Governo realiza Reunião Preparatória para Oficina de Tradução dos conteúdos do SJREDD+ para consultas indígenas
Reunião em Belém reuniu tradutores indígenas e lideranças para alinhar conteúdos e estratégias de consulta em diferentes línguas
O Governo do Pará realizou, nos dias 18 e 19 de abril, em Belém, a Reunião Preparatória para a Oficina de Tradução dos conteúdos do Sistema Jurisdicional de REDD+ (SJREDD+) voltados às Consultas Livres, Prévias e Informadas (CLPIs) indígenas. A atividade integrou a programação da Semana dos Povos Indígenas e foi organizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), pela Secretaria dos Povos Indígenas (Sepi) e pela Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa).
A iniciativa teve como objetivo dialogar com tradutores indígenas das nove etnorregiões que serão consultadas sobre o SJREDD+, além de apresentar os conteúdos que serão traduzidos e adaptados em 11 línguas, respeitando as especificidades culturais de cada povo. O encontro também buscou reunir propostas sobre os recursos didáticos mais adequados para a realização das consultas nos territórios.
Durante os dois dias de programação, foram apresentados temas como mudanças climáticas, funcionamento do SJREDD+, salvaguardas socioambientais, mecanismos de repartição de benefícios e os próximos passos do processo de consulta.
Construção coletiva e participação indígena
A reunião marca o início da execução do Plano de Consulta indígena para o SJREDD+, aprovado recentemente no Comitê Gestor do Sistema Estadual sobre Mudanças Climáticas (COGES-Clima), conforme a Resolução nº 19/2025 da Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+). O instrumento também segue as diretrizes da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que assegura o direito dos povos indígenas e comunidades tradicionais à consulta livre, prévia e informada.
Durante a programação, lideranças indígenas destacaram a importância da construção coletiva e do acesso à informação clara nos territórios.
O secretário da Federação dos Povos Indígenas do Pará, Isaías Crixi Munduruku, do povo Munduruku do Alto Tapajós, ressaltou a participação ativa das comunidades. “Participamos dessas oficinas para discutir nossos projetos e definir como queremos ser consultados. Agora, avançamos na preparação da tradução do material, que será utilizado nas consultas nos territórios, respeitando cada língua e cada povo”, afirmou.
A presidente dos articuladores da Fepipa, Concita Sompré, destacou a importância do acesso à informação. “Estamos em um momento importante de preparação para as consultas, que são um direito dos povos indígenas. Esse processo precisa chegar de forma clara às comunidades, inclusive nas próprias línguas. A Fepipa segue contribuindo para que esse diálogo aconteça de forma efetiva nos territórios”, disse.
A cacique Tuxati Parkatêjê, da aldeia Tukuruti, do povo Gavião, na Terra Indígena Mãe Maria, enfatizou a relevância da escuta. “A consulta é muito importante porque, muitas vezes, é difícil chegar aos territórios. Esse é o momento em que podemos falar no nosso tempo, respeitando a cultura e a realidade de cada povo, pensando no presente e no futuro”, afirmou.
A secretária adjunta de Gestão de Águas e Clima da Semas, Renata Nobre, reforçou a importância da etapa preparatória. “Esse momento é fundamental para garantir que as consultas ocorram de forma qualificada e respeitosa. Estamos construindo, junto com os povos indígenas, as condições necessárias para que a informação chegue de maneira acessível, considerando as diferentes línguas, culturas e realidades. Isso assegura a participação e a legitimidade na implementação do REDD+ no Pará”, destacou.

