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ALEITAMENTO MATERNO

Santa Casa realiza I Jornada do Banco de Leite Humano para fortalecer rede de doação no Pará

Evento integra a programação do V Congresso da instituição no Hangar e reúne especialistas para debater avanços técnicos e o papel terapêutico do aleitamento materno

Por Etiene Andrade (SANTA CASA)
07/04/2026 14h54

Com painéis, palestras e mesas redondas que vão abordar temas sobre a doação de leite humano, o incentivo ao aleitamento materno e a garantia dos direitos de mulheres e crianças à saúde, a I Jornada do Banco de Leite Humano da Santa Casa ocorrerá nos dias 16 e 17 de abril, como parte da ampla programação do V Congresso da Santa Casa que será realizado no Hangar em Belém, no período de 15 a 17 de abril. 

O objetivo, segundo a organização, é  o fortalecimento da cultura da doação e a ampliação do conhecimento técnico-científico sobre o tema, além da sensibilização dos profissionais de saúde, gestores e a sociedade sobre a importância do leite humano como um recurso essencial para a sobrevivência e o desenvolvimento de recém-nascidos, especialmente os mais vulneráveis. 

“Além de promover a atualização sobre boas práticas no manejo, coleta, processamento e distribuição do leite humano, a Jornada também busca integrar diferentes áreas do cuidado, estimulando a atuação interdisciplinar e o compromisso coletivo com a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno”, afirma a gerente do Banco de Leite Humano da Santa Casa do Pará, Cynara Souza, que considera a realização do evento, juntamente com o Congresso da Santa Casa, uma estratégia importantes para dar mais visibilidade ao tema dentro de um espaço de discussão científica e assistencial já reconhecido.

“Isso permite que a pauta da doação de leite humano ganhe ainda mais relevância, alcance um público maior e se conecte diretamente com profissionais que atuam na linha de cuidado materno-infantil. Além disso, inserir a Jornada nesse contexto fortalece parcerias, estimula a troca de experiências e contribui para a qualificação da assistência prestada, impactando diretamente na redução da morbimortalidade neonatal e na promoção de um cuidado mais humano, seguro”, conclui Cynara.

A I Jornada do Banco de Leite Humano da Santa Casa vai reunir especialistas, profissionais, estudantes, voluntários e outros interessados no tema de utilidade pública da doação de leite humano, que mobiliza instituições e a sociedade  para a garantia de um início de vida mais saudável para recém-nascidos de baixo peso e prematuro internados em UTIs em todo o Brasil e vários países do mundo.

A engenheira Arielly Assunção se identificou com a causa da doação de leite humano a partir de uma campanha e se tornou doadora e ativista da causa após o nascimento de seu segundo filho. Ela vai participar da mesa redonda “Intersetorialidade na doação de leite humano: Desafios e Perspectivas” falando sobre o papel das doadoras e outros cidadãos e cidadãs em prol da doação de leite humano.

“Estou muito feliz e animada e acredito ser muito importante o engajamento da sociedade para o tema pois é uma ação em prol da saúde pública. A doação de leite humano salva vidas ainda muito frágeis e todo esse cuidado e afeto repercute a vida toda. Estou muito feliz por ser representante das doadoras e poder dar voz a todas as que doam e auxiliam tantos bebês e famílias a ter uma linda vida pela frente”, afirma.

A médica neonatologista e doutora em pediatria, Rossiclei Pinheiro, preside o departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatra e estará presente na Jornada com a palestra “Nbcal na prática: Proteção do leite humano frente aos conflitos de interesse no cuidado”, que abordará a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) e o controle do uso indiscriminado de fórmulas infantis dentro das instituições que atendem bebê de alto risco. Rossiclei Pinheiro espera que a jornada fortaleça o papel  dos bancos de leite humano, que segundo ela é uma das políticas públicas mais eficazes na redução da morbimortalidade neonatal.

“Os bancos de leite têm um papel rigoroso no controle da qualidade do leite doado, então para isso a gente precisa garantir que as mães que têm os bebês também, não somente para o filho dela, mas, se tiver um leite excedente, fazer a doação para outros bebês. e lembrar que a doação de leite materno é um ato de solidariedade. Uma única doadora pode beneficiar vários recém-nascidos internados, especialmente aqueles que não podem ser amamentados pela própria mãe temporariamente. Então, doar leite é transformar o excesso em cuidado. É uma estratégia maravilhosa a gente combinar o acolhimento junto com o suporte para que haja mais doação de leite materno para os UTIs neonatais”, ressalta a médica, que também cita algumas das vantagens do leite humano para a saúde dos bebês. 

“A gente sabe que o leite humano é um insumo biológico essencial, especialmente para aqueles bebês que necessitam ficar internados na UTI neonatal como os prematuros de alto risco. Então, é importante estimular a amamentação o mais precoce possível, orientar as famílias e dizer para eles que o leite humano para esse bebê como alimento é uma intervenção terapêutica, mais do que alimentar, nós estamos tratando os bebês, porque vai reduzir as infecções, como a enterocolite necrosante, vai diminuir o tempo de internação desses bebês, vai melhorar o desenvolvimento neurológico e vai impactar diretamente na sobrevida desses bebês que ficam internados na UTI”, conclui.

Serviço:

 A I Jornada do Banco de Leite Humano da Santa Casa acontecerá nos dias 16 e 17 de abril  dentro do V Congresso da Santa Casa no Hangar Centro de Convenções em Belém. Para mais informações e/ou inscrição acesse o site: vcongresso2026.santacasa.pa.gov.br