Agência Pará
pa.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
REGIÕES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
SAÚDE

Apoio psicológico fortalece assistência materna no Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci

Além das consultas regulares e da realização de exames, atenção integra conjunto de serviços de saúde disponível às mães e gestantes

Por Governo do Pará (SECOM)
22/07/2026 11h39
Psicóloga Daniella Dias, do Hospital Abelardo Santos, abraça carinhosamente paciente: "Mães precisam de rede de apoio".

O período pós-parto é marcado por profundas transformações físicas, mas os impactos psicológicos que acompanham a chegada de um filho exigem igual atenção dos serviços de saúde. No Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém, o acompanhamento psicológico à beira do leito tem sido o principal suporte emocional para mulheres que enfrentam momentos de vulnerabilidade. Essa é a realidade vivenciada por Maria Thaís Cardozo de Souza, moradora de Paragominas, cuja filha, Eloísa, de 10 meses, passou grande parte da vida internada devido a complicações de saúde.

Após enfrentar uma gestação de alto risco descoberta tardiamente e um parto cesáreo de emergência, Maria Thaís passou a acompanhar a filha por sucessivas internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e enfermarias pediátricas. Sem o acompanhamento presencial de familiares durante a maior parte do tratamento e assumindo integralmente a rotina ao lado do leito, ela relata o esgotamento físico e a ansiedade diante da gravidade do quadro da filha.

Nesses momentos de vulnerabilidade, a escuta da equipe de psicologia e o convívio no ambiente hospitalar tornaram-se o principal suporte para manter o equilíbrio emocional. "A equipe de psicologia me deu força, no momento em que eu mais precisei elas estavam ao meu lado, me orientavam, e, principalmente, me ouviam. A gente não se conforma, sofre muito em silêncio. O estresse me fez explodir várias vezes, mas sempre tive suporte de todos daqui. Com mais calma a gente percebe o cuidado. Para mim, a escuta ajudava a não desmoronar, porque passar todo o tempo assim é muito difícil", disse Maria Thaís.

A psicóloga Daniella Dias, que atua no HRAS, explica que múltiplos fatores sociais, psicológicos e orgânicos contribuem para sintomas depressivos e ansiosos no pós-parto. Ela aponta que alterações hormonais, privação de sono e complicações clínicas na mãe ou no recém-nascido funcionam como gatilhos. Esses indícios costumam se manifestar de forma mais expressiva nas primeiras quatro semanas após o nascimento, embora o monitoramento deva seguir ao longo de todo o puerpério, fase do pós-parto que compreende do nascimento do bebê até o retorno do organismo às condições anteriores à gravidez.

A insegurança e a cobrança interna para atingir um padrão ideal de cuidado também geram forte impacto emocional. Daniella Dias explica que o sentimento de não ser suficientemente boa nos cuidados com o recém-nascido pode ocasionar sintomas ansiosos ou, em casos mais intensos, sintomas de transtorno obsessivo-compulsivo, perturbação mental caracterizada por pensamentos obsessivos e comportamentos repetitivos para tentar aliviar a ansiedade. No hospital, o atendimento foca em humanizar essa cobrança e acolher os limites de cada mulher. 

"O conceito de maternidade perfeita é desconstruído com a chegada real da maternidade. É possível encorajar as mães para que elas acolham seus sentimentos. Amar é também se sentir cansada, por exemplo. Para a psicologia, ser suficientemente boa é considerar erros e saber aceitar limites físicos e emocionais. Cabe também reconhecer e pedir ajuda quando necessário", explica Daniella Dias.

Sinais de alerta e a importância da rede de apoio
Para a identificação precoce de transtornos mentais, familiares e profissionais de saúde devem observar mudanças comportamentais e emocionais contínuas. O quadro clínico pode revelar tristeza constante, humor deprimido e choro frequente sem motivo aparente, além de perda de interesse em atividades antes prazerosas e fadiga persistente. Distúrbios de sono, como insônia ou sonolência excessiva mesmo quando o bebê dorme, também são alertas importantes, frequentemente somados a sentimentos de inutilidade, culpa, incapacidade de gerenciar os cuidados e, em casos graves, ideações autodestrutivas.

A quebra da expectativa social de perfeição reforça a importância de construir ambientes seguros e acolhedores, livres de julgamentos ou cobranças externas, explica a psicóloga. Ela observa que, quando parceiros, familiares e amigos dividem as tarefas diárias e oferecem suporte emocional, as mães costumam desfrutar de uma rede de proteção essencial.

A presença ativa de familiares e amigos atua diretamente na redução da solidão e do esgotamento físico, garantindo que tanto a mãe quanto o recém-nascido recebam os cuidados necessários de maneira saudável.

Assistência hospitalar, indicadores e legislação

Como uma das referências do Sistema Único de Saúde (SUS) no Pará, para a assistência materno-infantil, o HRAS direciona sua equipe de psicologia para atuar diretamente à beira do leito, oferecendo escuta técnica e amparo emocional durante a internação das pacientes. A relevância desse cuidado acompanha o volume de atendimentos da unidade. Em 2025, foram contabilizados mais de 5 mil partos no centro obstétrico da unidade.

A urgência em debater o tema é sustentada por dados estatísticos nacionais. De acordo com a segunda edição do estudo Nascer no Brasil, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 17,9% das mães apresentam sintomas de depressão após o parto. O cenário piora quando analisado o sofrimento psíquico perinatal, conjunto de alterações emocionais que ocorrem desde a gestação até o primeiro ano de vida da criança. Ao somar quadros como a ansiedade crônica, o índice revela que até 40% das puérperas no país enfrentam algum tipo de transtorno mental nesse período.

O levantamento da Fiocruz detalha como os pesquisadores acompanham as mães, após a alta hospitalar. Esse monitoramento busca cruzar dados sobre complicações no parto e a qualidade do atendimento recebido nas maternidades para avaliar o impacto direto da assistência hospitalar na saúde mental das mulheres, gerando dados para aperfeiçoar o acolhimento no SUS.

O amparo legal a essas mulheres também é garantido por lei. A Lei nº 14.721/2023 tornou obrigatória a oferta de assistência psicológica para gestantes e puérperas no SUS. A norma determina que esse acompanhamento comece ainda no pré-natal e se estenda por todo o pós-parto, garantindo a identificação rápida de transtornos como a depressão puerperal e o encaminhamento imediato das pacientes para tratamento especializado.

Serviço:

O HRAS é a maior unidade pública do Governo do Pará. Referência no atendimento à mulher, criança e população indígena, promoveu mais de um milhão de atendimentos em 2025.

A estrutura conta com pronto-socorro pediátrico, ginecológico e obstétrico 24 horas, 360 leitos distribuídos entre emergência, cirurgia, internação clínica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn), além de ser uma das principais maternidades do Estado, realizando mais de 5 mil partos anuais, e contar com um centro de terapia renal.