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Profissionais de saúde fazem capacitações nacionais em doação e transplante de órgãos

Em Belém, os três cursos realizados pelo Ministério da Saúde abordaram diversos aspectos do processo de doação, captação e transplante de órgãos

Por Roberta Vilanova (SESPA)
17/01/2026 14h53
Em Belém, momento do curso de Gerenciamento com a participação de profissionais de saúde

Profissionais de saúde que atuam na área de doação e transplante de órgãos participaram, nesta sexta-feira (16) e sábado (17), no Hotel Sagres, em Belém, de três Capacitações Nacionais organizadas pelo Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot) do Ministério da Saúde, em parceria com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).

O objetivo do Prodot é qualificar o processo de doação de órgãos, por meio da capacitação e apoio às equipes hospitalares que identificam doadores, para melhorar a taxa de autorização familiar e a eficiência dos transplantes.

A programação começou na sexta-feira com o Curso de Comunicação em Situações Críticas, realizado das 8h às 17h, abordando assuntos relacionados ao processo de comunicação de más notícias e a influência no processo de doação de órgãos. Foram ofertadas 26 vagas e teve como público-alvo médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, que atuam em áreas de pacientes críticos e outros envolvidos no processo de doação.

Gerente da Central Estadual de Transplantes, Perla Corrêa apresentou a situação da doação e transplante de órgãos no Pará

Situação no Pará – À noite, ainda na sexta-feira, das 18h às 22h, aconteceu o Curso de Gerenciamento no Processo de Doação e Transplante, tendo entre os ministrantes, a gerente administrativa da Central Estadual de Transplantes (CET), enfermeira Perla Corrêa, que apresentou a “Situação das Doações e Transplantes no Estado do Pará”.

A finalidade desse curso é capacitar profissionais de saúde nas diferentes etapas do processo de doação, desde a identificação do possível doador, avaliação e validação, manutenção do potencial doador, comunicação e entrevista familiar. Foram ofertadas 50 vagas para médicos, enfermeiros e demais profissionais que atuam em terapia intensiva e coordenação de transplantes.

Para Perla Corrêa, o curso é de extrema importância porque os profissionais precisam estar capacitados e atualizados. “Essa área de doação e transplante é muito específica e requer isso. Um ponto importante é que a legislação foi alterada em setembro de 2025 e muitas coisas mudaram. Então, esses eventos são fundamentais para deixar os profissionais preparados para prestar um serviço de melhor qualidade ainda mais do que já fazem para a população”, disse.

Curso, em Belém, integra Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot)

Perla Corrêa afirma que o setor enfrenta desafios no processo de doação, captação e transplante de órgãos. “E os desafios são, principalmente, por conta das dimensões continentais do nosso estado do Pará, uma vez que após a captação há um tempo limite para que o órgão seja transplantado”, ressaltou a enfermeira Perla Corrêa.

Os maiores desafios estão fora da Região Metropolitana de Belém. “Em 2025, houve a primeira captação de órgão no Hospital Regional dos Caetés, em Capanema, e no Hospital Regional Público da Transamazônica, em Altamira. A grande questão é a gente dar continuidade nessas captações e estamos trabalhando para isso”, acrescentou Perla.

Por isso, segundo ela, uma das principais ações deste ano de 2026 da CET é a apresentação do Plano Estadual de Doação e Transplante de Órgãos 2026/2029, que será o primeiro da história no Pará. “O plano vai ser um documento norteador, para que consigamos ampliar e fortalecer essa rede não só aqui na Região Metropolitana, mas nos municípios das demais regiões, que também têm um grande potencial para fazer a captação e quem sabe futuramente até transplante de órgãos, assim como Santarém já faz”, informou Corrêa.

Médico Rafael Lisboa avalia de forma positiva a iniciativa do Ministério da Saúde: "A capacitação é fundamental nesse processo"

Avaliando o trabalho dos últimos dois anos, Perla Corrêa destaca a implantação da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da RMB em 2024, a segunda implantada no Pará e que funciona na CET. A primeira foi criada em Santarém.

A OPO é uma equipe multidisciplinar essencial para a captação de órgãos e tecidos, atuando como elo entre hospitais, a Central de Transplantes e as famílias. Ela é composta por médicos e enfermeiros que identificam potenciais doadores, avaliam os órgãos, lidam com as questões documentais e logística, acolhem as famílias, realizam a entrevista para solicitar a autorização, que é indispensável para a realização das doações de órgãos e tecidos no Brasil e, consequentemente, contribuem para o aumento do quantitativo de transplantes.

