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ECONOMIA CIRCULAR

No Dia Mundial da Reciclagem, a Semas destaca a economia circular e a gestão de resíduos no Pará

Apoio às cooperativas, logística reversa do vidro e entrega de equipamentos, mostram como a reciclagem impulsiona a renda e a sustentabilidade

Por Arthur Sobral (SEMAS)
17/05/2026 08h44
Atuação cooperativas tem o apoio institucional do governo estadual e contribuem para a gestão de resíduos sólidos

No Dia Mundial da Reciclagem celebrado, no sábado (17), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) reforça uma agenda que vem transformando a gestão de resíduos sólidos no Pará em uma política pública conectada à economia circular, à inclusão produtiva e ao desenvolvimento sustentável. A partir do apoio às cooperativas, da entrega de equipamentos, do fortalecimento da logística reversa e de parcerias com municípios, empresas e organizações sociais, o Governo do Pará amplia a capacidade de coleta, triagem, reaproveitamento e destinação correta de materiais recicláveis em diferentes regiões do Estado.

A estratégia parte de uma lógica central da economia circular: reduzir o descarte, valorizar os resíduos como matéria-prima e reinserir materiais no ciclo produtivo. Na prática, isso significa estruturar cooperativas, melhorar as condições de trabalho dos catadores, ampliar a coleta seletiva e criar caminhos para que vidro, plástico, papel, papelão e outros recicláveis deixem de ser tratados como lixo e passem a gerar valor econômico, social e ambiental.

Um dos principais exemplos desse avanço está na cadeia da reciclagem do vidro. Levantamento da Cooperativa ReciclAssu, de Igarapé-Açu, em parceria com a rede de cooperativas, aponta, que entre maio de 2024 e fevereiro de 2026, foram recicladas 249,06 toneladas de vidro, com impacto estimado de 119.548,80 kWh de economia de energia, redução de 132 toneladas de emissões de gases de efeito estufa e economia de 298,87 toneladas de matéria-prima.

A ReciclAssu recebeu o triturador Moinho Formiga, equipamento que ganhou visibilidade durante a COP30, em novembro de 2025, ao ser exibido no Espaço do Catador, na En-Zone, em Belém. A tecnologia transforma garrafas de vidro em cacos, reduz o volume do material, facilitando o armazenamento e o transporte, fortalecendo a logística reversa, permitindo que o vidro retorne com mais agilidade à cadeia produtiva.
 
Para o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, os resultados da ReciclAssu mostram como a reciclagem pode se tornar um instrumento concreto de economia circular.

“Quando olhamos para os dados da reciclagem do vidro, conseguimos enxergar de forma muito clara o que significa economia circular na prática. O vidro que antes poderia ser descartado de forma inadequada passa a retornar para a cadeia produtiva, reduzindo a extração de matéria-prima, economizando energia, evitando emissões e gerando renda para cooperativas e catadores. A Semas tem atuado para estruturar essa cadeia com equipamentos, parcerias e apoio técnico, porque reciclagem eficiente também é política climática, ambiental e social”, destaca Rodolpho Zahluth Bastos.

Os dados da ReciclAssu demonstram que a economia circular gera benefícios mensuráveis. Ao ser reciclado, o vidro reduz a necessidade de novos insumos, diminui o consumo de energia na produção industrial e evita emissões de gases de efeito estufa. Além do ganho ambiental, a cadeia fortalece o trabalho das cooperativas, que passam a operar com mais eficiência, maior capacidade de armazenamento e melhores condições de comercialização dos materiais.

Segundo a Semas, antes da estruturação da ReciclAssu, a montagem de uma carga de 30 toneladas de vidro podia levar até dois dias de trabalho. Com o triturador, uma carga com mais de 53 toneladas foi preparada em apenas 1h30min. A Secretaria também informou que mais de 115 toneladas de vidro já haviam sido destinadas corretamente à logística reversa por meio da ReciclAssu, da Concaves e de municípios parceiros.

Para Carol Magalhães, presidente do Instituto de Desenvolvimento Amazônia Sustentável, o trabalho desenvolvido com a ReciclAssu e com as cooperativas parceiras mostra que a economia circular depende de articulação e continuidade.

