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MENINAS E MULHERES NA CIÊNCIA

Pesquisadoras fortalecem avanços na pesquisa científica no PCT Guamá

Profissionais atuam em vários projetos de inovação no parque tecnológico, incluindo análises celulares de bioprodutos da Amazônia e mobilidade elétrica

Por Ascom Fundação Guamá (PCTGuamá)
11/02/2026 12h06

No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado nesta quarta-feira (11), o Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém, reforça a importância dessa data, criada para conscientizar a sociedade de que a ciência e a igualdade de gênero precisam andar lado a lado. A data comemorativa foi definida em 2015, pela Organização das Nações Unidas (ONU), e busca alcançar a igualdade de gênero e incentivar mulheres no desenvolvimento de seu potencial criativo.

Grupo de pesquisadoras do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia

Atualmente, o Pará conta com 475 pesquisadores residentes e associados, dos quais 190 são mulheres. O número vem crescendo nos últimos anos, e o PCT Guamá destaca as contribuições das profissionais na ciência e na pesquisa aplicada na Amazônia, assim como a importância dos estudos desenvolvidos por mulheres paraenses, que contribuem significativamente para a inovação no Estado.

Renata Noronha, coordenadora do Laboratório de Genética e Biologia Celular (GenBioCel), instalado no PCT, ressalta que fazer ciência na Amazônia é desafiador, principalmente para as mulheres. A trajetória como pesquisadora é marcada por obstáculos, mas também por conquistas.

Professora Renata Noronha, do Laboratório de Genética e Biologia Celular

“Sempre tive o sonho de ser professora. Quando alcancei esse sonho, vivi alguns obstáculos, como conseguir uma liderança na universidade. Na Amazônia, tive que desenvolver pesquisas na área da biodiversidade, trabalhar muito, e chegou um momento em que eu disse: agora preciso coordenar meu laboratório. Eu me sinto muito orgulhosa em coordenar o laboratório, principalmente porque estou formando muitos alunos, que vão multiplicar ciência na Amazônia”, informa.

Contribuição - O GenBioCel, coordenado por Renata Noronha no PCT, desenvolve estudos que vão da ciência básica à ciência aplicada. São pesquisas sobre a biodiversidade amazônica, com análises e testes celulares de bioprodutos da Amazônia, até chegar a um produto consolidado para o mercado. Contribuir para que outras mulheres sejam parte das pesquisas na Amazônia é prioridade nos estudos realizados no Parque.

“Estou muito feliz porque temos avançado bastante com as nossas pesquisas. Trabalhamos com a linha de biodiversidade. Porém, estamos avançando com testes em bioprodutos da Amazônia. Cada vez mais desejo que meninas e mulheres estejam presentes nas pesquisas. É uma prioridade minha, como líder do laboratório, associar as minhas pesquisas à presença de mulheres, fortalecendo o desenvolvimento da pesquisa com equidade real”, afirma a pesquisadora.

Professora Evelin Gomes e Jasmine Araújo: maior representatividade

O Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada a Cidades Inteligentes (LabCity), também associado ao PCT, é outro exemplo de liderança feminina na pesquisa. A professora e pesquisadora Evelyn Gomes coordena as atividades no espaço, e conta com outras seis mulheres na equipe.

Segundo ela, “hoje conseguimos ter uma representatividade maior, mas ainda assim escassa, se comparada ao quantitativo de homens na nossa área. Percebo que é cada vez mais importante estarmos à frente da pesquisa e da coordenação dos laboratórios, porque escuto muito das alunas como é importante elas se verem representadas por nós em sala de aula. Assim, uma incentiva a participação da outra. Desejamos cenários mais equilibrados, e isso é um desafio que passa pelo social: precisamos incentivar as mulheres na ciência desde o Ensino Fundamental e Médio, para que isso se reflita na pesquisa”, afirma Evelyn Gomes.

Pesquisadoras atuam em áreas estratégicas para o desenvolvimento científico na Amazônia

Sustentabilidade - O LabCity é um espaço de inovação, pesquisa e soluções voltadas ao desenvolvimento de cidades inteligentes e sustentáveis da Amazônia, e faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial Aplicada às Cidades Inteligentes e Sustentáveis na Amazônia Brasileira (IAmazônia), iniciativa que atua na criação de redes inteligentes voltadas para transporte, saúde, segurança, educação e saneamento, adaptadas às condições únicas da região.

“Nos orgulhamos muito de fazer pesquisa aplicada que chega às pessoas. Atuamos em várias áreas estratégicas da cidade, e nossos projetos e sistemas chegam, de fato, à população, por meio das parcerias realizadas dentro do ecossistema do PCT Guamá, e com outros parceiros nacionais e internacionais”, destaca Evelyn Gomes.

Professora Emília Tostes, da UFPA/Ceamazon: atuante na pesquisa desde 2010

Mobilidade elétrica - Na infância, o sonho de ser engenheira e proporcionar qualidade de vida às pessoas pulsava no coração da pesquisadora Emília Tostes, diretora do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), instalado no PCT Guamá.

Ela contou que, “mesmo trabalhando como perita criminal, voltei a pensar na carreira acadêmica. Ao entrar na universidade como pesquisadora, percebi que podia fazer a engenharia do dia a dia junto com a carreira de pesquisadora. A pesquisa em engenharia é uma pesquisa em desenvolvimento, inovação, implementação de produtos na prática. O engenheiro desenvolve soluções para o dia a dia da sociedade, para resolver problemas e trazer conforto às pessoas. Esse sempre foi meu sonho desde criança. Hoje, estou no Ceamazon, dentro do PCT Guamá, desenvolvendo pesquisas desde 2010”.

Com atuação ampla na região amazônica, Emília Tostes está à frente de estudos sobre geração e melhoria de energia, regulação de frequência do sistema elétrico e outros temas da área. “Desenvolvemos um grande projeto com a Universidade e a Norte Energia para implementar a mobilidade elétrica na região. Instalamos dois ônibus elétricos na Universidade, painéis fotovoltaicos, os primeiros sistemas fotovoltaicos da instituição, carregadores elétricos e desenvolvemos um catamarã elétrico, carregado com energia solar fotovoltaica, tanto nas placas instaladas na embarcação quanto em terra. Também desenvolvemos todo um sistema de comunicação e inteligência computacional. Trabalhamos ainda com projetos na linha de supercapacitores e com sistemas para edificações”, ressalta a pesquisadora.

Pesquisadoras do Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial (CCAD-IA)

As pesquisas realizadas contam ainda com a presença de outras mulheres no Ceamazon, reforçando a participação feminina na engenharia, uma área historicamente dominada por homens. O olhar diferenciado e a capacidade técnica são apontados como diferenciais na atuação. O papel de homens e mulheres na tecnologia deve ser complementar em competências, o que torna fundamental ampliar o incentivo à participação feminina, propõe a diretora.

Emília Tostes enfatiza, ainda, que “a presença das mulheres aqui sempre foi muito bem-vinda. Queremos dar continuidade a esse trabalho, que tem feito a diferença na Amazônia. Trouxemos a mobilidade elétrica, o primeiro corredor verde da Região Norte para abastecimento, com dois veículos elétricos de carga rápida entre as cidades de Belém e Castanhal. Também inovamos na navegação com embarcações não poluentes e silenciosas. Temos muitas mulheres trabalhando aqui”.