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Bebês prematuros devem receber imunobiológico que protege contra o vírus sincicial

A Sespa concluiu a distribuição do anticorpo e a nova proteção já está disponível nos 144 municípios paraenses

Por Roberta Vilanova (SESPA)
16/03/2026 16h17
Novo imunobiológico Nirsevimabe está disponível nos 144 municípios paraenses

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informa que já está disponível nas salas de vacina dos 144 municípios paraenses o imunobiológico Nirsevimabe, anticorpo monoclonal de imunoglobulina humana G1 Kappa (IgG1k) destinado à prevenção de infecção respiratória causada pelo vírus respiratório sincicial (VSR), vírus responsável por 80% dos casos de bronquiolite. 

O Nirsevimabe chegou para reforçar a proteção contra o VSR, já iniciada com a vacina para gestantes, incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2025. É destinado especificamente para crianças prematuras que nasceram com idade gestacional igual ou menor que 36 semanas e seis dias; e para crianças com comorbidades com idade até 1 ano, 11 meses e 29 dias.

Para as crianças prematuras, a aplicação do imunobiológico estará disponível durante o ano todo independentemente do peso da criança e do histórico de vacinação materna contra o VSR. Quanto às crianças com comorbidades, a aplicação estará disponível na sazonalidade de fevereiro a setembro de cada ano.

Devem receber o Nirsevimabe as crianças com as seguintes comorbidades: cardiopatia congênita, imunocomprometidos graves (inato e adquirido), fibrose cística, anomalias congênitas das vias aéreas, doença pulmonar crônica, síndrome de Down e doença neuromuscular.

O bebê prematuro recebe apenas uma dose. Se perder, poderá fazer o resgate até a idade de cinco meses e 29 dias. Já as crianças com comorbidades devem receber a 1ª dose na sazonalidade de janeiro a setembro e a 2ª dose na sazonalidade seguinte de janeiro a setembro, respeitando a idade limite de até 1 ano, 11 meses e 29 dias.

Reunião da CIB - A apresentação do novo imunobiológico foi feita pela coordenadora estadual de Imunizações, Jaíra Ataíde, na reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) no dia 5 de fevereiro. Em seguida, no dia 10, a Coordenação Estadual de Imunizações realizou uma reunião on-line em conjunto com a Coordenação Estadual de Saúde da Criança e Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), para orientar as Secretarias Municipais de Saúde.

Jaíra Ataíde, coordenadora estadual de Imunizações, durante apresentação na CIB

Segundo Jaíra Ataíde, a distribuição do produto foi concluída agora e é importante que a população paraense tome conhecimento dessa nova proteção garantida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). “Além das unidades de saúde, o imunobiológico estará disponível, em estoque, para vacinar prematuros nas maternidades do SUS que já aplicam a vacina hepatite B e que tenham registro no CNES com o serviço de imunização e classificação de grupo 002 (grupos especiais)”, informou.

“As demais maternidades, sem permissão de estoque, diante de uma indicação de aplicação, terão que solicitar o Nirsevimabe à Coordenação Municipal de Imunização”, acrescentou Jaíra Ataíde. Para esse pedido, conforme a coordenadora, a maternidade terá que enviar relatório, laudo médico ou prescrição médica com carimbo e assinatura do médico com registro no CRM, contendo a indicação do Nirsevimabe e a descrição da condição clínica.

Jaíra Ataíde alertou que as crianças prematuras que não receberem a aplicação logo após o nascimento ainda poderão recebê-la antes de completarem seis meses de idade, mas as crianças com comorbidades só poderão receber até a idade limite de 1 ano, 11 meses e 29 dias no período de sazonalidade de fevereiro a setembro.

Assim, a nova Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE) é composta pelo Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), as Unidades Básicas de Saúde e as Maternidades do SUS com cadastro específico no CNES.

Saiba mais - A bronquiolite é uma infecção viral aguda das vias aéreas inferiores (bronquíolos), muito comum em crianças menores de dois anos, especialmente no período chuvoso. Provoca inflamação, muco e chiado no peito, assemelhando-se a um resfriado inicialmente, mas evoluindo para dificuldade respiratória. 

Os sinais e sintomas iniciais são nariz entupido, coriza, tosse leve e às vezes febre. Com a evolução da doença, no terceiro ou quinto dia, há aumento da tosse, respiração rápida ou com dificuldade, chiado no peito e irritabilidade. Os sinais de alerta são esforço respiratório (costelas afundando), gemidos, recusa alimentar e arroxeamento (cianose) na boca ou unhas.

 A transmissão ocorre por tosse ou espirro, saliva ou contato com superfícies contaminadas. Não há remédio específico para curar a causa viral, por isso o tratamento é de suporte, visando alívio dos sintomas. Daí a importância de as gestantes tomarem a vacina e os bebês prematuros receberem o Nirsevimabe.