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Núcleo de Oficinas Curro Velho recebe a performance 'Urutau-Cinza Verde-Mata'

A iniciativa solo da artista Michele Miranda reafirma a dança como espaço de memória, reflexão e imaginação de futuros possíveis

Por Aycha Nunes (FCP)
06/01/2026 16h58

O Núcleo de Oficinas Curro Velho, vinculado à Fundação Cultural do Pará (FCP), recebe, nos dias 10 e 11 de janeiro (sábado e domingo), a circulação gratuita da performance “Urutau-Cinza Verde-Mata”, solo interpretado pela artista Michele Miranda, com direção de arte e visualidade de Patrícia Gondin. Contemplado pelo Edital PNAB/Pará Criação em Dança 2025, o espetáculo propõe uma experiência cênica sensorial, que articula corpo, memória, território e ancestralidade a partir de referências culturais da Amazônia.

As apresentações ocorrem no Teatro do Curro Velho, com início às 19h30, e contam com intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), garantindo acessibilidade ao público surdo. Com duração aproximada de 50 minutos, a obra é indicada para o público em geral. A entrada é gratuita, com distribuição de ingressos uma hora antes do início das sessões.

Michele Miranda percorre sua mitologia pessoal por meio do movimento, da palavra, dos sons e de objetos simbólicos

Inspirada na figura do urutau, ave noturna amazônica conhecida por sua camuflagem e por seu canto melancólico, a performance constrói uma narrativa corporal em espiral, ancorada em uma cosmovisão amazônica. A obra dialoga com mitos indígenas, memórias ancestrais das artistas e a relação profunda entre corpo, natureza, ritual e cura, convocando o público a refletir sobre outras formas de existir e resistir.

Reflexões - Em cena, Michele Miranda percorre sua mitologia pessoal por meio do movimento, da palavra, dos sons e de objetos simbólicos, os chamados “bichos-de-luz”, criando uma atmosfera sensorial que provoca reflexões sobre identidade, pertencimento, território e resistência cultural. A trilha sonora reúne músicas dos artistas Mateus Moura, Íris da Selva e Luiz Miranda, enquanto o figurino é assinado por Maurício Franco.

“Urutau-Cinza Verde-Mata” nasce da parceria artística de mais de 13 anos entre Michele Miranda e Patrícia Gondin. Juntas, elas desenvolveram a chamada Trilogia da Escuridão, composta pelos solos “Ritos” (2012), “Para você…” (2014) e “Árvore de Mim” (2018). O novo trabalho surge como um desdobramento dessa trajetória, revisitando materiais anteriores e ampliando reflexões sobre o corpo feminino, a ancestralidade, as marcas coloniais e a permanência dos saberes tradicionais.

Inserida no contexto de valorização das produções artísticas amazônicas realizadas por mulheres, a performance reafirma a dança como espaço de memória, reflexão e imaginação de futuros possíveis. Em diálogo com os desafios sociais, ambientais e culturais do presente, “Urutau-Cinza Verde-Mata” convida o público a uma experiência poética e política, enraizada nos territórios e saberes da Amazônia.

Serviço: Performance “Urutau-Cinza Verde-Mata”. Dias 10 e 11 de janeiro, às 19h30, no Núcleo de Oficinas Curro Velho - Rua Prof. Nelson Ribeiro, nº 287, Bairro do Telégrafo. Entrada gratuita (ingressos distribuídos uma hora antes das sessões).

Texto: Matheus Maciel - Ascom/FCP