrando que pequenas atitudes diárias também são formas importantes de promover saúde mental.

A rede de atenção à saúde mental no SUS

No Sistema Único de Saúde, a atenção à saúde mental é organizada por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). A Atenção Primária à Saúde, especialmente as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as equipes da Estratégia Saúde da Família, que atuam como porta de entrada do cuidado, oferecendo escuta qualificada, acolhimento e acompanhamento inicial.

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) oferecem cuidado especializado para pessoas em sofrimento psíquico intenso, incluindo transtornos mentais graves e demandas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, sempre de forma humanizada e articulada com o território.

“A Raps funciona como atendimento de emergência psiquiátrica, com internação ou não, risco iminente de suicídio, surto com agressividade e risco do paciente se machucar ou machucar outra pessoa. Já o Caps funciona com demanda espontânea em porta aberta, atende pacientes com sofrimento mental grave, persistente e recorrente e a unidade de saúde atende pacientes com sintomas leves e continuidade de tratamento quando recebe alta do Caps. Todos são por demanda e atendem em porta aberta demanda espontânea”, disse Aurea Barbosa, responsável pela Gestão do Caps Amazônia. 

Em situações de urgência e emergência em saúde mental, o atendimento ocorre nos hospitais de referência, como o Hospital de Clínicas (HC), e nos serviços de urgência e emergência, que estão preparados para acolher esses casos e articular o cuidado com os Caps e com a Atenção Básica. O atendimento pode contar ainda com o apoio do Samu, garantindo assistência adequada nos casos mais graves.

No Pará, as demandas mais frequentes em saúde mental incluem quadros de ansiedade, depressão e problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, refletindo desafios sociais e territoriais. 

A importância de buscar ajuda

A saúde mental é influenciada por diversos fatores, como condições de vida e trabalho, relações sociais, histórico pessoal, acesso a serviços de saúde e apoio familiar. Por isso, o cuidado deve considerar as necessidades específicas de cada grupo e fase da vida.

Buscar ajuda profissional é um passo fundamental no cuidado com a saúde mental e um sinal de autocuidado e responsabilidade consigo mesmo. Psicólogos, psiquiatras e equipes multiprofissionais do SUS estão preparados para oferecer acolhimento, orientação e tratamento adequado. Quanto mais cedo o cuidado é iniciado, maiores são as chances de recuperação e de manutenção da qualidade de vida.

“Nesse sentido, o Janeiro Branco cumpre um papel estratégico ao ampliar o debate público, estimular a busca por ajuda e reforçar que o cuidado em saúde mental deve acontecer durante todo o ano. Falar sobre sentimentos, romper preconceitos, apoiar pessoas em sofrimento e procurar os serviços do SUS são atitudes que promovem saúde, fortalecem a vida e salvam vidas”, completou Márcia Yamada. 

Práticas cotidianas de autocuidado, como manter rotinas de sono e alimentação, reservar tempo para descanso e lazer, reconhecer limites e buscar ajuda quando necessário, são fundamentais para a promoção da saúde mental.

Texto: Caroliny Pinho