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Museu da Santa Casa do Pará realiza evento dentro da Semana Nacional de Museus 

Fundado em junho de 1987, o museu da Santa Casa é um espaço de preservação de um valioso patrimônio científico, histórico e cultural do Estado

Por Samuel Mota (SANTA CASA)
20/05/2026 13h54

O Museu da Fundação Santa Casa do Pará recebeu nesta quarta-feira (20), servidores e usuários da instituição para celebrar a 24ª Semana Nacional de Museus, e para marcar a data foi realizada  uma roda de conversas com a temática “Visagens e Aparições na Santa Casa”, com a participação da escritora Maria de Fátima Carvalho, autora do livro “Visagens e assombrações de hospitais  públicos da Amazônia Paraense”. 

Arielle Souza, estudante de museologia da UFPA, e estagiária da Santa Casa, destaca que o Museu da Santa Casa fala de um espaço centenário. “É um pedaço desse espaço porque a Santa Casa em si, já é um museu e a gente entende hoje, dentro da perspectiva da nova museologia, que o museu não é só uma casa, só paredes, só objetos. Ele é também a relação das pessoas, da história delas e no contexto que ele está inserido e nesse caso, o Museu da Santa Casa, retrata em que espaço estamos imersos”.

“Aqui, nesse museu, a gente conta sobre muitos assuntos, fala sobre política, fala sobre apagamento de histórias, por exemplo, dos povos indígenas, dos povos escravizados. A gente fala sobre a questão de gênero, do fato, por exemplo, dos homens estarem no poder e as mulheres não chegarem. Então tudo isso já entra dentro dessa nova perspectiva, onde dentro do museu existe essa discussão. E o Museu da Santa Casa, hoje, ele vem dessa perspectiva”. 

“Essas histórias das visagens faladas no evento de hoje, por exemplo, são um exemplo clássico mesmo, do quanto que hoje no museu você pode falar também das relações que as pessoas têm. Isso é importante porque faz parte do cotidiano no caso de quem trabalha aqui, de quem passa por aqui. E o museu é justamente esse lugar, ele tem um caráter pedagógico, ele pode ter um caráter histórico, mas ele é um museu vivo, principalmente”, diz Arielle.

Maria de Fátima Carvalho, escritora formada em Letras, conta que foi servidora do hospital nos anos de 1990, e que a Santa Casa representa um pedaço da história de vida de muitas pessoas. “O meu livro é o resgate de uma memória que perpassa por três gerações e outros narradores, de memória e de coleta. Minha avó, minha mãe, e eu. São memórias que são expandidas em vários outros lugares como os hospitais Barros Barreto, Santa Casa, Beneficente Portuguesa, inclusive, como exemplo são as aparições do Dr. Camilo Salgado (médico falecido em 1938)”, relata.

“Histórias que vão passando de um para o outro e se perpetuando. E neste sentido o museu representa uma simbologia, uma simbologia histórica, digamos mística, religiosa, fantasmagórica, e até cômica, por conta de que tudo tem um trabalho de histórias por trás de histórias, resultando em uma ficção baseada na realidade ou não”, pontua a escritora.

Carlos Gonçalves, servidor da Fundação Santa Casa é historiador, e atualmente é o responsável pelo Museu da instituição, destaca que historicamente o espaço tem um patrimônio riquíssimo. “Além do acervo museológico, nós temos 15 coleções em exposição, temos também a parte de documentos históricos de 1807. Uma coleção imensa de livros também, antigos, onde tem toda uma memória de práticas médicas, farmacêuticas, instrumentais cirúrgicos, obstétricos, além de importantes teses de médicos renomados”, explica.

“Nas nossas coleções, nós temos a coleção sacra, farmacêutica, médica, práticas médicas, um acervo de móveis, medalhas, temos também teses, diversas cerâmicas, lápides, pratos de porcelanas que eram utilizados aqui, temos uma coleção de bustos de personagens, além de fotografias, pinturas. Tanto pinturas de imagens como aquelas xilogravuras. Uma ampla diversidade, a maioria delas, foi reunida no decorrer dos anos na própria Santa Casa. Ela representa um pouco da história da saúde na Amazônia”, completa Gonçalves.

“A função do museu é isso, é mostrar esse patrimônio da Santa Casa, todo esse acervo histórico, que nós temos produzido desde 1817. O Museu abre todos os dias, das 8h às 12h e das 14h às 18h, de segunda a sexta", avisa Gonçalves.

Para Erica Cavalcante, diretora de Ensino, Pesquisa e Extensão, “o Museu da Santa Casa preserva nossa história e nossa identidade, promovendo também a educação histórica sobre a medicina no nosso Estado. Assim, podemos entender nossas raízes, valorizar nosso passado e conectá-lo ao presente”. 

História - O Museu da Santa Casa do Pará foi fundado em junho de 1987 pelo médico Alípio Bordalo, e reinaugurado após uma ampla restauração, no final do ano de 2025, estando atualmente aberto à visitação de servidores, usuários e acompanhantes de usuários em atendimento no hospital. A expectativa da gestão é que futuramente o espaço possa ser usufruído por um público ainda mais amplo, tanto na visitação e observação do acervo interno, como por meio de eventos como aula e tour histórico.

A Santa Casa do Pará é uma das instituições de assistência à saúde mais antigas e importantes do Brasil, consolidando-se como referência centenária na Amazônia. 

Ao chegar ao Pará no meio do século XVII, a então Irmandade da Santa Casa de Misericórdia direcionava as suas ações para obras de caridade, incluindo cuidar de órfãos e enfermos e a manutenção de asilos e cemitérios.

Em 1808 agregou ao seu patrimônio o Hospital Senhor Bom Jesus do Pobres, construído por D. Frei Caetano Brandão em 1787, no Largo da Sé e, no final do século XIX, quando o estabelecimento já não atendia às necessidades da população, começou a ser construído no bairro do Umarizal um novo prédio.

Em 15 de agosto de 1900, ainda gerida pela Irmandade de Misericórdia, inaugurou sua sede no bairro do Umarizal, onde funciona até hoje. Tornou-se fundação estadual em abril de 1990, designada então como Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), um órgão público da assistência em saúde do Pará, que atende a população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente conta com um moderno complexo hospitalar, equipado com recursos de alta tecnologia, e mais de 3 mil servidores treinados para oferecer a melhor assistência à população.