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SEGURANÇA DO PACIENTE

Hospital Oncológico Infantil integra projeto nacional para reduzir infecções hospitalares e fortalecer a segurança do paciente

Iniciativa em parceria com o Ministério da Saúde e Hospital Albert Einstein promove "micro momentos educativos" e engajamento das equipes multiprofissionais na capital

Por Governo do Pará (SECOM)
30/01/2026 14h57
Equipe multiprofissional se mobiliza para realizar rodas de conversa, discussões de casos clínicos e checagens práticas de protocolos que previnem infecções

Com foco na segurança do paciente e na prevenção de infecções hospitalares, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, aderiu, neste mês, ao “Desafio da Copa Infecção Zero”, uma dinâmica nacional de gamificação idealizada pelo Hospital Israelita Albert Einstein. A iniciativa reúne hospitais de diferentes regiões do Brasil em uma competição colaborativa, que aborda protocolos rigorosos de segurança em atividades educativas práticas. A ação integra o projeto “Saúde em Nossas Mãos”, iniciativa do Ministério da Saúde (MS) desenvolvida por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

A enfermeira Adrielle Monteiro é coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hoiol e está à frente da coordenação das atividades na unidade. Segundo a profissional de saúde, a proposta do desafio é sair do modelo tradicional de treinamentos extensos e apostar em “micro momentos educativos”, adaptados à rotina intensa da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “A UTI é um setor extremamente dinâmico. Retirar o profissional da assistência para longos treinamentos é difícil. Por isso, trabalhamos com momentos curtos, de até 15 minutos, focados em temas específicos e essenciais para a prática diária”, explicou.

A dinâmica da “Copa Infecção Zero” ocorre diariamente no “Oncológico Infantil”. Os desafios são lançados pela manhã e trabalhados ao longo dos turnos, inclusive o noturno, envolvendo toda a equipe multiprofissional. Para tornar o aprendizado mais leve e atrativo, as ações utilizam elementos lúdicos inspirados no universo esportivo, como troféus simbólicos, pompons e interações em grupo. “As equipes já ficam esperando o desafio do dia. É um momento rápido, descontraído, mas com conteúdo técnico muito relevante”, destacou a coordenadora.

Ao todo, serão quatro semanas de "missões” diárias. Na primeira, o foco foi a adesão à higiene das mãos, abordando desde a técnica correta até o uso adequado de luvas e os cinco momentos para a higienização, preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de ser uma medida simples, a higienização das mãos segue sendo um dos maiores gargalos na segurança do paciente em todo o mundo. “Não existe hospital sem micro-organismos circulando. O que existem são barreiras, e a higiene das mãos é uma das principais. É algo simples, mas que faz toda a diferença”, reforçou Adrielle, especialista em gestão e controle de infecção hospitalar.

Hoiol aderiu à iniciativa do Hospital Albert Einstein, que utiliza gamificação e desafios diários para reforçar a segurança do paciente em unidades de terapia intensiva

Na segunda semana da Copa, atual etapa do projeto no Hoiol, os desafios estão voltados à prevenção da infecção de corrente sanguínea, um dos principais riscos em ambientes de alta complexidade, como as UTIs. De acordo com Adrielle, o grande desafio é conciliar a complexidade do cuidado a pacientes graves com a execução rigorosa das boas práticas. “Segurança do paciente é fazer bem feito o simples: higiene das mãos, cuidado com acessos, comunicação com a família e sensibilização da equipe. Em um ambiente tão complexo, garantir o básico é fundamental”, afirmou.

Além de contribuir diretamente para a redução de infecções, a experiência gera aprendizados importantes para a instituição. A principal lição, segundo a coordenação, é a eficácia da comunicação em pequenos blocos, com temas objetivos e próximos da realidade da equipe. “Após o término da ‘Copa do Einstein’, a ideia é manter essa rotina de desafios, ouvir mais os profissionais e aprimorar continuamente as boas práticas. Afinal, esses momentos fortalecem a comunicação, geram reflexão e aumentam a adesão às práticas de segurança”, disse Adrielle.

