CIIR realiza ação de autocuidado para cuidadoras de jovens atendidos pela unidade
Atividade utilizou práticas teatrais para promover escuta, reflexão e fortalecimento emocional
Cuidar de quem cuida também faz parte do processo de reabilitação. Com esse entendimento, o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) realizou, na tarde da quinta-feira (5), ação voltada ao autocuidado e à escuta de mães e cuidadoras de jovens atendidos pela unidade. A atividade integrou as ações do grupo de habilidades sociais e utilizou práticas teatrais para acolhimento, reflexão e fortalecimento emocional.
A proposta foi criar um espaço de pausa em meio à rotina intensa dessas mulheres, estimulando o olhar para si, para o próprio corpo e para a própria história. A iniciativa parte do reconhecimento de que o bem-estar das cuidadoras impacta diretamente no desenvolvimento emocional e social dos jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Reflexões sobre identidade e autocuidado
Para Eliene Farinha, 48 anos, mãe de Alexandre Davi Costa, 16 anos, usuário do CIIR há seis anos, a atividade trouxe reflexões profundas sobre identidade e autocuidado. Segundo ela, o cotidiano muitas vezes silencia as próprias necessidades das mães atípicas. “Muitas vezes, a gente não é muito ouvida. Devido à nossa rotina, devido à nossa correria do dia a dia, a gente não se ouve”, relatou.
Durante o encontro, Eliene destacou a importância de reconhecer que o cuidado com os filhos passa, necessariamente, pelo cuidado consigo mesma. Para ela, estar emocionalmente bem é fundamental para seguir exercendo o papel de mãe e cuidadora. “Não tenho que cuidar só dos meus filhos, mas sim de mim também”, afirmou.
A moradora do município de Maracanã, no nordeste paraense, também ressaltou o impacto coletivo da atividade e deu um recado para outras mães atípicas: “também se pergunte quem é você. Olhe para dentro de si e se pergunte quem é você”, completou. “Parabenizo o CIIR em relação a essa dinâmica que teve aqui com a gente, com o autocuidado, e a todos os profissionais que estiveram presentes”, reforçou a cuidadora.
Pausa oferecida às cuidadoras
A ação foi conduzida pela professora de Teatro do CIIR, Paula Barros, que explicou que a iniciativa surgiu a partir da observação de como o cuidado exercido pelas famílias influencia diretamente no desenvolvimento dos jovens no grupo de habilidades sociais. Segundo ela, olhar para o cuidador é uma etapa essencial do processo terapêutico.
O teatro foi escolhido como linguagem justamente por possibilitar expressão, escuta e identificação entre as participantes. Por meio dinâmicas corporais, a atividade estimula a percepção de si, do outro e do espaço, fortalecendo vínculos e promovendo acolhimento.
Para Paula Barros, o principal valor da ação está na pausa que ela oferece às cuidadoras, algo raro na rotina dessas mulheres. “A importância do teatro e dessa atividade para esses cuidadores, a meu ver, em primeiro lugar, é a pausa”, destacou.
Segundo a professora, esse momento de interrupção do ritmo acelerado do dia a dia permite que as cuidadoras se escutem, se reconheçam e se fortaleçam emocionalmente. “É fundamental que um cuidador possa ter essa pausa para se olhar, para se cuidar, para se amar. Porque ninguém cuida se não é cuidado”, concluiu.
A iniciativa reforça o compromisso do CIIR com uma abordagem integral, que reconhece a família como parte essencial do processo de cuidado, inclusão e reabilitação, ampliando o olhar para além do atendimento direto ao usuário.
Referência para PcD - O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade à Pessoa com Deficiência (PcD) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço: O CIIR é um órgão do governo do Pará, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na rodovia Arthur Bernardes, nº 1000, bairro Val-de-Cans, em Belém.
