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ECONOMIA CRIATIVA 

Governo do Pará valoriza artesanato tradicional em balata no Espaço São José Liberto

Ponto turístico mantido pelo Estado no bairro do Jurunas impulsiona a economia criativa amazônica e garante geração de renda para mais de 220 empreendedores locais

Por Aldirene Gama (SEDEME)
04/08/2026 15h07

No Espaço São José Liberto (ESJL), em Belém, a balata ganha destaque como expressão da economia criativa amazônica e guardiã de um saber tradicional reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Monte Alegre, no Oeste do Pará. As miniaturas confeccionadas a partir do látex da balateira transformam-se em esculturas de animais e personagens folclóricos, comercializadas em um espaço que se consolidou como referência em turismo, cultura e inovação.

O ESJL, situado na Praça Amazonas, no bairro do Jurunas, é um importante centro cultural, turístico e arquitetônico de Belém. O local abriga o Jardim da Liberdade, a cela Memorial Cinzeiro, lojas de jóias artesanais, a Casa do Artesão, o anfiteatro Coliseu das Artes e o Museu de Gemas do Pará. O espaço é mantido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme).

Entre os expositores está o artesão Darlindo Oliveira, que há mais de 50 anos trabalha com a técnica, perpetuando uma tradição que conecta a floresta à identidade cultural paraense. Suas peças estão entre as obras comercializadas no ESJL.

O artesanato em balata é uma arte tradicional amazônica que consiste na modelagem do látex natural extraído da balateira (Manilkara bidentata). A goma flexível é aquecida, tingida com pigmentos naturais - como urucum e cumatê - e esculpida manualmente para criar miniaturas de animais da fauna e personagens do folclore amazônico.

Na Casa do Artesão, instalada dentro do ESJL, são comercializados não apenas os trabalhos em balata, mas também artesanato em geral, joias artesanais em metais nobres, biojoias criadas a partir de insumos da floresta amazônica e moda autoral com design exclusivo. O espaço reúne mais de 220 empreendedores - entre eles 16 cooperativas - que apresentam produtos de alta qualidade. Parte dessa produção é desenvolvida por empresas formais e empreendedores vinculados ao Arranjo Produtivo Local (APL) de Moda, Design e Indústria, que abrange mais de 11 regiões do Estado.

Segundo o titular da Sedeme, Mauro Bastos, o complexo abriga ainda o Coliseu das Artes, espaço destinado a feiras, shows e apresentações culturais que retratam a riqueza da cultura paraense. Para ele, o ESJL evidencia o potencial dos empreendedores locais, que apresentam produtos de alta qualidade desenvolvidos a partir de matéria-prima regional. “É uma demonstração clara de como a criatividade e a inovação podem transformar recursos locais em oportunidades de geração de renda e valorização cultural”, destacou. O ESJL consolidou-se como centro de referência em turismo, cultura e inovação. Instalado no antigo presídio, ressignifica o patrimônio histórico ao valorizar o artesanato paraense e promover a identidade cultural da região.

Com mais de 50 anos dedicados à produção de miniaturas em balata, o artesão Darlindo Oliveira ressalta a importância dessa técnica em sua trajetória pessoal e profissional, além de destacar a valorização da fauna, da flora e da cultura amazônica em suas obras.

“A balata é minha vida. Com ela criei minha família e construí minha arte. Trabalho com a fauna e a flora da Amazônia, retratando o cotidiano ribeirinho em miniaturas. Entre os destaques estão o boto-cor-de-rosa, muito procurado, além de lendas como o Curupira e a montaria do Marajó, peça premiada pela Unesco em 2012”, lembrou. 

Segundo o artesão, a extração da balata exige planejamento, investimento e o trabalho de extrativistas que permanecem meses na floresta. “Hoje contamos com cinco mestres artesãos na coleta e firmamos parcerias por meio de editais, já que o custo das expedições é alto. Os extrativistas passam até seis meses na mata, e é necessário garantir recursos para sustentar esse trabalho que destaca a nossa cultura”, disse o artesão.