Batalha de rima une literatura, oralidade e cultura urbana na Biblioteca Pública Arthur Vianna
A programação reuniu jovens MCs, representantes do movimento hip-hop e admiradores do movimento em um espaço tradicionalmente dedicado à leitura
A Biblioteca Pública Arthur Vianna, em Belém, foi palco de uma batalha de rimas na tarde desta quarta-feira (25). A programação uniu literatura, oralidade e cultura urbana e reuniu jovens MCs, representantes do movimento hip-hop e admiradores do movimento em um espaço tradicionalmente dedicado à leitura. A batalha de rimas integrou a programação especial em homenagem aos 155 anos da biblioteca.
De acordo com a diretora de Leitura e Informação da Fundação Cultural do Pará (FCP), Marinilde Barbosa, a iniciativa reforça o papel da biblioteca como um ambiente democrático e plural. Segundo ela, a proposta foi ampliar o acesso e aproximar diferentes públicos. “A gente quer falar da importância de território, de pessoas que moram em áreas periféricas de Belém, mostrando que a biblioteca também é inclusiva, é acolhimento e que a leitura emancipa as pessoas”, destacou Marinilde.
Ainda segundo a diretora, a batalha de rimas é um desdobramento de um movimento cultural que tem raízes nas periferias e dialoga diretamente com a literatura. “Esse tipo de ação fortalece e aproxima a cultura hip-hop de espaços institucionais, incentiva a leitura, a escrita e a criatividade. Além disso, reforça que a biblioteca não é só um lugar silencioso, mas também de expressão cultural”, afirmou.
O evento contou com a participação de cerca de oito MCs, que se enfrentaram em duelos marcados por improviso, criatividade e domínio de temas ligados à sociedade, cultura e cotidiano. Para o jovem Daniel Freitas Nascimento, de 19 anos, conhecido artisticamente como Black Sun, a realização da batalha dentro da biblioteca representa um avanço importante. “O movimento hip-hop já foi muito marginalizado e ainda é. Estar aqui hoje mostra que as coisas estão evoluindo e sendo vistas da forma certa”, disse.
Com quatro anos de experiência em batalhas, Black Sun explicou que a preparação vai além do improviso. “O MC precisa estudar. A gente analisa o ambiente, pesquisa referências do local para conseguir se comunicar melhor com o público. A plateia é quem recebe a mensagem, então precisamos emitir essa ideia com clareza”, explicou.
A coordenadora das Bibliotecas da FCP nas Usinas da Paz, Suzana Tota, ressaltou que a ação também marcou um momento inédito para o espaço. “É a primeira vez que uma batalha de rima é realizada aqui na Biblioteca Arthur Vianna. Esse movimento já ocorre nos bairros de Belém há muitos anos, e trazer isso para cá é uma forma de democratizar esse conhecimento e integrar a cultura do hip-hop ao universo das bibliotecas”, enfatizou.
Para o público, a iniciativa também representa uma oportunidade de aproximação com diferentes linguagens artísticas. A advogada e produtora cultural Renata Coelho, de 29 anos, destacou a importância da diversidade na programação. “Essa mistura é muito importante. A pessoa vem para a batalha de rima e acaba conhecendo o cinema, o teatro, a própria biblioteca. É uma forma de atrair quem não frequenta esses espaços e mostrar outras formas de leitura e arte”, avaliou a advogada.
Renata também destacou o caráter educativo das batalhas. “Hoje, os MCs precisam estudar, acompanhar os fatos sociais. A batalha trabalha com versos, estrofes, construção de pensamento. É uma forma de atualizar a poesia e mostrar que a literatura vai além do modelo clássico que a gente aprende na escola”, completou.
Texto: Matheus Maciel /comunicação FCP

