Hospital de Clínicas promove ação de inclusão e acolhimento no Dia Internacional da Síndrome de Down
Programação destaca cuidado integral a pacientes com cardiopatias associadas à condição genética, com foco no apoio às famílias e na humanização do atendimento
Em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado neste sábado (21), o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, realizou, nesta sexta-feira (20), uma programação especial voltada não apenas aos pacientes, mas também aos acompanhantes, reforçando o cuidado ampliado e a importância da inclusão.
A iniciativa, conduzida pela equipe multiprofissional da clínica pediátrica, integrou o projeto “Café com Cuidado”, que promove rodas de conversa e atividades educativas com familiares. A proposta foi criar um espaço de escuta e troca de experiências, especialmente entre cuidadores de pessoas com síndrome de Down.
A terapeuta ocupacional Karla Aita explicou que a ação foi pensada para ir além do olhar clínico. “A roda de conversa permite que cuidadores e profissionais ampliem a percepção sobre a pessoa com síndrome de Down, superando estereótipos e fortalecendo relações baseadas no acolhimento e na inclusão”, destacou.
Segundo ela, embora a síndrome esteja associada a algumas condições de saúde, como a cardiopatia congênita, presente em cerca de 50% dos casos, é fundamental reconhecer as potencialidades de cada indivíduo. “São pessoas com capacidades, talentos e possibilidades que precisam ser estimuladas no convívio social”, reforçou.
Vivências que inspiram - Um dos momentos mais marcantes da programação foi o relato de vida de Ana Clara da Silva, de 29 anos, que compartilhou sua trajetória com os participantes. Em sua fala, ela destacou sentimentos de superação e felicidade. “Eu me senti bem, com coragem e força. Estou muito feliz”, afirmou.
Ao deixar uma mensagem, Ana Clara resumiu com simplicidade e força: “Tem que respeitar, amar o outro e amar o próximo”.
A mãe, Valdelina da Silva, também participou da roda de conversa e destacou o aprendizado diário ao lado da filha. “A Ana Clara nos fortalece e nos surpreende todos os dias. Ela gosta de dançar, de teatro, de viver. É uma vida normal, como a de qualquer pessoa”, disse.
Valdelina enfatizou ainda a importância da troca entre famílias. “Quando é de mãe para mãe, o acolhimento é diferente. A gente percebe que nossos filhos são capazes de estudar, trabalhar, se desenvolver. Eles podem tudo, dentro das suas possibilidades”, ressaltou.
Cuidado que vai além do tratamento - A enfermeira Sâmia Medeiros, chefe da enfermagem da clínica pediátrica, explicou que o projeto “Café com Cuidado” surgiu para fortalecer o vínculo entre equipe de saúde e familiares. Desde fevereiro, encontros semanais vêm abordando temas como rotinas hospitalares, segurança do paciente, prevenção de infecções e até a importância da doação de sangue.
Neste mês, a pauta ganhou um significado especial ao tratar da inclusão de pessoas com síndrome de Down. “Nosso objetivo é promover não só o tratamento clínico, mas também o acolhimento, a informação e a humanização do cuidado”, afirmou.
Atualmente, a unidade acompanha pacientes com a síndrome, incluindo crianças em preparação para procedimentos cardíacos, reforçando o papel do hospital como referência no atendimento a cardiopatias.
Histórias de luta e esperança - De Canaã dos Carajás, Juliana dos Santos, de 38 anos, está entre os participantes. A dona de casa compartilhou a trajetória da filha, diagnosticada com síndrome de Down e cardiopatia congênita ainda no nascimento.
Ela relembra o impacto inicial da notícia. “No começo foi muito difícil, eu me senti perdida. Mas com o apoio da equipe e convivendo com outras mães, fui aprendendo e me adaptando à realidade dela”, contou.
Após 30 dias de acompanhamento contínuo e cirurgia, a filha apresenta evolução positiva e aguarda alta. “Hoje eu só tenho a agradecer. O atendimento aqui é excelente e tem ajudado muito no desenvolvimento dela”, disse.
Para o futuro, Juliana mantém o olhar firme e cheio de esperança. “A expectativa é grande. Eu ainda tenho muito a aprender com ela. A gente vai seguir juntas, crescendo e vencendo”, afirmou.
Não é doença - A Síndrome de Down, ou trissomia 21, é uma condição genética que ocorre quando há três cromossomos 21 (quando o habitual são dois cromossomos).
Embora seja frequentemente associada a características físicas e cognitivas distintas, a Síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição que permite que a pessoa viva de forma plena e com participação ativa na sociedade.
Texto: Kelly Barros (Ascom HC)

