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CULTURA AMAZÔNICA

Casa das Artes sedia nova edição do projeto internacional de dança 'Maré'

Residência artística fortalece intercâmbio entre artistas paraenses e norte-americanos, e culmina com espetáculo gratuito nos dias 24, 25 e 26 de julho

Por Socorro Costa (SECOM)
14/07/2026 16h23
Espetáculo traz a relação com os saberes da Amazônia

A Casa das Artes, em Belém, receberá no próximo fim de semana a segunda residência artística do projeto internacional de dança "Maré", apresentando gratuitamente o resultado das atividades com o espetáculo "Maré", nos dias 24, 25 e 26 de julho (sexta-feira a domingo), às 19h, na sala de dança da instituição.

Desenvolvida por meio da colaboração entre artistas da Amazônia e do Amherst College, dos Estados Unidos, a iniciativa investiga como histórias, territórios e experiências culturais moldam o corpo, a dança, os processos de criação artística e as diferentes formas de compreender o mundo.

Idealizado pela bailarina e pesquisadora Angel Monteiro, o projeto fortalece o intercâmbio entre artistas paraenses e norte-americanos, promovendo uma troca de saberes fundamentada nas culturas amazônicas.

Conexão - A relação de Angel Monteiro com a Fundação Cultural do Pará, à qual está vinculada a Casa das Artes, começou ainda durante sua formação artística. Ex-aluna e, posteriormente, professora do Núcleo de Oficinas Curro Velho (outra unidade da FCP) entre 2013 e 2014, ela ressalta que sua trajetória profissional está diretamente ligada à experiência vivida no espaço.

Atualmente, Angel é professora assistente de Teatro e Dança no Amherst College, uma das mais tradicionais instituições de artes liberais dos Estados Unidos. Graduada em Dança e Educação pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e mestre em Dança pela The University of Texas at Austin (UT Austin), ela desenvolve pesquisa sobre a dança como linguagem artística e ferramenta de investigação social, articulando etnografia, semiótica e narrativas corporificadas.

Para Angel Monteiro, realizar o projeto em parceria com a Fundação Cultural do Pará representa um reconhecimento importante de sua trajetória. “Tenho uma conexão muito forte com o Curro Velho. Eu costumo dizer que não seria a professora que sou hoje, nem teria desenvolvido esse amor por ensinar, se não fosse tudo o que vivi naquele espaço. Faço questão de apresentar o Curro Velho para as pessoas com quem trabalho nos Estados Unidos como um exemplo de formação artística pública e acessível. Receber o apoio da Fundação Cultural do Pará é motivo de muito orgulho. É uma forma de reconhecimento do nosso trabalho, e fortalece ainda mais o compromisso de continuar produzindo arte na Amazônia”, conta.

Valorização - Entre os participantes da residência está o dançarino Mael Rodrigues, morador do bairro do Guamá. Selecionado por meio de uma audição realizada pelo projeto, ele frisa a importância de iniciativas que valorizam artistas da região Norte e ampliam as possibilidades de atuação profissional na dança.

Segundo Mael Rodrigues, “participar deste projeto é um divisor de águas na minha trajetória. A dança exige muita dedicação, e muitos artistas acabam enfrentando dificuldades para transformá-la em profissão. Estar aqui mostra que é possível desenvolver um trabalho de qualidade, viver da arte e construir uma carreira sólida. Isso fortalece não apenas quem participa do projeto, mas toda a cena da dança paraense”.

Todo o processo de criação do espetáculo é desenvolvido a partir do Método Cuíra, metodologia de pesquisa que compreende o corpo como um arquivo vivo de histórias, memórias e conhecimentos.

Construção - A proposta articula quatro princípios fundamentais: o corpo como memória; a semiótica conectada aos saberes indígenas e caboclos; a ficção visionária como ferramenta para imaginar novas possibilidades de existência e a participação ativa do público, inspirada em manifestações populares amazônicas, como o carimbó, nas quais artistas e espectadores constroem conjuntamente a experiência da dança.

Mais do que uma apresentação artística, "Maré" propõe uma reflexão sobre identidade, pertencimento e ancestralidade, valorizando os conhecimentos produzidos na Amazônia e promovendo o diálogo entre diferentes culturas por meio da linguagem do corpo.

Serviço: Espetáculo “Maré”. Dias 24, 25 e 26 de julho (sexta-feira a domingo), às 19h, na Casa das Artes – Rua Dom Alberto Gaudêncio Ramos, nº 236, bairro Nazaré, Belém. Entrada gratuita.

Texto: Maurício Carvalho - Ascom/FCP