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Escola Nilo de Oliveira, em Igarapé-Açu, utiliza oficina de mecânica como recurso pedagógico

Professor Leonardo Magalhães aplica conceitos de Física para aproximar os estudantes dos conteúdos das ciências exatas, na escola de ensino médio

Por Lilian Guedes (SEDUC)
02/07/2026 12h06
Professor Leonardo Magalhães, da Escola Estadual Nilo de Oliveira, ensina as ciências exatas com situações do dia a dia

A relação entre teoria e prática tem ganhado espaço nas escolas da rede estadual como estratégia para ampliar as formas de aprendizagem. Em Igarapé-Açu, a Escola Estadual Nilo de Oliveira utiliza uma oficina de mecânica para aplicar conceitos de Física e aproximar os estudantes dos conteúdos das ciências exatas. 

Desenvolvido com apoio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o projeto nasceu como disciplina eletiva, idealizada pelo professor de Física, Leonardo Magalhães e reúne, atualmente, cerca de 15 estudantes do ensino médio em tempo integral.

O projeto utiliza motocicletas cedidas pela Delegacia de Polícia Civil de Igarapé-Açu, como recurso didático, para aproximar os conteúdos científicos da realidade dos alunos e estimular o interesse pelas ciências exatas.

Para o diretor da Escola, Maurício Torres, a oficina representa uma oportunidade de ampliar a formação dos estudantes, por meio de uma proposta que relaciona os conteúdos curriculares às situações do cotidiano.

"Nós acreditamos no potencial dos nossos alunos e buscamos incentivar os talentos que eles já demonstram. Sempre que possível, apoiamos o projeto com aquisição de materiais e buscamos novas formas de fortalecer a oficina. Nosso objetivo é que esses jovens saiam da escola preparados para continuar os estudos, mas também com conhecimentos que possam contribuir para sua inserção no mundo do trabalho", afirma o gestor Maurício Torres.

A oficina foi estruturada para ensinar as noções básicas de mecânica e integrar conhecimentos de Física, eletricidade, eletromagnetismo e mecânica em atividades que unem teoria e prática. A proposta permite que os estudantes compreendam, por meio da experimentação, conteúdos que tradicionalmente são apresentados apenas em sala de aula, favorecendo uma aprendizagem mais participativa.

Conhecimento aplicado à realidade do dia a dia 

O professor Leonardo Magalhães explica que a proposta surgiu da necessidade de tornar o ensino de Física mais próximo do cotidiano dos estudantes e mostrar que os conteúdos das ciências exatas estão presentes em diferentes situações do dia a dia.

"O projeto nasceu da necessidade de despertar o interesse dos estudantes pelas disciplinas de ciências exatas, aproximando esses conteúdos da realidade deles. Utilizamos a mecânica de motocicletas como ferramenta pedagógica e, até onde temos conhecimento, somos a única escola pública do Pará a desenvolver essa proposta. A parceria com a Polícia Civil também deu uma nova finalidade a motocicletas que não tinham mais destinação operacional, transformando esses equipamentos em instrumentos de aprendizagem", destaca o professor Leonardo.

Durante as atividades, os estudantes realizam desmontagem e montagem de motores, análise de sistemas elétricos, testes de circuitos e uso de instrumentos de medição, como multímetros e paquímetros. Os conteúdos curriculares são aplicados diretamente nas práticas, permitindo a observação de conceitos como corrente elétrica, resistência, potência e transformação de energia.

"Quando trabalhamos o sistema elétrico de uma motocicleta, por exemplo, os alunos estudam tensão, corrente elétrica, potência, resistência e utilizam equipamentos de medição. Eles entendem que a prática depende do conhecimento teórico. Muitos chegaram dizendo que não gostavam de Física e hoje chegam antes das aulas para participar das atividades, inclusive aos sábados”, contou.

A metodologia combina aulas teóricas e práticas em um ambiente adaptado para funcionar como oficina pedagógica. Além da desmontagem e montagem de motores, os estudantes participam da identificação de componentes, da análise de circuitos elétricos, da resolução de situações-problema e da elaboração de relatórios sobre as atividades desenvolvidas. O processo de avaliação considera o domínio dos conteúdos, a participação, o trabalho em equipe, a capacidade de análise e a aplicação dos conhecimentos adquiridos durante as aulas.

A adesão dos estudantes superou as expectativas iniciais. As vagas da eletiva foram preenchidas rapidamente e, mesmo após o encerramento formal da disciplina, o grupo manteve as atividades de forma voluntária aos sábados, dando continuidade às práticas no laboratório improvisado.

“Os estudantes se envolveram de forma muito intensa. Quando a eletiva terminou, eles pediram para continuar. Hoje seguimos com encontros aos sábados por iniciativa deles”, relata o professor.

O envolvimento dos estudantes foi um dos principais resultados da iniciativa. Muitos relatam maior interesse pela disciplina e maior facilidade na compreensão dos conteúdos após as atividades práticas.

Aluno do 3º ano do ensino médio, Eduardo Júnior Nascimento afirma que a experiência mudou sua forma de enxergar a disciplina.

"As aulas ficaram mais dinâmicas. Hoje conseguimos entender melhor o funcionamento dos motores, da eletricidade e da manutenção básica. Além disso, aprendemos responsabilidade e trabalho em equipe", diz Eduardo.

Além do conteúdo técnico, a oficina também ajuda no desenvolvimento de competências como raciocínio lógico, trabalho em equipe, investigação científica e resolução de problemas, fortalecendo a formação integral dos estudantes.

A experiência de Rebeca Almeida Souza ampliou sua compreensão sobre os conteúdos estudados e despertou novos interesses profissionais, ela iniciou a eletiva em 2025 e após finalizar o curso, continua frequentando a oficina aos sábados.

"Antes eu tinha dificuldade para entender como a Física e a Matemática apareciam na vida real. Hoje consigo enxergar tudo isso funcionando nos motores e nos sistemas das motocicletas. O projeto vai além da parte técnica. Ele me ajudou a descobrir novos interesses profissionais e mostrou que a escola pode ser um espaço para aprender sobre a vida e construir nosso futuro", afirma a estudante.

A experiência desenvolvida na Escola Estadual Nilo de Oliveira integra o conjunto de ações da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) voltadas ao fortalecimento de práticas pedagógicas na rede estadual de ensino. A iniciativa amplia as possibilidades de aprendizagem, contribui para a formação integral dos estudantes e reforça o compromisso com a melhoria da educação pública no Pará.

Texto de Amanda Castro - Ascom/seduc