“Penso que essa foi uma conquista grandiosa para a doação e captação de órgãos, porque sabemos que se não tiver doação não tem transplante. Então essa equipe vem desenvolvendo um trabalho árduo e a gente percebe essas mudanças com os quantitativos alcançados", assinalou Corrêa.

Equipe de profissionais da Central Estadual de Transplantes (CET) participante da capacitação no Hotel Sagres, em Belém

Dados - Em 2024, o Pará realizou 634 transplantes, sendo 516 de córnea, 54 de rim (falecido), 08 de rim (intervivo), 12 de fígado, 28 de medula óssea, 10 de tecido osteomuscular, e 06 de esclera. Já em 2025, foram 464 transplantes, sendo 340 de córnea, 59 de rim (falecido), 05 de rim (intervivo), 16 de fígado, 37 de medula óssea, 05 de tecido osteomuscular, e 02 de esclera.

Iniciativa - O médico intensivista, Rafael Lisboa, representante da Associação de Medicina Intensiva Brasileira e ministrante dos cursos, avalia como positiva a iniciativa do Ministério da Saúde, junto com a Amib, de realizar essa série de capacitações em todos os estados brasileiros.

“É muito importante porque temos percebido, pelas experiências e estudos, em nível internacional, que o principal fator que influencia na doação de órgãos é a capacitação dos profissionais. A Espanha, que é o país que lidera esse processo no mundo, chegou a esse lugar porque investiu na preparação dos profissionais. No Brasil, os estados de Santa Catarina e do Paraná também têm alcançado sucesso dessa forma”, disse Rafael Lisboa.

Ana Beltrão (CET), Rafael Lisboa (Amib) e Perla Corrêa (CET)

De acordo com o médico, Santa Catarina replicou o modelo espanhol, o Ministério da Saúde adotou esse modelo e está expandindo para todo o Brasil. “Em Minas Gerais, por exemplo, houve aumento no número de doações de órgãos após a realização dos cursos”, observou Rafael Lisboa.

Segundo ele, apesar da realidade e peculiaridade de cada estado, a ideia é homogeneizar o processo. “Claro que cada estado tem a sua realidade, principalmente em termos técnicos e de logística. Mas, de fato, os profissionais podem ser capacitados da mesma forma em todo o país. E isso, certamente, vai influenciar o número de doadores no Brasil inteiro e vai tornar o processo mais homogêneo”, assegurou Rafael Lisboa.

Doação - Para a médica e assessora técnica da CET, Ana Beltrão, sensibilizar a família para autorizar a doação de órgãos ainda é um grande desafio, porque a família ainda tem muita dificuldade de entender esse processo, principalmente quando a pessoa que faleceu não expressou em vida que gostaria de ser doador de órgãos.

“Há necessidade de uma conversa prévia, pois quando a família já sabe que aquela pessoa gostaria de ser doadora, o processo se torna mais fácil, mesmo que a família não concorde muito”, disse a médica. “É importante que as pessoas expressem sua vontade aos familiares, porque isso vai fazer toda a diferença depois”, acrescentou a assessora da CET.

Ana Beltrão propõe que os profissionais de outras áreas desde a Atenção Básica, também sejam capacitados sobre doação de órgãos. “Todos da área da saúde deveriam ser capacitados e entender um pouco desse processo para explicar para a nossa população, porque o profissional de saúde é sempre escutado em todas as situações. Então se eles estiverem preparados e souberem como é que funciona tudo isso já seria um grande passo”, opinou.

Encerramento – O Curso para Determinação de Morte Encefálica, realizado neste sábado (17), das 8h às 17h, foi o último da série de capacitações em Belém. O objetivo foi trazer aos profissionais as principais atualizações científicas para a determinação da morte encefálica, abrangendo a legislação e regulamentação técnica no Brasil. Destinou-se a médicos que atuam em unidade de tratamento intensivo, emergência, neurologistas e outros envolvidos no atendimento do paciente grave. Participaram 16 médicos dos hospitais que compõem a Rede Hospitalar do Estado

A agenda de cursos pelo Brasil começou em setembro de 2025, já tendo sido realizado nos estados de Mato Grosso, Tocantins, Sergipe, Goiás, Rio Grande do Norte e Piauí. O próximo estado a receber será o Amazonas nos dias 23 e 24 de janeiro.