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MEIO AMBIENTE

Fiscalização e educação ambiental fortalecem proteção ao caranguejo-uçá no Marajó

Durante as incursões não foi registrada prática irregular, resultado considerado positivo pelos órgãos que atuam integrados na região

Por Vinícius Leal (IDEFLOR-BIO)
10/02/2026 11h07

Equipes da Gerência da Região Administrativa do Marajó (GRM), do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), realizaram, de 1º a 6 de fevereiro, ampla ação de fiscalização, educação ambiental e monitoramento nos municípios de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, no Arquipélago do Marajó.

A iniciativa visou à observância das normas que regem o período de defeso do caranguejo-uçá (Ucides cordatus), com base na Portaria Normativa Interministerial nº 45/2026, e de peixes de água doce, conforme a Instrução Normativa nº 48/2007. Ambas visam assegurar a reprodução da espécie e a sustentabilidade dos estoques naturais.

Fiscais estiveram em áreas de mangue

A equipe percorreu áreas terrestres e fluviais nos três municípios, com o objetivo de fiscalizar atividades relacionadas à captura, transporte, industrialização e comercialização, tanto do caranguejo-uçá quanto do pescado em geral, em respeito às restrições previstas para o defeso. Durante as incursões não foram registrados casos de prática irregular envolvendo esses recursos, resultado considerado positivo pelos órgãos envolvidos.

Apesar da ausência de infrações relacionadas ao caranguejo e ao pescado, as equipes da GRM identificaram situações de intenção de captura de caranguejos e a presença de aves silvestres mantidas em cativeiro. Nessas ocorrências, a equipe orientou os moradores - priorizando a educação ambiental -, o que resultou na desistência voluntária das tentativas de captura e na entrega de três aves nativas (um curió, um bigode e uma coleira), reforçando a importância da conscientização na proteção da fauna local.

Profissionais envolvidos na ação preventiva

Parceria - As ações contaram com a parceria das secretarias municipais de Meio Ambiente e de Pesca do município de Cachoeira do Arari, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-PA) e da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará).

Em Salvaterra, a atuação do núcleo de fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) reforçou o empenho das autoridades locais no cumprimento da legislação ambiental e preservação do estoque pesqueiro.

A participação popular também foi destacada como elemento essencial para a identificação de irregularidades e o planejamento das atividades, evidenciando a efetividade da gestão participativa na Área de Proteção Ambiental (APA) do Arquipélago do Marajó.

Conscientização - O sucesso da fiscalização se reflete no fato de não haver apreensões de caranguejos ou pescado, assegurando que animais vivos permaneçam no ambiente natural e contribuindo para sua reprodução. Especialistas e gestores consideram que a combinação de educação ambiental e trabalho conjunto entre Ideflor-Bio e parceiros fortalece a gestão sustentável dos recursos naturais na região.

Para Hugo Dias, gerente da Região Administrativa do Marajó do Ideflor-Bio, “a participação das comunidades e dos órgãos parceiros foi fundamental para que as ações de fiscalização e educação ambiental atingissem seus objetivos. O respeito ao defeso não apenas protege a reprodução do caranguejo-uçá, mas assegura o futuro da pesca artesanal e dos modos de vida tradicionais no Arquipélago do Marajó”.

Períodos - Sobre os períodos de defeso do caranguejo-uçá em 2026, a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 45/2026 estabelece, entre outras janelas de proteção ao ciclo reprodutivo da espécie, o intervalo de 1º a 6 de fevereiro de 2026, quando a fiscalização foi intensificada no Marajó.

Próximos períodos de defeso: 17 a 22 de fevereiro; 3 a 8 de março; 18 a 23 de março, e 1º a 6 de abril — quando há proibição expressa de captura, transporte, beneficiamento, industrialização e comercialização do caranguejo-uçá nos estados das regiões Norte e Nordeste.

O Ideflor-Bio reforça que as ações de fiscalização e educação ambiental prosseguem com o compromisso de assegurar os recursos ambientais para as atuais e futuras gerações, promovendo a conservação da biodiversidade e o uso sustentável.