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Dinâmica lúdica estimula reconhecimento das emoções no Hospital Octávio Lobo

Atividade com crianças da classe hospitalar da unidade reforça acolhimento e desenvolvimento emocional durante o tratamento oncológico

Por Ascom Sespa (SESPA)
29/04/2026 15h32
Crianças da classe hospitalar participam de dinâmica lúdica que estimula o reconhecimento das emoções durante o tratamento no Hospital Octávio Lobo

Uma ação extensionista realizada no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em parceria com acadêmicos voluntários do curso de Psicologia da Faculdade Estácio, promoveu uma experiência de acolhimento e aprendizado na Classe Hospitalar Professor Roberto França, na tarde da última terça-feira (28). A iniciativa utilizou o “Jogo das Emoções” para estimular, de forma leve e educativa, o reconhecimento e a expressão de sentimentos como alegria, tristeza, raiva e ansiedade.

O psicólogo do Hospital Octávio Lobo, Thiago Pinheiro, acompanhou toda a ação e destaca que o reconhecimento das emoções é fundamental para o desenvolvimento infantil, especialmente no contexto hospitalar. Segundo ele, a infância é um período marcado por mudanças e descobertas, e a capacidade de identificar sentimentos como raiva, medo ou tristeza contribui para a adesão ao plano terapêutico. “No ambiente hospitalar, isso é ainda mais importante, porque há alterações na rotina e no corpo que podem confundir a criança e impactar o tratamento. Quando o paciente reconhece o que sente, ele consegue lidar melhor com o tratamento e criar vínculos com a equipe de saúde”, explicou.

Dividida em etapas, a ação incluiu apresentação lúdica, exercícios com estímulos visuais e expressões faciais, além de dinâmicas interativas com cartões ilustrativos, mímicas e situações do cotidiano. A proposta utilizou princípios de aprendizagem ativa e reforço positivo, com elogios e recompensas simbólicas para incentivar a participação das crianças.

Além de contribuir para o desenvolvimento emocional, a ação reforça a importância da humanização no ambiente hospitalar. Para a coordenadora do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Hoiol, Natacha Cardoso, iniciativas como essa estão alinhadas à Política Nacional de Humanização (PNH) e ao direito à continuidade do processo de escolarização durante o tratamento. “A humanização está em adaptar o cuidado às necessidades de cada criança, considerando aspectos biológicos, emocionais e sociais”, afirmou.

Dinâmica promoveu acolhimento e fortalecimento do desenvolvimento emocional de pacientes em tratamento oncológico

A atividade ofereceu um espaço seguro para que as crianças compreendam melhor os sentimentos, especialmente em um contexto delicado como o da hospitalização. A acadêmica de psicologia Carla Santana explica que a proposta surgiu a partir de uma disciplina que incentiva intervenções em comunidades. “A ideia foi proporcionar acolhimento e ajudar as crianças a entender melhor o que sentem, já que emoções como ansiedade e tristeza podem ser difíceis de identificar nessa fase”, destacou.

Carla destaca que o “Jogo das Emoções” proposto superou as expectativas da equipe, permitindo que as crianças expressassem suas vivências de forma significativa. O que mais chamou atenção foi a receptividade da criançada. “Foi muito benéfico, a gente conseguiu conduzir a atividade e o olhar e a alegria com que eles nos receberam foram marcantes”, disse. Para a futura psicóloga, a experiência foi transformadora e contribui diretamente para a qualificação profissional. “É uma experiência única, que vai ficar eternizada na nossa formação e na nossa vida”, concluiu.

Ao final, os participantes compartilharam experiências e percepções, em um momento marcado por interação, leveza e acolhimento. Wanderley Couto, de 8 anos, em tratamento contra leucemia tipo B, participou da atividade de forma entusiasmada. Entre as emoções trabalhadas, encantou-se pela alegria. O menino destacou que achou divertido brincar com expressões e mímicas e afirmou ter aprendido os nomes das emoções apresentadas durante a atividade. “Eu gostei mais da alegria, até falei que queria ser esse sentimento. Foi muito divertido brincar assim. Aprendi os nomes das emoções e ainda ganhei um cartão da alegria e bombom”, contou.

Atividade conduzida em parceria com acadêmicos de Psicologia utilizou jogos e mímicas para trabalhar sentimentos como alegria, tristeza e raiva no ambiente hospitalar

Já o estudante da classe Adrian Lima, 11 anos, em tratamento contra a leucemia, disse que gostou de entender mais sobre o tédio. “Foi divertido brincar, aprender com os cartões e entender mais sobre os sentimentos, como o tédio e a sensação de preguiça. Quando eu fico internado, ou não tenho nada para fazer, eu sinto isso, mas não sabia o nome”, relatou.

A Classe Hospitalar Professor Roberto França é resultado da cooperação técnica do Hoiol com a Coordenadoria de Educação Especial (Coes), da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O ambiente assegura um atendimento pedagógico individualizado e, para a professora da classe, Elvira dos Santos, a atividade proposta teve grande adesão, principalmente por dialogar com o universo infantil. “As crianças se envolveram facilmente, porque o tema faz parte do imaginário delas. Isso facilita a compreensão e o aprendizado sobre as emoções”, afirmou.

“É nosso dever garantir que as políticas públicas que norteiam os direitos das crianças e adolescentes, como a Lei de Educação Básica (LDB) e as Leis de Assistência Oncológica,  sejam aplicadas. E o brincar tem grande importância no desenvolvimento cognitivo. Muitas vezes, o que a criança não consegue expressar com palavras, ela expressa brincando”, completou Natacha Cardoso.

Atividade conduzida em parceria com acadêmicos de Psicologia utilizou jogos e mímicas para trabalhar sentimentos como alegria, tristeza e raiva no ambiente hospitalar

Serviço - Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é referência na região Norte no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária de 0 a 19 anos. A unidade é gerenciada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Texto: Ascom Hoiol