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Arquipélago do Marajó sedia dois torneios de leite de búfala

Até a próxima sexta-feira (3), programações simultâneas reúnem criadores marajoras e de outras regiões de integração. As competições são acompanhadas e apoiadas pela Sedap.

Por Rose Barbosa (SEDAP)
30/06/2026 17h55
A ordenha sendo realizada na Fazenda Paraíso, um dos locais de competição em Cachoeira do Ararai

Pelo décimo primeiro ano consecutivo, o arquipélago do Marajó sedia o Torneio Leiteiro Estadual de Búfalas do Marajó. Simultaneamente, ocorre o V Torneio Leiteiro de Búfala do município de Cachoeira do Arari. As programações iniciaram nesta terça-feira (30) e se estendem até a próxima sexta-feira (3). Os torneios contam com o apoio e acompanhamento da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) sendo realizados sob a organização da Associação Paraense dos Criadores de Búfalos e Fazendas Paraíso e a coordenação Técnica da Associação Rural da Pecuária do Pará (ARPP).

Além de fomentar a economia local com o incentivo à produção leiteira, os torneios servem de aprendizado e atividades práticas para os acadêmicos dos cursos de Zootecnia e Medicina Veterinária das instituições públicas e privadas que participam da programação. Eles atuam como fiscais das competições e estarão monitorando as pesagens nas 16 propriedades participantes dos torneios. São alunos das Escola Técnica de Salvaterra, Universidade da Amazônia (Unama), Centro Universitário Fibra e Universidade Federal Rural da Amazônia(Ufra).

A estudante da Ufra, Giovana Guimarães, acha importante para a vida profissional a participação no torneio

Entre as fiscais que acompanham a programação está Giovana Guimarães, que é aluna de Zootecnia da Ufra. Esta é a segunda vez que a estudante participa do torneio em Retiro Grande, vila do município de Cachoeira do Arari. Ela diz que a expectativa é alta para a programação, pois trata-se de uma oportunidade de aplicar no campo o que aprendeu na sala de aula. "A gente tem a prática, o convívio. Então todas essas experiências nos enriquecem como profissionais da área", disse.

Do outro lado dos torneios estão os produtores locais que acompanham tudo com bastante entusiasmo - dos principiantes aos veteranos. A criadora de búfalos e de bovinos de Retiro Grande, Maria das Dores Paixão, que trabalha também como merendeira em uma escola pública e com a venda de queijo e doce de leite,  participa pela primeira vez.  Disse que além de importante aos produtores locais, o torneio realizado especialmente em Cachoeira do Arari é necessário.

Pela primeira vez a propriedade da produtora Maria das Dores participa do torneio. A criadora de búfala acredita no potencial do torneio

"É um momento da gente divulgar o nosso trabalho, os nossos conhecimentos, o quê e como a gente faz na nossa produção leiteira; eu sempre falo que a gente tem que ter muita Fé em Deus, pois as oportunidades aparecem, como é o caso desse evento aqui; a maneira como é feito esse torneio, eu acredito que nós que estamos participando pela primeira vez iremos aprender bastante", ressalta. Ela acompanha e participa do torneio de Cachoeira do Arari junto com o marido, Rildo Paixão. A propriedade deles tem 170 hectares e conta com 80 bubalinos e 50 bovinos. 

Outro participante do torneio leiteiro é o produtor rural, Edilson Portal. Veterano na competição, ele avalia que os torneios leiteiros apresentam resultados positivos. "As melhorias são em termos de genética e de produtividade de leite que a gente vem aumentando todos os anos, começamos de maneira bem singela e hoje já estamos num patamar mais alto e isso aqui vai valorizando toda a rede e a cadeia da bubalinocultura", disse. 

O produtor rural, Edilson Portal, que já é veterano na competição diz que os torneios do Marajó já apresentam resultados positivos, como melhoria na qualidade da bubalinocultura local

Ele acredita que os produtores locais já aprenderam com o torneio, como por exemplo, a lidar com o búfalo de outra maneira que não estavam acostumados. "Alimentação, saber escolher a genética, aumentar a produção do leite. Tudo isso já é sentido a olho nu por todo mundo", observa. 

Valorização do plantel - Para o coordenador técnico do torneio, Gerson Cota Mota, a cada ano cresce a quantidade e a qualidade de produtores participantes no evento "dois em um". Segundo ele, a programação propicia ao criador a valorização do seu plantel, pois um animal bem posicionado no torneio leiteiro, embora não venha a ser um campeão, tem o cunho de uma prova de zootecnica. "São profissionais que participam, a associação que representa, para dar fidedignidade aos dados que são produzidos. Um animal que aufere dados satisfatórios valoriza tanto a sua mãe quanto os seus descendentes quanto aos seus descedentes colaterais; o produtor certamente vê isso", detalha.

As búfalas são preparadas e acompanhadas antes e durante os torneios sendo que a retirada do leite é feito nas próprias propriedades para garantir a segurança dos animais

O torneio  começa, na prática, antes do período oficial de realização no Marajó, como adiantou Mota. Ele explicou que os fiscais são preparados nas fazendas. Eles aprendem sobre a parte teórica quanto à regulamentação do evento e comportamento ético do profissional. "Depois que eles são preparados, são divididos e enviados às propriedades rurais. Hoje temos alunos nas propriedades em Dom Eliseu, no sul do Pará, em Castanhal, Abaetetuba, Xinguara, em Soure, em Cachoeira do Arari, ou seja, de outras regiões também", completa. 

De acordo com as regras do certame, ganhará a propriedade ou concorrente que apresentar a maior quantidade de leite. O produto é medido em quilos, em balança específica. A ordenha para a retirada do leite é feita às 6h e às 18h.

Resultados - O potencial e a qualidade do animal e do leite registrados no torneio leiteiro segundo informou o médico veterinário, Augusto Peralta, são resultados do trabalho realizado ao longo dos anos pela Sedap, em especial, no que se refere ao programa de melhoramento genético desses animais. Ele acompanha a programação ao lado da também médica veterinária da Sedap, Anelise Ramos. 

Os médicos veterinários da Sedap, Augusto Peralta e Anelise Ramos acompanham a programação ao lado do coordenador técnico do torneio, Gerson Mota

"Isso é um trabalho que já vem de longas datas, com melhoramento genético, culminando com o torneio leiteiro onde se vê animais de excelente qualidade zootécnica e isso dá uma tranquilidade ao marajoara porque ele sabe que tem produto de qualidade, uma bacia leiteira se formando graças a esse trabalho lá atrás que a Sedap vem promovendo com melhoramento genético no Marajó", analisa. 

Um outro lado que o torneio se faz importante, como frisou Peralta, é a participação do alunado. "Temos várias instituições participando, oferecendo nova mão de obra. O mais importante, é que o governo do Estado olhando por esse lado, procura melhorar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) marajoara, que é o que estamos fazendo: divulgando aquilo que o Marajó produz, que é o leite, o queijo marajoara que é premiado na Europa e ajuda mais lá na frente ao escoamento da produção com a abertura de novas portas para o marajoara trabalhar", finaliza.