Hospital da Transamazônica reforça segurança na administração de medicamentos e diminui riscos
Com farmacêuticos 24 horas por dia, maior unidade de saúde da região amplia assistência humanizada
O corretor de imóveis Edson Carlos Ribeiro buscou ajuda médica para tratar fortes de dores no estômago. Ao ser internado, reagiu de forma negativa à medicação que deveria ser a solução para o problema. O episódio, que ocorreu há dez anos, quando ainda morava em Santa Catarina, é uma lembrança difícil de esquecer. “Estava com dor, aí no hospital me deram Plasil e quase eu morro”, recorda, sobre a alergia severa que ele nem imaginava ter. Uma década depois do susto, Edson, hoje morador do Pará, faz hemodiálise no Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, Sudoeste do Estado, e integra o perfil de pacientes com alergia a remédios. “Aqui no Regional é maravilhoso, porque se não tivesse esse monitoramento, qualquer medicação poderia ser risco. Tem que ter regulação mesmo”, frisou.
Casos como o de Edson afetam mais de 14 milhões de pessoas no País. Estudo da Sociedade Brasileira e Alergia e Imunologia (Asbai), publicado em 2024, estima que 6% da população tenham algum tipo de reação adversa a medicamentos. No Hospital Regional da Transamazônica, o monitoramento inicia na admissão, quando o acompanhante ou o próprio paciente podem relatar. Equipes multiprofissionais são responsáveis por manter sentinela. A coordenadora de Enfermagem do Pronto-Atendimento, Elda Oliveira, detalha que “a gente sempre certifica se o paciente está com a pulseira de identificação quando é admitido na unidade. A gente sinaliza à qual medicação possui alergia, assim como em quadros à beira do leito, para estar visível a todos. Qualquer pessoa que chegue ao hospital, principalmente as equipes, conseguem visualizar que ele possui alergia”.
Esse monitoramento também conta com profissionais responsáveis pela liberação e aferição de qualidade de todos os medicamentos utilizados no HRPT. A Farmácia revalida as informações sobre o paciente, assim como organiza a distribuição, dentro dos horários prescritos, dos tipos de drogas administradas em cada tratamento. Lara Sirqueira é farmacêutica e no dia a dia contribui ainda na assistência direta, com as visitas nos leitos. “A gente faz o acompanhamento, principalmente, a pacientes de longa permanência”, explica, durante atendimento ao agricultor Francisco Sousa, vítima de acidente de trabalho na roça, que aguarda cirurgia na perna esquerda. “De manhã tiram minha pressão, de tarde de novo, se preocupam se estou sentindo alguma coisa”, elogia o agricultor que não tem alergia a remédios, mas também precisa do setor para os curativos diários.
Rosilânia Barros coordena a Farmácia do HRPT e observa que os protocolos de segurança ao paciente auxiliam na eficiência do tratamento, reforçam o combate a riscos de erros e garantem que a unidade se mantenha como referência hospitalar no eixo TransXingu. “Quando o paciente interna, quando identificada uma alergia, por exemplo, a Farmácia pode realizar o cadastro no sistema. Geralmente, o farmacêutico clínico faz o cadastro e toda vez que o médico fizer a prescrição, será alertado que o paciente é alérgico àquele medicamento. A gente também faz o acompanhamento à beira do leito, reforçando o trabalho da Enfermagem”, garante.
A coordenadora pontua que “o Hospital Regional Público da Transamazônica tem farmacêuticos 24 horas por dia, com equipes divididas por setores, o que garante que nenhuma prescrição saia sem triagem da Farmácia, eliminando riscos de dosagem”.
“A Farmácia não é apenas um setor de dispensação de material, é um acompanhamento a partir da entrada do usuário. Desde a admissão a gente monitora o paciente”, completa Lara Sirqueira, que, neste 20 de janeiro, junto com os colegas de profissão, comemora o Dia Nacional do Farmacêutico.
Texto de Rômulo D’Castro
