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Alunos da rede pública estadual são finalistas da 24ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia

Com projetos de ciência, tecnologia e saberes amazônicos, seis pesquisas de estudantes paraenses da rede pública chegam à final da Febrace

Por Lilian Guedes (SEDUC)
17/03/2026 10h35
Equipe da Escola Estadual Presid. Fernando Henrique, de Monte Alegre, está na final da Febrace com dois projetos

Estudantes de quatro escolas da rede estadual de ensino foram selecionados como finalistas da 24ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). O evento iniciou, na segunda-feira  (16) e vai até o dia 20 de março, no campus da Universidade de São Paulo (USP), no bairro do Butantã, em São Paulo. A feira é considerada uma das maiores mostras de iniciação científica da educação básica no país.

Os projetos paraenses selecionados envolvem estudantes dos municípios de Oriximiná, Monte Alegre, Itaituba e Igarapé-Miri, evidenciando o potencial da pesquisa científica desenvolvida nas escolas da rede pública estadual.

As pesquisas abordam temas que vão desde a inovação tecnológica ao conhecimento tradicional amazônico, passando por sustentabilidade ambiental e valorização cultural.

Tecnologia inspirada na natureza

Entre os destaques, estão as equipes da Escola Estadual Padre José Nicolino de Souza, em Oriximiná, que apresentam dois projetos na área de engenharia.

O primeiro é “Sensores Biomiméticos para Monitoramento Ambiental”, desenvolvido pelos estudantes Maria Clara Oliveira dos Santos, Amanda Sofia Portilho da Cunha e Yuri Cauã Lira Costa. A proposta investiga a criação de sensores inspirados em estruturas naturais para aplicação em sistemas de monitoramento ambiental.

Outro projeto é “Tinta Solar Fotossintética com Pigmentos Naturais da Amazônia”, elaborado pelos estudantes Maysa Lorrana Franco Lavôr, Maria Sophia Brito Franco e Heitor Calderaro Nunes. A pesquisa explora o potencial de pigmentos naturais amazônicos para o desenvolvimento de superfícies com propriedades fotovoltaicas.

A estudante Amanda Portilho, da 2ª série do ensino médio, destaca a expectativa para participar da Feira Nacional. “Participar da Febrace é uma oportunidade única de compartilhar nosso projeto com estudantes e professores de todo o Brasil. Trabalhamos muito para chegar até aqui e a experiência tem sido de muito aprendizado. A feira mostra que a ciência e a tecnologia também podem nascer dentro da escola pública”, afirma.

Segundo o diretor da escola, Josué Feijão, a participação na competição é resultado de uma metodologia pedagógica que incentiva a iniciação científica entre os estudantes. Ele afirma que a proposta da escola estimula os alunos a identificarem problemas reais da região e transformá-los em pesquisas científicas, desenvolvendo protótipos e soluções tecnológicas, além de participar de feiras científicas desde o ensino médio.

Estudante Jamilly Silva desenvolveu com colegas a pesquisa que investiga a interpretação do céu entre povos originários

Ciência, cultura e saberes ancestrais

No município de Monte Alegre, estudantes da Escola Estadual Presidente Fernando Henrique participam da final da Febrace com dois projetos na área de Ciências Humanas.

Um deles é “O Céu dos Nossos Ancestrais: Uma Jornada pela Astronomia Indígena”, desenvolvido pelas estudantes Manuela Costa dos Reis Barbosa e Jamily Naelca Morais Silva. A pesquisa investiga conhecimentos tradicionais relacionados à interpretação do céu entre povos originários.

Aluna Manuela Costa está pela 2ª vez na Febrace e diz que a preparação para o evento aumento seus conhecimentos

A estudante Manuela Costa explica que a participação na feira representa uma oportunidade importante de aprendizado e crescimento acadêmico. “Participar da Febrace é uma experiência única. Essa é a minha segunda vez na feira e vejo o quanto isso me ajudou a crescer em conhecimento e comunicação. Sem o apoio da escola pública e dos professores, eu provavelmente não teria a oportunidade de apresentar um projeto na maior feira científica do país”, ressalta.

