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Atendimento Educacional Especializado transforma vida de estudante autista que desenvolve talento musical na escola

Estudante começou a tocar instrumentos e cantar após incentivo nas atividades do AEE

Por Lilian Guedes (SEDUC)
20/03/2026 16h55

Um estudante da Escola Estadual Prof.ª Ruth Guimarães Ferreira, localizada em Benevides, na Região Metropolitana de Belém, tem se destacado pelo talento musical desenvolvido a partir das atividades do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Com o apoio da escola e do professor responsável, o aluno autista passou a demonstrar habilidades com instrumentos musicais e hoje também participa de atividades musicais fora do ambiente escolar. 

O interesse pela música surgiu durante as aulas no AEE, quando o professor Adelson Júnior identificou que os movimentos repetitivos do estudante estavam relacionados aos padrões semelhantes de um baterista. A partir dessa percepção, o trabalho pedagógico passou a incluir atividades musicais como forma de estimular o desenvolvimento do aluno.

Segundo o professor, o processo foi construído a partir da observação e do incentivo contínuo. “Comecei a perceber que os movimentos que ele apresentava não eram apenas aleatórios, mas estavam associados aos de um baterista. A partir disso, passei a trabalhar a música como ferramenta de aprendizagem”, contou 

A música passou a fazer parte da rotina do estudante com momentos de prática e escuta musical dentro da escola. Para garantir o conforto do aluno, a bateria utilizada nas atividades precisou ser adaptada, considerando a sua sensibilidade a ruídos.

De acordo com o professor, o uso da música no ambiente escolar tem um papel fundamental no processo de inclusão. “A música é uma importante ferramenta para a inclusão. Por meio dela conseguimos integrar alunos do ensino regular e do AEE, valorizando talentos e promovendo a participação de todos”, refletiu.

Além dos avanços no aprendizado, o desenvolvimento musical também trouxe mudanças significativas no comportamento do estudante. Segundo a mãe dele, Vanessa Gomes Fonseca, o menino passou a se comunicar melhor, demonstrar mais interesse pelas atividades e apresentar maior interação no dia a dia. “Percebi mudanças importantes no comportamento. Ele está mais participativo, demonstra alegria ao falar das aulas e mais interesse pelos instrumentos. Isso também contribuiu para melhorar a comunicação”, contou.

Ela também destacou impactos na rotina familiar. “Hoje, o Samuel tem mais paciência, está mais concentrado e até atitudes simples, como me dar bom dia, passaram a fazer parte do nosso dia a dia. Isso trouxe muita alegria e orgulho para a nossa família”, lembrou.

A experiência na escola também possibilitou que o estudante levasse o aprendizado para outros espaços. Atualmente, ele participa de atividades musicais na igreja que frequenta, cantando e tocando instrumentos.

Para a família, a inclusão no ambiente escolar tem um significado especial. “Ver meu filho sendo acolhido, respeitado e incentivado me traz esperança. A inclusão representa a oportunidade dele aprender, se desenvolver e mostrar suas capacidades”, afirmou a mãe.

A iniciativa evidencia a importância de práticas pedagógicas inclusivas, capazes de reconhecer e valorizar as potencialidades de cada estudante, promovendo desenvolvimento, autonomia e novas possibilidades de participação social.

Texto de Walter Afonso, com supervisão de Lilian Guedes / Ascom Seduc