Atuação da Emater em Oeiras do Pará vira conteúdo de livro didático na rede municipal
Publicação aborda questões como consciência ambiental e agroecologia, a valorização dos territórios pluriversos, os saberes tradicionais e científicos
O trabalho da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Oeiras do Pará, acaba de virar conteúdo do primeiro livro didático regionalizado da rede pública de ensino do município.
Neste semestre letivo, no âmbito do Projeto Raízes, da Prefeitura, 11 mil exemplares dos dois volumes da publicação “Oeiras do Pará - Território, Memória e Saberes do Campo, das Águas e das Florestas”, da Editora Royal, estão sendo distribuídos pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) em 57 escolas da zona rural e urbana, incluindo territórios quilombolas e comunidades ribeirinhas. A autoria é de cinco professores da ativa, que ministram as disciplinas de Geografia, História e Língua Portuguesa.
Alguns dos destaques constantes nas páginas são as experiências bem-sucedidas do escritório local da Emater, como o incentivo a mães solo agricultoras e a aplicação de crédito rural na cadeia produtiva do açaí, e a importância das políticas públicas pela parceria de Gestão Municipal e Governo do Estado com foco no desenvolvimento sustentável da Amazônia paraense.
“A proposta dessa obra pioneira é o usufruto multidisciplinar, na verdade, com todos os desdobramentos possíveis dos componentes curriculares. Abordamos questões amplas como consciência ambiental e agroecologia, para significação e ressignificação de pertencimento étnico, valorização dos territórios pluriversos, produção recíproca de conhecimento, diálogo com os saberes tradicionais e atualização científica”, explica um dos autores, o professor de Língua Portuguesa, Hamilton Miranda, mestre em Letras.
Miranda aponta a instrumentalidade diferenciada de um livro didático municipalizado na assimilação de informações e construção de debates com os quais os alunos se sentem próximos e sobretudo representados, em comparação aos livros didáticos convencionais.
“Estamos acostumados a livros didáticos com referências do sul e sudeste do Brasil. Já o que esse livro oferece é o que existe na realidade, no dia a dia e nos sonhos e planos dos nossos alunos. Eles reconhecem a própria identidade, a própria linguagem. Os assuntos e temas refletem o interesse imediato da nossa população e este processo não é só cognitivo: é sociocultural, empoderador, transforma vidas e transforma coletivamente”, diz o professor Hamilton.
Políticas Públicas
O chefe do escritório local da Emater em Oeiras, o engenheiro agrônomo Manoel Benedito Azevedo, especialista em Gestão Sustentável de Recursos Naturais e Comercialização Rural na Amazônia, ressalta a oportunidade da divulgação estratégica: “Ficamos muito felizes com o reconhecimento. Estarmos inseridos na literatura é não apenas uma honra: agora, mais do que nunca, é a comunicação em todo o município do que realizamos, não só entre o nosso público prioritário, do interior. O que a Emater promove tem impacto em todas as instâncias de funcionamento e vivência do município, porque é a política pública concretizada e direitos alcançados de produção, segurança alimentar, abastecimento, cidadania e dignidade s”, resume.
Além de Azevedo, compõem a equipe da Emater em Oeiras do Pará a pedagoga, técnica em agricultura e técnica em agronegócio Andrezza Karoline Gonçalves, especialista em Prática Docente do Ensino Fundamental, e o piloto de voadeira Antônio Barreiros.
Em operação presencial há mais de 30 anos, o escritório da Emater atende com regularidade cerca de 600 famílias, nas principais atividades de plantio e beneficiamento de mandioca, manejo de açaizal nativo e pesca artesanal.
Sala de Aula
Na sala de aula, a expectativa do jovem Alex Marlons Duarte, de 14 anos, estudante do nono ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (E.M.E.F) Raimundo Arcanjo da Costa, no bairro Marapira, é grande.
“Quando fiquei sabendo do livro, me empolguei, porque eu prevejo como uma ferramenta que estreará novos caminhos para o nosso aprendizado: fará com que revivamos a história do nosso município e que os próprios habitantes fiquem sabendo sobre como o município se formou e o que se passa na atualidade. Acredito assim: a escrita serve para o ser humano preservar, registrar e passar adiante o conhecimento. Um livro que ensina ciências sociais com os exemplos de Oeiras protege, mantém e guarda a história de Oeiras”, acredita o morador do mesmo bairro. Duarte quer cursar faculdade de pedagogia ou de medicina, disse.
Texto: Aline Miranda