Estudante Kauan Moura é da equipe que estudou sobre a criatividade e a habilidade na produção de pinturas rupestres

O estudante Kauan Moura também integra a delegação da escola com o projeto “Técnicas e Materiais na Arte Rupestre: Um Estudo sobre a Criatividade e Habilidade dos Artistas”, que analisa materiais e técnicas utilizados por artistas pré-históricos na produção de pinturas rupestres.

Prof. Bruna Costa, da Escola Presidente Fernando Henrique

Para a professora orientadora, Bruna Vanessa dos Reis, a presença dos projetos na final da feira representa um momento de orgulho para a comunidade escolar. “Estar entre os projetos finalistas da Febrace é motivo de orgulho e emoção. É a oportunidade de mostrar que estudantes de escolas públicas podem desenvolver pesquisas relevantes e representar seu município, seu estado e sua cultura por meio da ciência”, destaca.

Além da participação dos estudantes, a orientação dos projetos também ganha destaque nesta edição da feira. A professora, Bruna Vanessa, está entre os 10 finalistas do ‘Prêmio Professor Destaque’, reconhecimento nacional concedido a educadores que se destacam na orientação de pesquisas científicas na educação básica.

Para a docente, o reconhecimento representa uma conquista coletiva e evidencia o potencial da escola pública na formação científica dos estudantes. “Estar entre os 10 finalistas do Brasil já é uma grande vitória. Representar minha escola, meus alunos, o município de Monte Alegre e o Pará é motivo de alegria. Esse reconhecimento valoriza o trabalho dedicado à pesquisa científica e incentiva o desenvolvimento de novos projetos, fortalecendo o pensamento crítico e o protagonismo estudantil”, afirma.

Sustentabilidade e inovação

Outro projeto paraense finalista da feira é “Cacau que Cresce, ‘Mundo’ que Respira e Inclusão que Floresce”, desenvolvido pelos estudantes Waldiney Iadir Pinheiro da Costa e Samira Nonato da Silva, da Escola Estadual Professora Dalila Afonso Cunha, em Igarapé-Miri.

A pesquisa investiga alternativas sustentáveis de recuperação do solo por meio do cultivo do cacau. A estudante Samira Nonato explica que a proposta surgiu a partir da observação da realidade ambiental da região.

“Nós observamos que o desmatamento é forte na nossa região e pensamos em uma forma de ajudar na recuperação do solo. O cultivo do cacau pode contribuir para proteger o solo do sol e favorecer a reconstrução gradual das áreas degradadas”, afirma.

Também representa o Pará na competição o projeto “ECOLÁBIOS: Batom Sustentável Amazônico”, desenvolvido pelas estudantes Maria Eduarda de Souza Vasconcelos, Ashylla Isabella Seade Arai e Lara Bandeira da Silva, do Centro Educacional Anchieta, em Itaituba.

A pesquisa propõe o desenvolvimento de um produto cosmético a partir de insumos naturais da Amazônia, com foco na sustentabilidade e na redução do uso de componentes químicos sintéticos.

A participação dos estudantes paraenses na Febrace reforça o papel da escola pública no incentivo à pesquisa científica e à inovação, além de estimular o protagonismo estudantil e o desenvolvimento de soluções alinhadas aos desafios contemporâneos da região amazônica.

Febrace 

A Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) é um programa de talentos em ciências e engenharia que estimula a cultura científica, o saber investigativo, a inovação e o empreendedorismo em jovens e educadores da educação básica e técnica do Brasil.

Desde 2003, a Febrace realiza uma grande mostra de projetos científicos e tecnológicos, na Universidade de São Paulo, que reúne estudantes de todo o Brasil.

Todos os anos a Febrace mobiliza sua rede nacional de feiras afiliadas e seleciona finalistas para competições e feiras internacionais, além disso, promove diversas oportunidades para estudantes, professores e gestores em temáticas relacionadas a STEAM - Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.

Texto de Taynara Gomes com supervisão de Lilian Guedes Ascom / Seduc