Governo do Pará garante alimentação regionalizada e segurança nutricional para alunos da rede pública
Programa Estadual de Alimentação Escolar, coordenado pela Seduc, atende cerca de 500 mil estudantes nos 144 municípios paraenses
A alimentação regionalizada tem sido um dos pilares do Programa Estadual de Alimentação Escolar, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que atende aproximadamente 500 mil estudantes da rede pública em todos os 144 municípios do Pará. A iniciativa garante refeições nutritivas nas escolas e valoriza alimentos típicos da cultura alimentar paraense, muitos deles provenientes da agricultura familiar.
Na Escola Estadual Santo Afonso, no bairro do Telégrafo, em Belém, por exemplo, o cardápio inclui pratos tradicionais como açaí com peixe e charque frito, que fazem parte da rotina alimentar dos estudantes e reforçam a identidade cultural da região.
Segundo o diretor da unidade, Máximo Rogério Passos, a proposta é oferecer refeições equilibradas que contribuam para o aprendizado e o bem-estar dos alunos, além de valorizar os alimentos regionais. “Se o aluno não estiver bem alimentado, ele não aprende plenamente e apresenta reflexos nas salas de aula, com baixo desempenho acadêmico. Identificamos entre os nossos alunos que essa é a principal refeição de muitos deles, e a merenda faz toda a diferença na realidade deles e de suas famílias”, ressalta.
Incentivo ao aprendizado
Para os estudantes, a merenda escolar também representa um incentivo para a permanência na escola e para o rendimento nas atividades pedagógicas. O aluno Arthur Pamplona, de 13 anos, do 8º ano da Escola Santo Afonso, destaca que a alimentação de qualidade contribui para o desempenho nas aulas. “A gente não consegue fazer nada se não estiver bem alimentado e bem nutrido. Então, o aluno já vem com a segurança de que vai comer bem. Muitas vezes nem precisa almoçar em casa. Uma merenda tão deliciosa e bem feita como essa dá aquele gás e incentivo para o estudo e ainda valoriza nossa cultura”, afirmou.
A estudante Jamilly Gabriella Castro, de 14 anos, do 9º ano, também observa que a alimentação regionalizada aumenta o interesse dos alunos. “É mais um incentivo que a escola oferece para os alunos. A comida é muito boa, de qualidade e feita com amor. Tem dias que a merenda é quase um almoço para a gente. A fila fica grande, mas todo mundo sai bem alimentado”, disse.
De acordo com a nutricionista da Seduc, Flávia Lira, a alimentação escolar é um componente essencial no processo de ensino-aprendizagem. “Uma alimentação equilibrada garante, sem dúvidas, melhor qualidade de vida. Problemas de aprendizado, indisposição e sonolência podem ser sinais de falta de alimento de qualidade. Por isso, estar atento à quantidade de proteínas, carboidratos, lipídios e vitaminas ingeridas pelos alunos é fundamental”, destacou.
A coordenadora de Alimentação Escolar da Seduc, Danielle da Costa Lobato, reforça que o programa também valoriza os produtos regionais e fortalece as cadeias produtivas locais. “A alimentação escolar é uma forma de garantirmos, por meio dos recursos que o Governo do Estado disponibiliza aos municípios, a valorização dos alimentos de cada região, fortalecendo a produção local e contribuindo para uma alimentação mais saudável e adequada aos estudantes”, afirmou.
Valorização da agricultura familiar
Além de garantir segurança alimentar aos estudantes, o programa também incentiva a produção da agricultura familiar, fortalecendo a economia local. Segundo o chefe do Escritório Local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Igarapé-Miri, Marcelo Sousa, cooperativas e associações podem participar do fornecimento de alimentos para a merenda escolar por meio de editais de chamada pública.
Entre os produtos mais comuns estão açaí, miriti, banana, laranja e melancia, conforme a sazonalidade de cada cultura. Muitos desses alimentos são consumidos in natura ou processados, como no caso das polpas de açaí e de miriti, utilizadas em preparações tradicionais como o mingau de arroz, bastante aceito pelos estudantes.
Para a aluna Marcella Suene, de 13 anos, do 9º ano, a qualidade da alimentação também é reconhecida pelas famílias. “A minha mãe fica muito feliz pela escola oferecer alimento gostoso e de qualidade para mim. No projeto ‘Sabores do Mundo’, desenvolvido na Santo Afonso, conhecemos várias culturas, além da nossa, como a comida japonesa, americana e indiana, junto com aprendizados históricos garantidos pelos professores. É muito interessante”, concluiu.

