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Fapespa e Instituto Serrapilheira apoiam pesquisadores negros e indígenas no Pará

Edital inédito fomenta bolsas de pós-doutorado e auxílio à pesquisa, para inserir cientistas de grupos historicamente marginalizados em posições de liderança acadêmica

Por Manuela Oliveira (FAPESPA)
29/05/2026 15h34

Visando apoiar bolsas de Pós-Doutorado e Auxílio Financeiro à Pesquisa no território do Estado do Pará, de pesquisadores pós-docs negros e indígenas, vinculados a uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) firmou o Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação - PD&I Nº 001/2024, com Instituto Serrapilheira, no ano de 2023. A parceria é fundamental para a representatividade e acesso a ciência de pesquisadores negros e indígenas em áreas estratégicas, como a Ecologia.

Esta inserção no mercado científico auxilia, diretamente, no preparo de pós-docs para que alcancem posições de liderança, como cargos de professores ou pesquisadores efetivos, diversificando assim o corpo docente das universidades brasileiras.

Com essa Chamada, a Fapespa fomentou bolsas e parte do recurso de auxílio à pesquisa, cabendo outra parte ao Instituto Serrapilheira. O valor total destinado do Acordo de Parceria foi de R$ 3.352.000,00. Desse total, a Fapespa dispôs de R$ 2.352.000,00 e o parceiro, o Instituto Serrapilheira, dispôs de R$ 1.000.000,00.

"O governo do Pará, através da nossa governadora Hana, é muito preocupado com a inclusão e a diversidade em todos os aspectos. A ciência, tecnologia e inovação não poderiam ficar de fora. Nesse contexto, a Fapespa buscou uma parceria com o Serrapilheira que, também, prega esses mesmos valores para que nós pudéssemos promover a inclusão na ciência através desse edital, que é dedicado especificamente para pesquisadores negros e indígenas, que no cenário mundial estão afastados das grandes publicações. Considerando que nós não temos a participação efetiva de negros e indígenas, mesmo na região amazônica. E a Fapespa, preocupada com isso, buscou essa parceria”, explicou o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.

Representatividade - A representatividade e o acesso promovem a inserção e a permanência de pesquisadores negros e indígenas em Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), garantindo que esses grupos historicamente marginalizados tenham as mesmas oportunidades de conduzir pesquisas de alto nível.

Ademais, a Fapespa também prioriza a importância da interiorização do fomento, pois ao financiar pesquisas dentro do território paraense, a parceria garante o desenvolvimento científico descentralizado, valorizando cientistas que atuam em regiões vitais para a biodiversidade e o futuro do país, conforme diretrizes do edital.  Assim, essa parceria configura um modelo de acordo que une o apoio financeiro da Fapespa à flexibilidade e ao fomento de projetos criativos e inovadores do Instituto Serrapilheira, incentivando a inovação e o pensamento crítico na ciência brasileira.

Projeto - Uma das propostas selecionadas foi o projeto intitulado “O que determina a sobrevivência das fases de vida de peixes nos ambientes berçários de estuários tropicais?”, coordenado pelo biólogo Jonata de Arruda Francisco.

Desenvolvido por meio de coletas peixes, amostras de água, Zooplancton e sedimentos em estuários amazônicos, o estudo visa compreender como processos ecológicos, especialmente, predação e competição, influenciam a estrutura das comunidades de peixes e a sobrevivência das diferentes fases de vida em estuários tropicais amazônicos, além de desenvolver ferramentas modernas para monitoramento ambiental e conservação.

As atividades de campo são executadas no rio Morcego em Primavera e rio Caeté em Bragança, ambas cidades do salgado paraense. Análises ambientais e aplicação de técnicas de DNA metabarcoding e eDNA são associadas a métodos ecológicos tradicionais. O projeto integra ecologia aquática, genética ambiental e monitoramento da biodiversidade da região.
Para o pesquisador Jonata Arruda, “O financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas foi essencial para viabilizar atividades de campo, análises genéticas, aquisição de insumos e fortalecimento da infraestrutura científica, além de contribuir, diretamente, para a formação de estudantes e pesquisadores na Amazônia”, relata.

Em 2026, o projeto avançou na ampliação das análises de DNA metabarcoding em estuários amazônicos, na integração de ferramentas portáteis de genética ambiental em campo, na geração de novos dados sobre interações tróficas e biodiversidade aquática, além do fortalecimento da formação de recursos humanos e da produção científica vinculada ao projeto, na região.

Segundo o biólogo amazônico, a importância de desenvolver o projeto selecionado é “porque amplia o conhecimento sobre os ecossistemas costeiros da Amazônia, fortalece estratégias de conservação e manejo pesqueiro sustentável, contribui para o monitoramento ambiental e promove o uso de tecnologias inovadoras aplicadas à biodiversidade aquática”, pontuou.

Instituto Serrapilheira – Instituição privada sem fins lucrativos, parceira da Fapespa, que promove a ciência no Brasil. Foi criado para valorizar o conhecimento científico e aumentar sua visibilidade, ajudando a construir uma sociedade cientificamente informada e que considera as evidências científicas nas tomadas de decisões.

“Esperamos que a Chamada tenha grandes submissões para que nós possamos cada vez mais dar voz, para que nós possamos dar espaço para que essas pessoas mostrem o seu talento, a qualidade de suas pesquisas. E com isso se insira, de uma vez por todas, no cenário científico mundial", finaliza Botelho.

Texto de Jeisa Nascimento, estagiária, sob supervisão da jornalista Manuela Oliveira, da Ascom/Fapespa