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Pará sedia oficina inédita para fortalecer prevenção de surtos da Doença de Chagas no Brasil

O evento reúne representantes de diferentes esferas e instituições para construir, de forma conjunta, diretrizes voltadas ao enfrentamento da doença

Por Roberta Meireles (SESPA)
24/03/2026 14h10

Belém recebe, entre os dias 24 e 26 de março de 2026, a Oficina de Alinhamento para a elaboração do Plano de Prevenção de Surtos de Doença de Chagas no Estado do Pará, iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento da saúde pública no Estado e no país. O evento reúne representantes de diferentes esferas e instituições para construir, de forma conjunta, diretrizes voltadas ao enfrentamento da doença.

"A Doença de Chagas precisa ser enfrentada de forma integrada, envolvendo diferentes áreas da saúde e não apenas a vigilância. Esse foi um dos principais desafios que identificamos no início do trabalho nos municípios. Hoje, buscamos reorganizar as responsabilidades dentro da rede, garantindo que cada setor compreenda seu papel no enfrentamento da doença, desde a vigilância até a atenção primária e a assistência. Esse alinhamento é fundamental para reduzir a sobrecarga das equipes e tornar as ações mais efetivas, permitindo uma resposta mais organizada diante dos casos e surto", disse Eder Monteiro, Coordenador de Doença de Chagas na Sespa. 

A oficina é apontada como uma ação inédita no Brasil por adotar uma metodologia estruturada de resolução de problemas em saúde, com foco na elaboração de um plano integrado, alinhado às metas do Plano Nacional de Saúde. A proposta é desenvolver estratégias mais eficazes para prevenir surtos, especialmente aqueles relacionados à transmissão oral da doença.

A escolha do Pará como sede da oficina reflete a relevância do estado no cenário epidemiológico da Doença de Chagas, principalmente na forma aguda associada ao consumo de alimentos contaminados, como derivados do açaí. Nos últimos anos, municípios paraenses concentraram parte significativa dos casos registrados no país, o que impulsionou o desenvolvimento de ações contínuas de enfrentamento, incluindo capacitação de profissionais, fortalecimento da vigilância e articulação entre diferentes setores.

A diretora de Vigilância em Saúde da Sespa, Rosiana Nobre, destacou que o estado tem avançado de forma consistente no combate à doença, com estruturação de estratégias específicas em municípios prioritários e integração entre diversas áreas da saúde e outros setores.

Segundo ela, atualmente há um grupo de trabalho que reúne diferentes instituições e secretarias, com participação do Ministério Público, além de forte articulação com a educação e a atenção primária. Esse esforço conjunto já resultou na capacitação de mais de 600 profissionais e na redução significativa de casos e óbitos relacionados à doença no Estado.

"O Pará vem avançando de forma consistente no enfrentamento da Doença de Chagas, com a estruturação de estratégias específicas em municípios prioritários e a atuação integrada entre diferentes áreas. Hoje contamos com um grupo de trabalho intersetorial, envolvendo diversas instituições e órgãos, o que fortalece as ações e amplia a capacidade de resposta do Estado.
Os resultados já podem ser observados com a capacitação de profissionais e a redução de casos e óbitos, demonstrando que o caminho da integração e da qualificação das equipes é essencial", afirma Rosiana Nobre.

Um dos principais pontos discutidos durante a oficina é a necessidade de ampliar a integração entre os diferentes níveis de atuação no enfrentamento da Doença de Chagas. De acordo com o coordenador Eder Monteiro, a doença não pode ser tratada de forma isolada dentro da vigilância, como ocorria anteriormente em muitos municípios. Ele explicou que havia uma concentração de responsabilidades em poucos profissionais, o que gerava sobrecarga e limitava a efetividade das ações.

A proposta atual é reorganizar o papel de cada área dentro da saúde, envolvendo desde a vigilância epidemiológica até a atenção primária, assistência e outras frentes, garantindo uma atuação mais coordenada e eficiente. Eder também ressaltou durante a programação de abertura que, antes de ampliar ações educativas e outras estratégias, foi necessário estruturar internamente os processos e definir responsabilidades, criando uma base mais sólida para o enfrentamento da doença.

A oficina reúne representantes do Ministério da Saúde, da Sespa, de órgãos de vigilância sanitária, do Ministério Público e de municípios prioritários, além de instituições como o Instituto Evandro Chagas e entidades de representação municipal.

Para o assessor técnico do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Antônio Jorge Silva Araújo, o encontro representa um momento importante de articulação entre diferentes níveis de gestão do SUS, fortalecendo a construção conjunta de soluções.

"Este é um momento importante de construção coletiva, em que estado, municípios e instituições se unem para definir estratégias mais eficazes no enfrentamento da doença. A participação dos municípios é fundamental, pois são eles que estão na ponta do atendimento e precisam estar preparados para atuar de forma integrada com toda a rede. A construção desse plano fortalece o SUS e contribui para que possamos avançar de forma mais organizada na prevenção e no controle da Doença de Chagas", disse. 

A expectativa é que o plano construído durante a oficina sirva como referência para outras unidades da federação, contribuindo para ampliar a capacidade de prevenção e resposta a surtos de Doença de Chagas em todo o país.

Texto: Caroliny Pinho