A técnica de enfermagem Luana Almeida atua há 2 anos na UTI do Hoiol e acredita que desafios práticos e rodas de conversa sobre protocolos de segurança são tão eficazes quanto os treinamentos tradicionais. Ela menciona que o formato de “Copa” integra a equipe e permite a participação de colaboradores de todos os horários. “A dinâmica interativa promove engajamento, aplicação imediata dos conceitos e aprendizado experiencial, facilitando a memorização e a adaptação dos protocolos na prática diária”, frisou

Ainda segundo Luana, os desafios diários propostos promovem a colaboração e o trabalho em equipe. “Os participantes sentem que estão jogando no mesmo time, pois a dinâmica estimula a cooperação e a comunicação entre os membros, fortalecendo o espírito de equipe e a unidade no ambiente de trabalho. No final do dia, além de cumprir a tarefa, o sentimento é de empoderamento e responsabilidade, sabendo que essa dinâmica pode prevenir infecções graves e salvar pacientes ao melhorar a adesão aos protocolos de segurança e cuidados, resultando em melhores práticas clínicas e redução de riscos”, completou. 

O paciente Kassio Ryan, 13 anos, e o pai José Baratinha, 43 anos.

Experiência - Na manhã desta sexta-feira (30), o coordenador pedagógico José Baratinha, de 43 anos, comemorou a última quimioterapia do filho, Kássio Ryan, de 13 anos. Eles são de Curralinho, arquipélago do Marajó e, há quase um ano, o adolescente iniciou o tratamento contra um câncer ósseo. Naquele primeiro momento, receber a notícia de que o filho precisaria ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva foi impactante para José. “Foi muito difícil saber que meu filho estava com câncer e que precisaria ficar na UTI. A gente nunca tinha vivido algo similar. Mas com o apoio da equipe do hospital, a gente conseguiu superar. Kássio ficou cinco dias internado na UTI, se recuperou e hoje está bem, graças a Deus”, afirmou.

Durante o período de internação na UTI, o pai de Kássio conta ter se sentido mais seguro ao notar os cuidados prestados ao filho e destaca a postura responsável e atenta da equipe. “Sem dúvida, é notável a preocupação e a responsabilidade de toda a equipe com o cuidado, não só com o meu filho, mas com todos. A segurança que eles repassam, desde os procedimentos mais simples aos mais complexos, me deixou bem mais calmo e mais confiante de que Deus, por meio da ação deles, daria uma resposta positiva para a nossa família”, relembrou.

José também destacou a atenção permanente dos profissionais com a higiene, a prevenção de riscos e a segurança do paciente, fatores que lhe transmitiram confiança durante todo o período de internação do filho. Ele afirma ter se sentido acolhido e à vontade para esclarecer dúvidas e fez questão de reconhecer o trabalho da equipe. “É preciso parabenizar todos, porque quando se fala em UTI, falamos de alta complexidade e de um cuidado realizado por profissionais que, antes de tudo, são humanos. Por isso, meus parabéns pela forma como lidam com responsabilidade e valorizam a vida”, concluiu.

Ao lado da equipe multiprofissional do Hoiol, o paciente Kassio, 13 anos, e o pai José Baratinha, 43 anos, comemoram o término da última sessão de quimioterapia.

Engajamento coletivo - Desde 2024, o Hospital Octávio Lobo participa do "Saúde em Nossas Mãos”, um esforço nacional voltado à diminuição de 50% das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) nas UTIs de cerca de 300 hospitais brasileiros. No Hoiol, o projeto é conduzido por consultores do Hospital Albert Einstein por meio de programações virtuais, entregas mensais e encontros presenciais. A iniciativa adota um modelo baseado na ciência da melhoria, proposto pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), referência internacional em segurança do paciente. A metodologia adotada no projeto mapeia boas práticas consolidadas e identifica pontos de aprimoramento em cada etapa.

Serviço - Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é referência na região amazônica no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária entre zero e 19 anos. A unidade é gerenciada pelo Instituto Diretrizes (ID), sob o contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Texto: Ellyson Ramos - Ascom Hoiol