“Quando o vidro deixa de ser tratado como lixo e passa a ser visto como matéria-prima, nós mudamos toda a lógica da cadeia. A economia circular mostra que é possível reduzir impactos ambientais, gerar renda e fortalecer comunidades ao mesmo tempo. O trabalho desenvolvido com as cooperativas mostra que, com apoio técnico, equipamentos adequados e articulação entre governo, setor privado e sociedade civil, a reciclagem deixa de ser uma ação isolada e passa a fazer parte de uma estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia”, afirma Carol Magalhães.

A Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis (Concaves) integra essa rede de fortalecimento da logística reversa do vidro. Para Débora Baía, presidente da cooperativa, os investimentos em equipamentos e articulação institucional ajudam a transformar o trabalho dos catadores em uma etapa cada vez mais reconhecida da economia circular.

“Para quem está na ponta, cada equipamento faz diferença. O triturador, a prensa, a esteira e os EPIs ajudam a organizar melhor o trabalho, reduzem o esforço físico e aumentam a quantidade de material que conseguimos preparar para a destinação correta. Isso melhora a renda, dá mais segurança para os catadores e mostra para a sociedade que a reciclagem é uma atividade reconhecida como profissão desde 2002 e é essencial para a cidade, para o meio ambiente e para a economia circular”, ressalta Débora Baía.

Importante destacar, ainda, que outras Cooperativas de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis estão sendo atendidas como em Salinópolis, a Cooperativa de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Salinópolis (COOPRESAL), que recebeu uma prensa hidráulica de 35 toneladas, 1 triturador de vidro, além de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e a Cooperativa de Catadores de Resíduos Sólidos de Marabá (COREMA), que ganhou uma presa hidráulica de 35 toneladas.
 
Várias outras Cooperativas de Recicladores e Recicladoras de materiais já foram visitadas no estado e a Semas está na fase de tratativas com os possíveis parceiros apoiadores, como também, fortalecendo as prefeituras na Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos nos municípios paraenses.
   
Economia circular nos territórios turísticos

Além da experiência da ReciclAssu e da visibilidade alcançada durante a COP30, a Semas também ampliou ações de economia circular em territórios turísticos, onde o fluxo de visitantes aumenta a geração de resíduos e exige soluções permanentes de coleta, triagem, armazenamento e destinação correta.

Na APA Algodoal-Maiandeua, na ilha de Maiandeua, em Maracanã, a Semas entregou 2 trituradores de vidro e 105 bombonas para apoiar a destinação correta de resíduos sólidos nas Vilas de Fortalezinha, Mocooca, Nazaré, Camboinha e Algodoal. A iniciativa foi pensada para reduzir o acúmulo de garrafas em uma área de grande fluxo turístico e ampliar a capacidade de armazenamento e transporte do vidro triturado para a logística reversa.

Em Salvaterra, no Marajó, a Semas entregou à Cooperativa Cata Salvaterra uma estrutura composta por prensa hidráulica de 35 toneladas, triturador de vidro, empilhadeira, esteira separadora de 10 metros, dois carrinhos carregadores de resíduos, um tuk-tuk e 50 EPIs. A entrega fortalece a coleta, triagem, transporte e destinação correta dos recicláveis, especialmente em uma região turística, onde o aumento do fluxo de visitantes também amplia a geração de resíduos.

Na capital Belém, a Semas também viabilizou a entrega de 1.335 equipamentos para fortalecer a gestão de resíduos em Belém, sendo 1.225 coletores e 110 caçambas metálicas, por meio de acordo de cooperação socioambiental firmado entre o Governo do Pará, por meio da Semas, e a Hydro.

“O Dia Mundial da Reciclagem é uma oportunidade para reconhecer o papel dos catadores e das cooperativas, mas também para reafirmar que o poder público precisa criar as condições para que essa cadeia funcione. Quando fortalecemos a reciclagem, fortalecemos também a economia circular, porque ajudamos a transformar resíduos em oportunidade, renda e proteção ambiental. Esse é um caminho essencial para o Pará avançar com sustentabilidade e inclusão”, conclui Rodolpho Zahluth Bastos.