Agência Pará
pa.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
REGIÕES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
CUIDADO HUMANIZADO

Bebê com prematuridade extrema, que nasceu com apenas 500 gramas, recebe alta na Santa Casa do Pará

Após quase quatro meses de internação, a criança saiu do hospital saudável e mamando no peito, simbolizando a vitória da vida e do cuidado humanizado

Por Etiene Andrade (SANTA CASA)
06/02/2026 16h46

A pequena Dafne teria hoje uma semana de vida, se tivesse vindo ao mundo no tempo certo. Mas a menina, que nasceu pesando apenas 500 gramas, quando a mãe, Bruna Dandara, ainda estava na 26ª semana de gestação, veio ao mundo no dia 13 de outubro de 2025, depois que a mãe deu entrada na Santa Casa em Sepse, e precisou ser intubada.

“Quando eu entrei aqui no hospital já estava inconsciente, lembro só de dar entrada no hospital e ir pra UTI. Quando eu saí da UTI, fui ver ela pela primeira vez, eu não acreditei, mas hoje a gente tá aqui para a glória de Deus. Durou 116 dias contados, sofridos, chorando em silêncio, orando, mas agora eu estou aqui com meu milagre”, contou Bruna Dandara.

Para poder chegar ao dia de sua alta do hospital, saudável, mamando e pesando 1.738 gramas (mais de 3 vezes o peso que nasceu), Dafne e a mãe contaram com  o suporte de uma equipe multiprofissional qualificada, de um serviço humanizado e uma infraestrutura tecnológica de ponta na Santa Casa do Pará, referência materno infantil para todo o Estado.

A médica Salma Saraty e a enfermeira, Auxiliadora de Vilhena, felizes

“Esse bebê, com 26 semanas, passou pela UTI, pela UCI, veio pro Canguru, cumpriu todas as etapas do método com atendimento humanizado, com a dedicação das equipes de cada unidade que estão de parabéns, porque a viabilidade vem aumentando cada vez mais, a viabilidade dos bebês extremos. Então, são várias vitórias que a gente consegue, como o bebê sair sem sequela, mamando no peito, sem alteração neuromotora. Toda a equipe multiprofissional tem uma grande importância na sobrevida e na qualidade de vida futura dessas crianças”, ressalta a coordenadora do setor de neonatologia da Santa Casa, a médica Salma Saraty.

Para a equipe, dar alta para a Dafne significou uma grande vitória conquistada por todos que no dia a dia precisaram superar os muitos desafios de um bebê tão imaturo, conta a neonatologista Roseana Sovano Guimarães, que acompanhou a bebê durante seus dias na Unidade de Cuidados Intermediários Canguru.

“Um bebê que nasce prematuro tem todo um organismo imaturo. Coração imaturo, pulmão imaturo, cérebro imaturo. E acaba sendo um grande desafio para a gente manter este bebê bem e garantir para ele aquilo que ele deveria ter dentro da barriga da mãe. Então, aqui a Santa Casa tem uma grande estrutura de modo que a gente consegue fornecer para esse bebê prematuro aquilo que ele precisava ter até o final de uma gestação completa. No caso dessa bebê, foi um período de internação bem longo, três meses e vinte e quatro dias de internação, tivemos muitos altos e baixos, muitas infecções, necessidade de oxigênio suplementar, mas graças a Deus conseguimos superar todos esses desafios e agora a gente está tendo a alegria de dar alta para ela”, contou.  

Equipe multiprofissional da Unidade Canguru comemora a alta

Na última década, investimentos em capacitações, tecnologias e infraestrutura contribuíram com o aumento da sobrevivência de bebês prematuros extremos (que nascem com menos de 28 semanas) na Santa Casa. Um estudo da neonatologista Salma Saraty mostrou que, há 20 anos, menos de 5% dos  bebês prematuros extremos conseguiam sobreviver. Hoje a realidade é outra.

“Nós não tínhamos toda a tecnologia que nós temos hoje. Os nossos berços de fototerapia melhoraram, são mais tecnológicos. Os nossos aparelhos de ventilação mecânica melhoraram muito. O nosso aparelho CEPAP, que fornece um suporte respiratório não invasivo, também é um recurso, a medicação para amadurecer o pulmão do bebê, que é o surfactante. Então, é toda uma estrutura, um ambiente cuidadoso, uma tecnologia avançada, e a presença dos pais na unidade,  que pode ser tão importante quanto qualquer tecnologia, pois acolhemos a família para que ela participe do tratamento. Hoje, a nossa viabilidade de bebês de 26 a 27 semanas, por exemplo, melhorou muito, correspondendo a mais de 50%”, enfatizou.

A Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará conta com 140 leitos de neonatologia sendo 62 de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) neonatal, 62 leitos de UCI (Unidade de Cuidado Intermediário) convencional e 20 leitos de UCI canguru.