Atendimento Educacional Especializado transforma vida de estudante autista que desenvolve talento musical na escola
Estudante começou a tocar instrumentos e cantar após incentivo nas atividades do AEE
Um estudante da Escola Estadual Prof.ª Ruth Guimarães Ferreira, localizada em Benevides, na Região Metropolitana de Belém, tem se destacado pelo talento musical desenvolvido a partir das atividades do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Com o apoio da escola e do professor responsável, o aluno autista passou a demonstrar habilidades com instrumentos musicais e hoje também participa de atividades musicais fora do ambiente escolar.
O interesse pela música surgiu durante as aulas no AEE, quando o professor Adelson Júnior identificou que os movimentos repetitivos do estudante estavam relacionados aos padrões semelhantes de um baterista. A partir dessa percepção, o trabalho pedagógico passou a incluir atividades musicais como forma de estimular o desenvolvimento do aluno.
Segundo o professor, o processo foi construído a partir da observação e do incentivo contínuo. “Comecei a perceber que os movimentos que ele apresentava não eram apenas aleatórios, mas estavam associados aos de um baterista. A partir disso, passei a trabalhar a música como ferramenta de aprendizagem”, contou
A música passou a fazer parte da rotina do estudante com momentos de prática e escuta musical dentro da escola. Para garantir o conforto do aluno, a bateria utilizada nas atividades precisou ser adaptada, considerando a sua sensibilidade a ruídos.
De acordo com o professor, o uso da música no ambiente escolar tem um papel fundamental no processo de inclusão. “A música é uma importante ferramenta para a inclusão. Por meio dela conseguimos integrar alunos do ensino regular e do AEE, valorizando talentos e promovendo a participação de todos”, refletiu.
Além dos avanços no aprendizado, o desenvolvimento musical também trouxe mudanças significativas no comportamento do estudante. Segundo a mãe dele, Vanessa Gomes Fonseca, o menino passou a se comunicar melhor, demonstrar mais interesse pelas atividades e apresentar maior interação no dia a dia. “Percebi mudanças importantes no comportamento. Ele está mais participativo, demonstra alegria ao falar das aulas e mais interesse pelos instrumentos. Isso também contribuiu para melhorar a comunicação”, contou.
Ela também destacou impactos na rotina familiar. “Hoje, o Samuel tem mais paciência, está mais concentrado e até atitudes simples, como me dar bom dia, passaram a fazer parte do nosso dia a dia. Isso trouxe muita alegria e orgulho para a nossa família”, lembrou.
A experiência na escola também possibilitou que o estudante levasse o aprendizado para outros espaços. Atualmente, ele participa de atividades musicais na igreja que frequenta, cantando e tocando instrumentos.
Para a família, a inclusão no ambiente escolar tem um significado especial. “Ver meu filho sendo acolhido, respeitado e incentivado me traz esperança. A inclusão representa a oportunidade dele aprender, se desenvolver e mostrar suas capacidades”, afirmou a mãe.
A iniciativa evidencia a importância de práticas pedagógicas inclusivas, capazes de reconhecer e valorizar as potencialidades de cada estudante, promovendo desenvolvimento, autonomia e novas possibilidades de participação social.
Texto de Walter Afonso, com supervisão de Lilian Guedes / Ascom Seduc

