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EXEMPLO E ADMIRAÇÃO

Mãe e filha dividem na Polícia Militar do Pará a missão de servir e proteger a sociedade

História de amor, dedicação e resiliência dentro e fora do quartel se torna referência nas comemorações pelo Dia das Mães na corporação

Por André Macedo (PMPA)
10/05/2026 10h09
3º sargento Janete Abreu e soldado Thamires Abreu: no olhar de admiração e respeito, trajetórias que se complementam nas fileiras da PM do Pará

O ajuste na farda antes de iniciar o dia de trabalho se tornou um ritual familiar. De um lado, a 3º sargento Janete Abreu, do Comando de Missões Especiais (CME), com 16 anos de corporação. Do outro, a filha, soldado Thamires Abreu, do 5º BPM, no município de Castanhal, formada na turma do Curso de Formação de Praças 2025 (CFP/2025). Mãe e filha hoje dividem uma rotina que vai além do vínculo familiar: compartilham a missão de servir e proteger a sociedade paraense.

A trajetória da sargento Janete na Polícia Militar é marcada por recomeços. Casada por 12 anos, mãe de cinco filhos - Richard, David, Thamires e os gêmeos Cauã e Cauê -, ela viu sua vida mudar de rumo quando o casamento terminou. Um ano depois, Janete foi aprovada no concurso da PM.

O curso de formação a levou para o Polo de Marabá, e a afastou dos filhos por um ano. “Foi o período mais difícil. Mas a Polícia foi minha tábua de salvação”, afirma. Após a formatura, ela voltou para buscar as crianças, e iniciou a carreira militar lotada no 4º BPM.

Integrados à rotina - No Batalhão, os filhos se tornaram parte da rotina profissional. “Enquanto eu tirava serviço de guarda, eles jogavam bola no quartel e assistiam, admirados, às instruções do Tático”, conta Janete. Três anos depois, com apoio dos pais, retornou a Belém. O objetivo sempre foi “educar e oferecer a eles um ambiente saudável, para que não passassem pelas dificuldades que enfrentei”.

Hoje, aos 16 anos de serviço, Janete vê a missão de mãe se misturar ao orgulho profissional. Dois dos cinco filhos seguiram a carreira militar: o mais velho, soldado Abreu Paiva, e a terceira filha, soldado Thamires. “Ver meus filhos conquistando seus espaços tão cedo me traz uma alegria imensa e a certeza de que toda a luta valeu a pena. É um sentimento de vitória, de dever quase cumprido”, diz a sargento.

Para a soldado Thamires, a escolha foi natural. “Minha mãe sempre foi uma mulher forte e admirável. É afeto, é cuidado, é aquela palavra amiga nos dias difíceis. A pessoa mais resiliente que já conheci. Mesmo diante das dificuldades, nunca se deixou abalar. Usou tudo como combustível pra continuar”, relata.

Admiração - Crescer vendo a mãe exercer a profissão “com muita dignidade e excelência” despertou na filha o desejo de vestir a mesma farda. “Eu queria poder retribuir o orgulho que sentia dela. Queria que ela me visse da mesma forma como a vejo: com olhar de orgulho e admiração”, declara Thamires.

Hoje, recém-formada, ela carrega os ensinamentos aprendidos em casa. “Como mãe e profissional, ela sempre foi meu maior exemplo. Levo comigo a força, a coragem, a empatia e a dedicação que aprendi vendo ela todos esses anos. Carrego o melhor dela comigo. É uma honra seguir os mesmos passos”, completa a soldado.

No Dia das Mães, a sargento Janete manifesta sua admiração e respeito às mães militares. "As senhoras carregam muitas missões, e a mais nobre delas é ser mãe. Não existe graça maior do que encaminhar para a vida homens e mulheres que construirão uma sociedade melhor!”, ressalta.

Entre escalas, ocorrências e o cuidado com a família, mãe e filha provam que a farda fortalece a maternidade, transformando o exemplo de uma em legado para a outra.