Dinâmica lúdica estimula reconhecimento das emoções no Hospital Octávio Lobo
Atividade com crianças da classe hospitalar da unidade reforça acolhimento e desenvolvimento emocional durante o tratamento oncológico
Uma ação extensionista realizada no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em parceria com acadêmicos voluntários do curso de Psicologia da Faculdade Estácio, promoveu uma experiência de acolhimento e aprendizado na Classe Hospitalar Professor Roberto França, na tarde da última terça-feira (28). A iniciativa utilizou o “Jogo das Emoções” para estimular, de forma leve e educativa, o reconhecimento e a expressão de sentimentos como alegria, tristeza, raiva e ansiedade.
O psicólogo do Hospital Octávio Lobo, Thiago Pinheiro, acompanhou toda a ação e destaca que o reconhecimento das emoções é fundamental para o desenvolvimento infantil, especialmente no contexto hospitalar. Segundo ele, a infância é um período marcado por mudanças e descobertas, e a capacidade de identificar sentimentos como raiva, medo ou tristeza contribui para a adesão ao plano terapêutico. “No ambiente hospitalar, isso é ainda mais importante, porque há alterações na rotina e no corpo que podem confundir a criança e impactar o tratamento. Quando o paciente reconhece o que sente, ele consegue lidar melhor com o tratamento e criar vínculos com a equipe de saúde”, explicou.
Dividida em etapas, a ação incluiu apresentação lúdica, exercícios com estímulos visuais e expressões faciais, além de dinâmicas interativas com cartões ilustrativos, mímicas e situações do cotidiano. A proposta utilizou princípios de aprendizagem ativa e reforço positivo, com elogios e recompensas simbólicas para incentivar a participação das crianças.
Além de contribuir para o desenvolvimento emocional, a ação reforça a importância da humanização no ambiente hospitalar. Para a coordenadora do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Hoiol, Natacha Cardoso, iniciativas como essa estão alinhadas à Política Nacional de Humanização (PNH) e ao direito à continuidade do processo de escolarização durante o tratamento. “A humanização está em adaptar o cuidado às necessidades de cada criança, considerando aspectos biológicos, emocionais e sociais”, afirmou.
A atividade ofereceu um espaço seguro para que as crianças compreendam melhor os sentimentos, especialmente em um contexto delicado como o da hospitalização. A acadêmica de psicologia Carla Santana explica que a proposta surgiu a partir de uma disciplina que incentiva intervenções em comunidades. “A ideia foi proporcionar acolhimento e ajudar as crianças a entender melhor o que sentem, já que emoções como ansiedade e tristeza podem ser difíceis de identificar nessa fase”, destacou.
Carla destaca que o “Jogo das Emoções” proposto superou as expectativas da equipe, permitindo que as crianças expressassem suas vivências de forma significativa. O que mais chamou atenção foi a receptividade da criançada. “Foi muito benéfico, a gente conseguiu conduzir a atividade e o olhar e a alegria com que eles nos receberam foram marcantes”, disse. Para a futura psicóloga, a experiência foi transformadora e contribui diretamente para a qualificação profissional. “É uma experiência única, que vai ficar eternizada na nossa formação e na nossa vida”, concluiu.
Ao final, os participantes compartilharam experiências e percepções, em um momento marcado por interação, leveza e acolhimento. Wanderley Couto, de 8 anos, em tratamento contra leucemia tipo B, participou da atividade de forma entusiasmada. Entre as emoções trabalhadas, encantou-se pela alegria. O menino destacou que achou divertido brincar com expressões e mímicas e afirmou ter aprendido os nomes das emoções apresentadas durante a atividade. “Eu gostei mais da alegria, até falei que queria ser esse sentimento. Foi muito divertido brincar assim. Aprendi os nomes das emoções e ainda ganhei um cartão da alegria e bombom”, contou.
Já o estudante da classe Adrian Lima, 11 anos, em tratamento contra a leucemia, disse que gostou de entender mais sobre o tédio. “Foi divertido brincar, aprender com os cartões e entender mais sobre os sentimentos, como o tédio e a sensação de preguiça. Quando eu fico internado, ou não tenho nada para fazer, eu sinto isso, mas não sabia o nome”, relatou.
A Classe Hospitalar Professor Roberto França é resultado da cooperação técnica do Hoiol com a Coordenadoria de Educação Especial (Coes), da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O ambiente assegura um atendimento pedagógico individualizado e, para a professora da classe, Elvira dos Santos, a atividade proposta teve grande adesão, principalmente por dialogar com o universo infantil. “As crianças se envolveram facilmente, porque o tema faz parte do imaginário delas. Isso facilita a compreensão e o aprendizado sobre as emoções”, afirmou.
“É nosso dever garantir que as políticas públicas que norteiam os direitos das crianças e adolescentes, como a Lei de Educação Básica (LDB) e as Leis de Assistência Oncológica, sejam aplicadas. E o brincar tem grande importância no desenvolvimento cognitivo. Muitas vezes, o que a criança não consegue expressar com palavras, ela expressa brincando”, completou Natacha Cardoso.
Serviço - Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é referência na região Norte no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária de 0 a 19 anos. A unidade é gerenciada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
Texto: Ascom Hoiol

