Fapespa recebe comitiva da Embaixada da França para discutir futuras parcerias em ciência e inovação
Visita institucional busca fortalecer cooperação internacional e abrir caminhos para projetos conjuntos na área de pesquisa, com foco em temas estratégicos para a Amazônia
A Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) recebeu, na tarde da segunda-feira (23), a visita de uma comitiva da Embaixada da França no Brasil, em um encontro institucional voltado ao fortalecimento de relações e à construção de futuras parcerias nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.
A agenda reuniu representantes de importantes instituições francesas e brasileiras, com atuação em pesquisa científica e cooperação internacional. Participaram do encontro Nadège Mézié, do Centro Franco-Brasileiro para Biodiversidade (CFBBA); Sophie Jacquel, conselheira científica da Embaixada da França no Brasil; Helena Albuquerque, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); Fabricio William e Michele Dulce Nerez, do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS); além de Luiz Miguel e Diana, do Institut des Amériques. Representando a Fapespa, participou o diretor científico Deyvison Medrado e o coordenador de Assuntos Internacionais Marco Antonio de Oliveira.
A visita teve caráter de cortesia, mas também serviu como espaço estratégico para alinhar possibilidades de cooperação entre o Pará e instituições francesas, especialmente em áreas de interesse comum, como biodiversidade, bioeconomia e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Na oportunidade, Sophie Jacquel, a representante da comitiva francesa, conselheira-adjunta de Cooperação da Embaixada da França, que é encarregada da cooperação científica e acadêmica, falou sobre a finalidade do encontro. “O objetivo realmente é fortalecer a cooperação científica e acadêmica entre a França e o Pará. Somos uma delegação do Centro Nacional da Pesquisa Francesa, um centro de excelência, de pesquisa, que já tem colaborações fortes na Amazônia, mas que vemos ainda mais o potencial de desenvolvimento dessa cooperação, seja sobre as ciências humanas sociais, a bioeconomia, a troca de saber, e isso exatamente é o nosso objetivo”.
Durante a reunião, foram discutidas oportunidades de intercâmbio científico, apoio a projetos de pesquisa conjuntos e fortalecimento de redes internacionais de colaboração, com o objetivo de ampliar a produção de conhecimento e impulsionar soluções inovadoras para desafios regionais e globais. O destaque das tratativas foi sobre a criação de um polo de pesquisa na Universidade Federal do Pará (UFPA) visando fortalecer a cooperação científica entre França e as instituições de pesquisa do Pará, com apoio da Fapespa. “Nesse cenário, estamos estudando as modalidades de fortalecer essa cooperação e gostaríamos de um acompanhamento da participação da Fapespa, para que a cooperação seja um instrumento de fortalecimento de toda a pesquisa aqui na nossa região”, explicou a pró-reitora de Relações Internacionais da UFPA, Lise Tupiassu.
A aproximação com instituições internacionais reforça o papel da Fapespa na promoção da ciência e no incentivo à pesquisa no Pará, além de contribuir para inserir o estado em agendas globais voltadas ao desenvolvimento sustentável e à valorização da sociobiodiversidade amazônica.
Intercâmbio – Durante a reunião, Sophie Jacquel destacou a particularidade que aproxima as nações: “A cooperação na Amazônia é uma das nossas grandes prioridades porque somos um território amazônico, temos uma fronteira comum entre o Amapá e a Guiana Francesa, e então partilhamos realmente os desafios do território, com população da Guiana Francesa, seja na saúde, da proteção ambiental, da floresta, e todos os desafios do desenvolvimento econômico, já que somos vizinhos da Amazônia brasileira”.
Estudos apontam que a Amazônia possui enorme potencial para a geração de inovação, produção, beneficiamento, comercialização e consumo de produtos oriundos da biodiversidade, fazendo da bioeconomia uma nova matriz econômica para o desenvolvimento sob as bases da sustentabilidade. E a colaboração transnacional é vista como essencial para consolidar soluções conjuntas e deixar um legado duradouro para a Amazônia.
Biodiversidade - Com uma área aproximada de 5,5 milhões de km2, a Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. A região hospeda uma gigantesca biodiversidade, sendo a maior parte, 60%, localizada no Brasil. Sua bacia hidrográfica também é o maior sistema fluvial global, abrangendo mais de 7 milhões de km2 distribuídos entre Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
A região abrange parte importante dos recursos naturais globais e desempenha papel vital na provisão de produtos e serviços ambientais no ciclo do carbono e na regulação do clima. Dessa forma, tem grande importância estratégica por possuir, além de recursos econômicos, a exemplo dos recursos hídricos e do extrativismo, ativos de valores inestimáveis como conhecimento, língua e cultura das populações tradicionais.
O bioma amazônico é rico em diversidade biológica, mas a região necessita de mais investimentos em ciência, tecnologia e inovação, em pesquisa básica e aplicada e em recursos humanos qualificados. Assim, enxergar a Amazônia a partir de suas singularidades, potencialidades, complexidades e instigantes desafios, é condição para compreender a importância de investimentos promovam a Ciência e a Tecnologia como principais instrumentos de desenvolvimento, levando-se em consideração a sustentabilidade e a competitividade.
“Nós precisamos avançar no fortalecimento da nossa infraestrutura de ciência, tecnologia e inovação, tanto no nível regional quanto intrarregional. Isso passa, necessariamente, pela ampliação do nosso quadro de recursos humanos altamente qualificados e pelo incentivo contínuo à pesquisa científica e tecnológica. Dessa forma, quando estruturamos essas bases, criamos condições estratégicas para dar os próximos passos. E esses avanços são fundamentais diante do enorme potencial que temos de gerar inovação a partir da biodiversidade, seja na produção, no beneficiamento ou na comercialização de produtos, sempre com a sustentabilidade como princípio”, destacou o diretor científico da Fapespa, Deyvison Medrado.

